2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque no dia 19.07.2017

Negras em capas de revista, sim!

Mês passado quando vi estas capas pelo Instagram, fiquei louca. Louca num grau “TENHO QUE COMPRAR AS TRÊS REVISTAS! EU PRECISO DELAS EM CASA!” E olha que sou bem contra falar que alguém PRECISA de algo; mas eu realmente precisava tocar e guardar estas edições. TRÊS revistas em um mesmo mês estampam mulheres negras em suas capas. Vocês conseguem imaginar o que isso significa?

Talvez não. Sei que existem pessoas que não ligam, que podem achar exagero a minha felicidade exacerbada, o meu post para falar do assunto. Entretanto, para quem passou a adolescência e boa parte da vida adulta SEM SE VER REPRESENTADA em capas, isso sim é um avanço absurdo. É felicidade, é lavar a alma, é perceber que vale a pena bater nesta tecla e falar aos quatro ventos que está errado em diversos níveis não colocar negros em campanhas, propagandas, capas…..

Quero dizer que minha mãe sempre assinou a revista Claudia (quando digo sempre é algo de aaaaaanos); e eu conto nos dedos de uma mão quantas vezes uma mulher negra esteve na capa. Sim, por mais de quinze anos eu posso contar quantas mulheres negras estamparam a capa da Claudia. A maioria da população no Brasil é negra, cadê o sentido nisso? Cadê eu me enxergar em capas, em propagandas, em toda e qualquer posição? Eu POSSO chegar em qualquer lugar que desejar, por que não querem me mostrar isso?

Mas em junho comprei revistas que eu não costumo ler: Elle, L’Officiel e Vogue. Comprei por ter mulheres negras, comprei porque revistas com negras na capa vendem menos, já falei sobre isso neste post do Instagram que fiz quando a musa Gaby Amarantos foi capa da Boa Forma. Comprei e comprarei novamente porque isso tem que mudar, porque se nós não fizermos nada para mudar continuará do mesmo jeito.

Depois desta compra outra surpresa: A MARAVILHOSA ELZA SOARES NA CAPA DA ROLLING STONES! Sim, ainda no mês de junho! O que fiz? Comprei também porque isso só fortalece. Ah, e li todas as revistas, viu? Hahahaha É pra ler também! =D

Já passou do tempo das empresas, editoras, do MUNDO se tocar que negro consome, sabia? SIM, vejam só! As pessoas negras consomem, ocupam mesmos espaços que as brancas (admito, em minoria por conta da nossa história de escravidão, dívida da sociedade, o fato de afastar negros do centro juntando-os nas periferias…), porém a geração que está aqui e agora não quer mais calar. Eu sou uma das pessoas que não tem um pingo de vontade de calar. Sou negra, consumo, quero me ver representada e se não me vejo não compro. Seja uma marca de roupas, uma revista, maquiagem (sim, tem marcas que eu não falo por não ver negras em propaganda), restaurantes, lojas de departamento e por aí vai…

Só para ilustrar: Esses dias vi o comercial de um novo carro. O homem branco dirigia e passava por vários lugares com diversas pessoas e NENHUMA delas era negra. PERAÍ: Negro não é seu público? Negro não pode comprar o seu carro? É isso? “Ai, Maraisa você está exagerando!” Não, não estou. Repito que para um país onde MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO É NEGRA, o mínimo que se espera é ver esta representatividade em TODOS os ambientes. Mas não…. para a marca lá eu não posso comprar o novo SUV. Okay, não compro esse, escolherei outro carro.

Eu, Maraisa Fidelis, vivi para ver isso. Vivi para ver QUATRO mulheres negras estampando capas em UM MESMO MÊS. Capas de revistas de moda e música. MODA:  justo um meio cheio de egos e preconceitos, um meio difícil de trabalhar onde você é facilmente substituível. Vi isso em revistas tipicamente elitistas que sempre colocaram brancas na capa. VINTE E OITO ANOS para ver na banca uma ao lado da outra e quase chorar de felicidade. É este o mundo em que quero viver! É este o mundo que quero mostrar para meus filhos, é este o mundo que desejo ajudar a construir. REPRESENTATIVIDADE IMPORTA, CARAMBA!

Ah! Vale ressaltar que a L’Officiel colocou Nayara Oliveira na capa mas no recheio vi uma foto bem pequena dela e só. Sinceramente, não entendi e não fiquei feliz. Já Vogue e Elle sambaram  lindamente com Joan Smalls e a MARAVILHOSA angel da VS Maria Borges respectivamente.

Não sou uma pessoa “das modas”. Me interesso porém entendo pouco. Mas se as revistas continuarem assim, se eu me vir representada, continuarei comprando, prestigiando e apoiando aquilo que enche meu coração de alegria e outro sentimento que não sei explicar, talvez orgulho, paz, ou aquele suspiro de “finalmente vejo esta luz no fim do túnel”.

Eis que vira o mês, julho começa e olha a maravilha que eu vejo nas bancas pessoas lindas do meu Brasil:

AAAAAAHHH! Posso gritar? Lucy Ramos, Tais Araújo e o perfil de um homem negro em diferentes revistas. Máxima, Marie Claire, Você S/A estampando negros no mês seguinte! Meu coração se enche de amor, esperança e o sorriso fica bobo no rosto. Comprei as três e espero que nós, negras e negros, continuemos nos vendo representados todos os meios. Afinal, nós estamos aqui, né? Então também estaremos lá.

Gostou? Você pode gostar também desses!

2 Comentários

  • RESPONDER
    Milena
    19.07.2017 às 15:25

    Não é exagero nenhum da sua parte…todos nós temos o direito de ser representados onde quer que seja…
    Eu nem imagino o quanto deve ser difícil ser negro não só no nosso país, mas no mundo…fico muito triste ao constatar o preconceito que amigos meus enfrentam no seu cotidiano, isto já passou da hora de acabar!

    • RESPONDER
      Joana
      20.07.2017 às 15:29

      Concordo com tudo que vc disse!

    Deixe uma resposta