9 em Relacionamento no dia 26.07.2017

O meu silêncio condescendente e o que eu não disse pra ele…

Passaram algumas semanas e eu me arrependo amargamente de ter feito a fina e não ter falado com ele o quanto achei infantil a sua ausência de atitude. Nada condizente com um homem de mais de 30 anos que tem responsabilidade pelo que sente e fala.

Não mendiguei amor, não supliquei por paixão ou atenção. Abri mão de tudo no momento em que ficou óbvio que ele não estava – mais – tão afim. Ele só não queria tanto assim, mas não teve coragem de dizer. O que não é por si só um problema, mas como esse fator parece uma doença de repetição, depois dele eu já queria desistir. 

Quando percebi que ele muito falou, mas não sustentou nas atitudes, parei de acreditar em palavras, agora elas sozinhas não me dizem nada. Odeio partir do princípio que tudo é um jogo e de que a pessoa não fala a verdade, mas é isso. Agora eu só acredito em atitude e admiro gente corajosa.

E sabem o que é o pior? Ouço isso se repetir todo dia, com dezenas de mulheres e confesso que estou ficando cansada. Você já passou por isso?

Eles começam de maneira linda e promissora seja com palavras como “ah, eu estou cansado de joguinhos, estou procurando conhecer alguém legal e que bom que a gente se encontrou” quanto com expectativas tais como “mês que vem tem um show que precisamos ir juntos!”. “Você conhece o restaurante novo que tem em Botafogo? Semana que vem podemos ir.” “Nossos signos combinam muito sabia?”. Nossa, e quando faz das tripas coração para te ver, arruma um horário entre duas agendas apertadas para no fim de tanto esforço, cancelar tudo e sumir?

Eu conheço inúmeras mulheres que passaram por situações parecidas ou até mesmo iguais, tenho certeza que muitas aqui também se viram com a pulga atrás da orelha depois de ter certeza que aquele relacionamento iria engrenar ou render mais um pouco e de, repente, o cara desapareceu.

Ou então os encontros começaram a rarear até o sujeito nunca mais dar notícias. Ou, pior. Por algumas vezes ele cancela os programas dizendo que está cansado ou precisa estudar ou qualquer outra desculpa e, quando você entra no instagram, lá está ele com os amigos.

No meu caso o “queria você aqui” deu lugar ao silêncio misturado a uma série de razões sem sentido pra sair sem avisar. Nada que eu tivesse falado o faria ficar – e nem eu iria querer vencer ninguém no cansaço – mas hoje eu sinto que precisava ter falado o quanto acho cansativo lidar com esses joguinhos infantis, sem desfecho ou verdade. Queria sinalizar a falta de responsabilidade com relação ao outro, que pode de fato estar acreditando nos planos sugeridos, encontros pré marcados e coisas do tipo.

Queria ter tido a coragem de dizer mas com medo de parecer maluca, ou interessada demais me calei (ou seja, até quando eu to fugindo de joguinhos, me vejo tendo que encarar tudo como um jogo – #exausta). Com esse silêncio a gente acaba permitindo que esse hábito seja comum. Então esse silêncio final eu acho que não quero mais, na próxima quero dizer o que penso, não pra tentar continuar, mas sim pra dizer: “oi, sumir sem avisar e dar desculpas não é legal, tá? Não quero forçar uma relação, só quero ter um fechamento. E informar se não está mais afim é um ato de respeito que honra tudo que foi vivido. Obrigada, beijo, tchau”

Além desse arrependimento, eu também me enchi de dúvidas quanto a esse hábito tão pouco educado e fiquei me perguntando:

Será que os caras passariam a criar mais responsabilidade afetiva se nós começássemos a dizer pra eles certas verdades?

Será que se informarmos que não precisamos de jogos, mentiras ou exageros nas conquistas eles não ficariam mais seguros de não fazer planos que não querem realizar?

Será que se falássemos sobre a importância de informar que não quer mais faria com que eles se dessem ao trabalho de o fazer?

