4 em Autoestima/ Destaque no dia 10.08.2017

O lado B do mostrar as gordurinhas no instagram

Desde meados de dezembro de 2016 eu criei coragem para mostrar de vez meu corpo como ele é no instagram. Eu diria que fui contagiada pelo poder do #paposobreautoestima e pelas inúmeras fotos e incentivos postados por participantes do nosso grupo de apoio no Facebook desde outubro e resolvi que havia chegado a hora. Eu vi que não precisaria mais ter um corpo de verão, eu passaria a me jogar na estação com meu próprio corpo, como ele é agora.

Quem conhece o nosso projeto sobre autoestima sabe que falamos de lançar um olhar amoroso e acolhedor para o nosso próprio corpo, como ele é agora. Não precisamos nos obrigar a amar esse corpo, muito menos estamos proibidas de muda-lo, mas a nossa proposta é: seja lá qual for o estagio em você está, olhe com amor pra ele. Ainda que tenham 5 quilos para perder, uma ruga para preencher ou o desejo de um peito mais (ou menos) volumoso, você pode buscar o que tem de melhor e mais bonito no seu corpo durante essa jornada. Tira um pouco da pressão do processo, diminui aquela projeção ilusória de que você só será feliz quando emagrecer ou fizer procedimentos, e te ajuda a treinar desde já a amar o que tem de melhor em você. 

Pronto, dito isso vou fazer meu desabafo. Foi LIBERTADOR postar fotos de lingerie e biquini nos últimos meses. Nunca senti tanto poder sobre meu próprio corpo, nunca senti tanta liberdade e tampouco tive experiências tão boas em abrir mão do peso do julgamento externo. Eu perdi o medo de uma série de coisas e a cada foto eu fui me sentindo mais adequada com o corpo que tenho hoje, por mais que eu ache que estou com um peso que no futuro pode atrapalhar minhas trilhas e viagens, e por mais que eu esteja trabalhando para mudar isso.

Em meio as minhas fotos fui notando algumas coisas surpreendentes no instagram do @futilidades e é sobre isso que vou falar com vocês.

Primeiro: eu achei SENSACIONAL não ter tido UM COMENTÁRIO SEQUER até hoje falando mal do meu corpo. Acho que nossa mensagem vem sendo tão coesa nos últimos dois anos e meio que a agressividade, tão comum em tantos perfis, não aconteceu. Não sei se passei segurança, não sei exatamente o que houve, mas sem dúvida alguma a mensagem foi genuína e respeitada. Quanto mais minhas curvas e dobrinhas foram aparecendo, mais apoio eu ganhava nos comentários e likes e jamais vou poder agradecer. Talvez se não tivesse me sentido tão segura com a resposta dos posts de maiô, não teria me descoberto nos biquinis, não teria me permitido apaixonar por eles. 

Além de nunca ter lido um comentário depreciando meu corpo, sempre tive todo o apoio mais lindo da vida. Li cada mensagem incrível sobre o projeto, sobre minha coragem estar ajudando mulheres a se libertarem com seus corpos. Nunca me senti tão plena ou grata na vida. Só posso agradecer a cada @ que um dia me incentivou, é lindo de se ver.

Outra surpresa também MUITO interessante foi o apoio de mulheres muito magras ou muito dentro do suposto “padrão de beleza”. Os elogios das mulheres magras e musas do Instagram eu não estava esperando. Esperava mulheres comuns – como eu e você – que se sentem sufocadas pelo padrão opressor.

A verdade que descobri nos últimos meses é que quanto mais você está dentro do padrão, mais você precisa atender a um patamar mais inatingível. Parece que quando se trabalha com imagem as referências se tornam ainda mais complicadas. No fim, venho constatando que se você entrar numa neurose, nunca será suficiente e você vai buscar ideais cada vez mais crueis com a sua vida, sua rotina e seu corpo, por isso vejo tanta mulher magra se sentindo representada nas minhas críticas. Elas também sentem o peso dessa busca do corpo perfeito, não se iluda… A influenciadora mais fit que você conhece tem uma referência mais fit do que ela e faz sacrifícios para atingir esse lugar.

As respostas em geral foram incríveis. Me vi representando mulheres que não se sentiam representadas em suas curvas e dobras, me vi inspirando mulheres “reais” a se amarem mais, me vi lendo as coisas mais lindas do mundo e inspirando todos os tipos de pessoas do mundo. No entanto, tudo na vida tem um porém e o meu começa agora.

