3 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 29.08.2017

Como vocês estimulam a autoestima e encorajam a individualidade de seus filhos?

Domingo aconteceu o VMA e durante toda segunda feira, minha timeline foi invadida pelo discurso de da P!nk, que usou o espaço de agradecimentos pelo prêmio conquistado em um discurso cheio de empoderamento, autoaceitação e como podemos ensinar nossos filhos a terem (ou a tentarem exercer) amor próprio.

No nosso grupo do Facebook, então, foram quase 10 posts sobre o mesmo assunto. Se você ainda não viu, ela está aqui na íntegra:

Viram? Pois então, vamos conversar. Quem tiver filhos nessa idade de 5, 6 anos, então, por favor, aproxima a cadeira e vem falar comigo.

Porque preciso confessar para vocês, eu já entendi que a maternidade é repleta de momentos que a gente se prepara, estuda, conversa e na hora H acontece diferente, mas se tem algo que eu nem sei como começar a me preparar é isso: lidar com um filho que não se sente bem na sua própria pele.

Todo dia eu leio histórias de mães que dividem esses momentos pela internet, por exemplo, a que contou a história do filho que foi chamado de mulherzinha pelos amigos por ter cabelo comprido. “Filho, você se incomoda de ser chamado assim?” – “Eu não, mãe, isso não é ruim. Você é mulher e eu te amo”. Ou então a que compartilhou um momento de cortar o coração por ter tido que tirar o filho de 7 anos do ballet, não porque o menino não queria mais dançar, e sim porque ele não aguentava mais o bullying dos colegas de classe. Teve também a história da animadora de festa que atendeu um menino de 4 anos que queria um desenho de borboleta azul no rosto, mas saiu com a cara pintada de caveira porque os pais vetaram a escolha do inseto. Acho que por causa do Arthur, eu só estou lembrando de histórias de meninos, mas já cruzei com muitas de meninas também.

E aí vem a P!nk – a cantora que por inúmeras vezes já teve sua preferência sexual discutida só porque ela gosta de cabelo curto e nunca teve problemas em assumir e se orgulhar de seu corpo, que por sua vez não obedece à expectativa do que um corpo feminino deveria ser – contar como sua filha se acha feia por parecer um garoto. E aproveitou para dizer o que ela fez para convencer a menina do contrário.

Hoje eu me incomodo demais com esse conceito de masculino vs. feminino para crianças. Outro dia uma amiga veio me perguntar que brinquedos eu estava dando para o Arthur porque ela foi na loja comprar brinquedos novos para a filha da mesma idade (ou seja, 1 ano e meio) e a vendedora só veio com opções de utensílios domésticos em tamanhos reduzidos e, claro, rosas. De rodo à maquina de lavar louça, passando por uma batedeira. Apesar de ficar espantada por ver a tentativa de definir gêneros nos brinquedos em uma idade onde eles nem sabem o que isso significa, o que mais me incomoda é saber que esse é o primeiro passo em uma estrada que culmina no bullying de quem faz escolhas diferentes e que faz com que meninos e meninas tenham problemas de autoestima desde uma idade que eles nem sabem o que isso significa.

O pior de tudo? Crianças não nascem com esses conceitos e pré julgamentos, provavelmente tudo isso acaba sendo incorporado pelos valores que a família passa. Se tem uma coisa que me arrepia é pensar que se eu tivesse tido o Arthur 8 anos atrás, provavelmente eu o transformaria em uma dessas crianças que zoam os coleguinhas que fazem escolhas que fogem do senso comum. Talvez não chegasse a tanto porque meu marido foi uma criança e adolescente que amava dançar – e ele teve que aprender a lidar com quem tentava usar isso como forma de diminuí-lo. Mas eu era completamente equivocada.

Só para vocês terem uma ideia, a maior vergonha que eu tenho nesses quase 8 anos de Futi foi um post que em breve fará 7 anos onde eu estava fazendo imaginem o quê… Julgando a Shiloh, filha da Angelina Jolie e do Brad Pitt, de estar vestida com roupas masculinas ao mesmo tempo que o Kingston, filho da Gwen Steffani, estava andando com unhas pintadas.

Não apaguei o post – e não foi por falta de vergonha – porque até hoje eu tenho minhas dúvidas se deixo ele ali ou não. Gostaria de tirar porque ele é um desserviço, um post cheio de preconceitos de uma pirralha que não tinha ideia do que significava ser mãe e resolveu dar pitaco na vida alheia – e julgando as mães das crianças, olha a ironia! hahaha Mas gostaria de manter porque eu cresci, eu aprendi, eu mudei de opinião e hoje eu concordo com todos os comentários que estavam me criticando. Hoje eu vejo varias mães de menino contando que seus filhos acham o máximo pintar as unhas – e a sexualidade deles nada tem a ver com isso, eles gostam porque vêm a mãe e curtem o ato, as cores, as possibilidades, etc. Aliás, eu nem reconheço a pessoa que escreveu aquilo, confesso. Tento me achar ali e não consigo ver uma centelha de identificação. Que bom.