Sumir do mapa só é justo quando vem de alguém que deixou muito claro que aquela conquista era pontual, não criou expectativas na outra pessoa e não ficou fazendo joguinhos da conquista. .

Homens e mulheres adultos deveriam ter responsabilidade com sentimentos, seus e do outro. Não é preciso estar namorando sério para ter responsabilidade com a outra pessoa. Nunca sabemos o quanto o outro está envolvido e ter cuidado com esse detalhe é um baita sinal de cuidado com o outro.

Esse último cara foi o último que  ficou com meu silêncio condescendente.

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9 Comentários

  • RESPONDER
    Dayana
    26.07.2017 às 22:28

    Maravilhosa!! Te adoro Jô! Vc fala exatamente o que pensamos 👏🏼👏🏼👏🏼

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    Monyque Evelyn
    27.07.2017 às 9:34

    Olá, tudo bem? Que blog lindo, amei. E esse texto? Super concorco.

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    Erica Ferreira
    27.07.2017 às 11:47

    Joana, você sempre escreve de uma maneira tão objetiva e direta, que me vejo nas suas palavras. Estou tão exausta desse tipo de jogo, de sumiços sem explicação, e principalmente, de inícios incríveis e falta de responsabilidade emocional com o outro. Acho que é muito melhor deixar tudo claro desde do começo, assim ninguém se machuca, e você decide ficar ou não.
    Obrigada por falar tudo aquilo que eu penso e sinto, e por mostrar que não estou sozinha nesse sentimento.

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    Wal
    27.07.2017 às 14:48

    Desde adolescente que eu nunca consegui “deixar pra lá” sem dizer exatamente o que estava sentindo. Sem medos e sem amarras. O olha, sempre me fez um bem danado!

    Beijos!

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    Claudia Mendes
    27.07.2017 às 16:20

    Estava lendo o livro “Quem era ela” e não pude deixar de lembrar do seu texto:

    “Como terapeuta, passo a maior parte do tempo detectando padrões
    inconscientes de comportamento. Quando alguém me pergunta: “Por que todos
    os homens são assim?”, minha resposta é: “Por que todos os homens que você
    escolhe são assim?” Freud chama isso de compulsão à repetição, um padrão em
    que alguém encena diversas vezes o mesmo psicodrama sexual, com gente
    diferente ocupando os mesmos papéis imutáveis. Em um nível subconsciente, ou
    até mesmo consciente, a pessoa tem esperança de modificar o resultado,
    aperfeiçoar o que deu errado. Mas, de forma inevitável, o relacionamento é
    destruído pelas mesmas falhas e imperfeições que alguém assim traz,
    exatamente da mesma maneira”.

    Acho que também é algo para se pensar.

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      Natalia
      27.11.2017 às 14:29

      Estava falando disso hoje com um amigo, eu repito os padrões de caras com quem me envolvo e sempre espero um resultado diferente e mais aprimorado. Obviamente nunca acontece e vou me frustando.

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    Andressa Silva
    27.07.2017 às 17:48

    Daqueles de textos que parecem que tão falando da gente!
    A gente vive isso tantas vezes pra aprender que no mínimo devíamos falar, e deixar claro o que achamos sobre esse tipo de ‘imaturidade’. Também já fui assim, sofria demais por não falar as coisas, ou demonstrar; e hoje é um alivio assumir seja qual for a imagem que encaixem.

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    Patricia
    27.07.2017 às 17:50

    Meninas, infelizmente esse tipo vai existir sempre. Conheci um cara que se “apaixonou “, vivia atrás de mim, 2 semanas depois de estarmos juntos o cara sumiu, nunca estava quando eu ligava. E o pior, ainda espalhou que eu era pegajosa, quando o que eu queria era justamente um desfecho. Bom nem tudo está perdido! Depois dele conheço meu marido; com quem estou há 24 anos. Bjs, desculpe o textao.

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    Renata Castro
    28.07.2017 às 10:01

    Jô, você, como sempre, conseguindo dar vazão aos pensamentos de muitas mulheres!!
    Seus textos me representam tanto… AMO!!

    Bjos

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