Não tive um comentário de rejeição quanto ao meu corpo até aqui, mas nas últimas 3 fotos onde mostrei mais minhas gordurinhas e minhas dobrinhas eu perdi aproximadamente 100 seguidores em cada uma delas, que agora contabilizam uma perda de quase 400 seguidores perdidos. Eu poderia achar que o motivo era outro, se no meu instagram pessoal o mesmo fenômeno não acontecesse – em proporções menores, claro – toda vez que as fotos de biquini são postadas.

Tenho plena consciência do meu discurso responsável, nunca fiz apologia à obesidade, nunca incentivei a preguiça e sempre fui entusiasta de dizer que a OMS recomenda exercício físico como melhor remédio para a saúde, e mesmo propondo um caminho nessa linha, perdi seguidores.

O futi e o #paposobreautoestima são projetos vivos, uma obra aberta, mas na última semana saímos de 71.3k para 71k e isso me fez parar pra pensar. Números não são o mais importante, a força desse projeto e a capacidade que ele tem de mudar a vida das pessoas é o que mais importa, mas infelizmente nem todo mundo é como nossos clientes fixos e acredita na importância do real engajamento, no retorno de venda e na verdadeira influência. Assim sendo, pra que o futi possa fazer mais e mais projetos, precisamos sim de números. Então é claro que eu fico triste quando isso acontece.

Não me desmotiva, não me desanima, mas me entristece concluir que um discurso tão livre perca voz por vir de um corpo com dobras, curvas e julgamentos. E por mais que eu tente evitar esse pensamento, fico imaginando se eu fosse mais magra e falasse as mesmas coisas, será que já teríamos batido a nossa meta de seguidores? Mas não somos, aliás, não sou. 

Eu não me sinto inadequada, não desmereço o trabalho de outras mulheres que estão falando a mesma coisa (até porque acho que quanto mais gente falar sobre isso melhor!) não vou mudar de ideia e nem questionar meu caminho, no entanto questiono em forma de desabafo essa indústria do perfeito no instagram. Não enxergo coerência em quem diz que quer vida real no instagram, mas se sente atingida quando a vida real com dobras, menos maquiagem e liberdade genuína surge na sua timeline.

Apesar de amarmos fotos lindas, o futi não tá afim de atender a indústria da vida perfeita, com foto perfeita, com feed combinando e fazendo só post que engaja pra criar o perfeito do desconstruído! Vejo muita gente pregando liberdade no corpo, na make e no cabelo, no entanto, postando apenas fotos perfeitas porque é isso que audiência quer ver.

No fim é a construção do padrão até na hora da desconstrução.

A gente aposta em falar da nossa vulnerabilidade para propor aprendizados que gerem autoconhecimento, e na perfeição não tem isso. Se mais gente quiser deixar de nos seguir ao ver minhas dobras ou curvas, perdemos mais, não tem problema. Esse projeto veio pra mudar a nossa vida e de mais uma turma que anda com a gente, por isso não iremos desanimar.

Mas achei curioso perceber que por mais que eu tenha o discurso que querem ler, talvez eu não tenho a imagem que querem ver. 

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Mariana
    11.08.2017 às 2:04

    Achei estranho isso acontecer. Não acho que se se refere q sua imagem? Acho que que se refere ao discurso, por mais que seja libertador, às vezes pode parecer cansativo (para algumas pessoas). Se vc se sente no seu caminho isso que importa, como vc falou, o que vende não é um papo libertador, as pessoas estão acostumadas a seguir o que a “indústria” delimita, o produto ou a imagem que a “magrinha”, rica”, gata”, (mesmo que fale) vende…Jo, as pessoas querem ver sonhos em IG e não realidade…bjs

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    Schaiane Jesus
    11.08.2017 às 23:19

    Nossa Jo essa tua última frase é forte e muito verdadeira hein. Fico triste em saber que isso acontece, mas acho que algumas pessoas ainda não entendem o que a gente prega, claro que muitas preferem as ” musas fitness “, mas ainda creio que algumas pessoas ainda não caíram na real sobre essa questão do que é ” perfeito” o que é ” beleza “. Espero que isso vá mudando, nem que seja aos poucos.
    Suas fotos de biquíni são como um espelho para mim, ver uma mulher bonita abusando da felicidade e chutando o balde para qualquer opressão ♡ Já garanti meu maiô da Marcyne que venha o calor hehehe
    Beijos *-*

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    Fany
    13.08.2017 às 15:34

    Amei o post. E concordo com melhor qualidade do que quantidade. Continuamos aqui, seguindo sempre! Sucesso. Bjks, Fany

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    Sabrina
    15.08.2017 às 15:05

    Com certeza qualidade é melhor que quantidade. Estou adorando essa nova Joana.

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