Eu espero que eu tenha a sabedoria da P!nk para o caso de eu ter que lidar com uma situação dessas em um futuro próximo. Eu espero conseguir criá-lo para enxergar beleza em tudo, inclusive nele mesmo e, acima de tudo, espero criá-lo de uma maneira que ele não julgue as escolhas alheias, muito menos as use para diminuir os outros. Vendo o quanto eu mudei de alguns anos pra cá, eu confesso que tenho grandes esperanças, mas adoraria saber como vocês estão fazendo para encorajar seus filhos e filhas a serem eles mesmos. :)

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3 Comentários

  • RESPONDER
    ana clara
    30.08.2017 às 9:43

    Carla, não sou mãe ( um dia quem sabe), mas tenho 3 irmãos pequenos e sofri bullying quase toda minha vida escolar( por me vestir como menino, por querer jogar futebol, por ser gordinha, depois que emagreci por ser nerd, por andar com o grupo dos excluídos e etc) O que minha mãe fez e hoje eu percebo, mas que na época não parecia me ajudar em nada, foi me emponderar sempre. Ela nunca foi lá brigar com alguém, mas ela sempre me disse que essas pessoas não me conheciam, não sabiam nada sobre mim e que eu era uma menina linda, maravilhosa e inteligente e que essas pessoas eram muito idiotas por não ver. Um belo trabalho de formiguinha e que hoje eu vejo que reflete muito na mulher que eu sou, mas obviamente não evitou tudo que passou.

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    Renata Castro
    30.08.2017 às 10:10

    Carla, adorei o post. Ainda não sou mãe, mas o texto nos permite uma reflexão em diversos aspectos da vida… sobre como mudamos, como não podemos (e não devemos) julgar ninguém.

    Bjos

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    Maira
    30.08.2017 às 14:04

    Ei Carla, não tenho filhos e graças a Deus nunca tive que passar por nenhum tipo de bullyng, super me compadeço pelas pessoas que passaram por esse tipo de problema e não consigo entender o pq das escolhas das outras pessoas incomodarem tanto.

    Outro dia estava no provador de uma lj de departamentos e enquanto eu experimentava algumas roupas, no provador ao lado tinha uma mulher com uma filha e um filho (acho que tinham em média uns 12 anos cada, pra um pouco mais) no mesmo provador e do lado de fora, a avó dessas crianças, e enquanto essa mãe ia vestindo as roupas, os filhos soltavam comentários tipo: “mãe, sua bunda tá muito grande nessa calça, tá te deixando gorda”, ou “mãe, vc tá muito gorda, essa roupa está muito feia”, e ainda tb, “mãe, olha o tamanho da sua barriga, ta apertada”…no primeiro momento eu achei graça do primeiro comentário e depois aquilo começou a me incomodar, pq enquanto os filhos a criticavam alto, ela tb ficou irritada, num certo momento acabou mandando que o menino saísse do provador, pq os piores comentários sempre vinham dele, eram os mais maldosos…em nenhum momento ouvi essa mãe repreendendo os filhos, só a ouvia falando que se ela dependesse da ajuda deles (desculpe o palavreado), que ela estaria fodida…quando eu saí do provador, o menino estava do lado de fora da cortina com a avó dando risadinha e ainda criticando, não aguentei e falei…”coitada da sua mãe, seja mais doce nas palavras, não é assim que se trata uma mãe”, ele me olhou meio desconfiado e nao disse nada.

    Enquanto eu estava dando uma última olhada nas prateleiras, ela passou por mim com os três e a ouvi comentar que precisava de uma roupa pra ir no casamento, percebi que ela não era gorda, não tinha bunda grande e a barriga não estava saltando da roupa, era só uma mãe um pouco fora de forma e mais nada, na hora senti vontade de oferecer ajuda, quem sabe pra escolher um vestido que desfaçasse o que a incomodava e valorizasse o que ela gostava, mas fiquei sem graça e não ofereci, depois me arrependi.

    Então hoje lendo o seu post e vendo o vídeo do discurso da Pink, fiquei pensando que tipo de adulto aquelas crianças da lj vão ser, qual é o exemplo que eles recebem em casa, como se comportam com os amigos e entre irmãos…sinceramente, torço pra que sejam pessoas melhores e principalmente, sejam mais doces nas palavras.

    Bjocas

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