1 em Relacionamento no dia 03.08.2017

Existe mesmo uma etiqueta na hora de terminar?

Eu já acreditei que sim. Hoje, desprovida de tantos rótulos e buscando sentenciar menos julgamentos, diria facilmente que não. Hoje eu não acho que devemos passar por cima das nossas fraquezas, dificuldades ou desafios para atender a um perfil de término socialmente aplaudido. Acho que devemos honrar nossos sentimentos e instintos.

Nem tudo são flores e nem tudo é tão simples, cada história carrega seu peso e singularidade, muitas vezes desfechos politicamente incorretos são ruins mas são o melhor que conseguimos fazer naquele momento. 

Esse questionamento me fez viajar na minha história, nos meus 30 anos de vida e nas relações afetivas que tive que viver o fim até o presente momento. Fazendo as contas, vejo que até aqui carrego comigo 3 namoros + 2 rolos que precisaram ser terminados. Cinco pessoas que precisaram ter pontos finais discutidos na minha história, fosse essa pontuação um desejo do outro, ou apenas um desejo meu.

Se eu me ativer aos namoros, direi que meu primeiro namorado terminou comigo e eu achei que fosse morrer. Eu tinha 20 anos, era louca por ele e não via toda manipulação emocional que existia no nosso relacionamento. Ele construiu a coisa de tal maneira que no dia que ele terminou comigo eu endossei tudo que ele sempre disse sobre as previsões de que eu nunca encontraria alguém que me amaria como ele, ou coisas piores. Eu parei de comer, eu não conseguia dormir e passei uma noite inteira em claro. Por 6 meses ele me cozinhou e eu fui caindo, até que um dia acabou de vez. Morreu pra mim, eu enxerguei a manipulação e descobri que a vida precisava ser vivida. Embarquei em um avião com destino a um novo ano, uma nova vida e depois dessa viagem o poder que ele um dia exerceu sobre mim tinha sido eliminado por completo.

Foi nessa época que começou o meu processo de entendimento que não há protocolo pro fim, ele acontece na mesa de bar, no café, na praia, no almoço ou na loja de sucos, sempre com choro, sempre com dor, até quando a gente quer. Até quando vem somado à alívio.

No meu namoro seguinte foram 2 “tempos” que ele pediu antes do fim definitivo. Eu nunca ameacei terminar, nunca em 6 anos eu fiz isso. Depois da violência emocional vivida no meu primeiro relacionamento sério, jamais me permiti ser leviana com essas coisas. Mas a primeira vez que a palavra “término” surgiu na minha cabeça, eu não demorei nem um mês para anunciar o fim.

Passei os 5 dias que antecediam essa data pensando em como o fazer, onde e em qual circunstância. Novamente veio aquela sensação de que não há hora e nem lugar pra esse tipo de conversa. Não havia regras pro fim. Peguei um taxi, combinei dele descer e terminei ali, em um cantinho de uma portaria na praia da Barra. Foi tão bizarro que eu nem lembro de muita coisa, eu apaguei aquele dia da memória, mas de novo vi que não havia metodologia certa pra nenhum tipo de fim.

Eu não mordi a língua quando disse que JAMAIS abusaria emocionalmente de alguém no fim. Eu fiz tudo da forma mais dolorosa pra mim e contra meu ego, justamente para não dar uma ponta de esperança leviana e não alimentei NADA que fosse apenas garantir alguém gostando de mim por mais tempo enquanto eu vivia a vida. Eu definitivamente deixei ele ir e fiz todo o esforço pra não prender nem um fio de cabelo. Se eu queria ser livre, queria tal liberdade pra ele também.

Depois disso vivi muitas coisas até que conheci o cara com quem achei que iria realmente ficar. Nossa, com esse eu queria nunca precisar terminar. Ele tinha tantas coisas que eu queria, ele me fazia tão bem, mas o tempo deu nossa sentença e eu precisava de mais afeto do que ele podia me dar. O término se deu primeiro por mensagem, depois pelo celular. Ou seja, nada da forma que eu queria falar ou que nossa breve história mereceria, mas foi assim que aconteceu e tudo bem.

Emendei uma história na outra pra não sofrer com o fim, quis roubar na fila da aprendizagem e pronto, custou caro. Mais uma frustração entrou pra conta e eu mais uma vez tive que colocar o rapaz na parede. Batata, ele simplesmente não estava tão afim, mas quem teve que dar o basta? Eu de novo, mais uma vez por telefone, mais uma vez na circunstância “inapropriada”.

Por fim, namorei de forma furacão. Essa quase todo mundo aqui acompanhou, torceu, vibrou e comentou. Ou seja, não precisei terminar só com ele, precisei terminar publicamente. Ficou a lição: não, eu não vou mais compartilhar meus relacionamentos, apenas as experiências e sabedorias que eu tiro de cada um. Já basta ser uma merda decepcionar meu coração e o da outra pessoa.

Tentei de tudo encontrar na praça pra conversar (com direito a rolo de papel higiênico na bolsa e tudo), mas no fim, não adiantou. Ele sentiu antes e me obrigou a decretar o fim por celular. Mais uma vez não dei o ponto da maneira que eu imaginava “ideal”.

O que eu descobri é que não existe lugar certo. Não existe etiqueta pro fim. 

8 finais depois, para algumas histórias eu quis voltar, mas nunca existiu jeito bom de acabar. Eu sobrevivi 30 anos sem saber ao certo qual é a forma certa de viver isso.

Já achei covardia terminar pelo telefone, até o dia que eu precisei o fazer por falta de opção. Já achei um ultraje não querer sentar pra conversar com a pessoa que quer voltar e ouvir o que ela tinha a dizer presencialmente, até o dia em que eu precisei o fazer pelo bem do meu coração. Já julguei sem medo pessoas que deletam o ex do facebook, até o dia em que eu deletei um cara do meu. Já achei tanta coisa que não acho mais. 

Terminar de forma manipuladora pra massagear o ego é requinte de crueldade. Abusar do momento frágil da outra pessoa é no mínimo maldade. Dar falsas esperanças por medo de ficar sozinho é abuso emocional. Cada um vai ter sua circunstância, mas o importante é BANCAR o seu grande final, sustentar a decisão e não jogar com a outra pessoa.

Para mim o importante não é onde e nem como você vai terminar com alguém, o importante é o respeito que temos que ter por nós e pelo outro nesse momento.

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1 Comentário

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    Renata Castro
    10.08.2017 às 9:19

    Jô, concordo demais com seu ponto de vista! E vou além… penso que não existe etiqueta pra quase nada nessa vida!!
    O importante é respeitarmos a nós mesmos e as outras pessoas… é tentar fazer o nosso melhor!! A vida não é um livro de receita com etapas a serem seguidas… nem uma conta de matemática com resultado exato e fixo! A gente tem que tentar ser flexível e se adaptar às situações que acontecem na nossa vida… e aprender com elas!!

    Mais uma vez, parabéns pelos seus textos!! Sempre trazem ótimas reflexões!!

    Bjos

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