1 em Comportamento/ crônicas no dia 06.07.2017

AMOR, desisti de te esperar!

Como foi o dia em que eu desisti do amor? Foi calmo, sereno e de paz, diferente do que sempre imaginei. 

Nele não desisti de amar em todos os sentidos. Não há como parar de amar o próximo como a mim mesma ou não amar o abraço quentinho da minha mãe. Nunca vou abrir mão do amor de ser madrinha do afilhado, ou das minhas amigas irmãs, que não tem meu sangue. Não desisti de amar minhas amizades, viagens ou histórias de amor já vividas, não desisti de amar seres humanos de uma maneira geral. Tampouco parei de sentir amor em forma de emoção em filmes, livros ou museus.

Amar? Amo viajar, embarcar numa nova aventura ou mudar de opinião. Amo me divertir, rir ou me surpreender. Amo mudar, me transformar, só não amo mais me apaixonar.

Hoje abri mão de amar aquele sonho de amor clichê, aquele da comédia romântica. Desse eu desisti de esperar. Prefiro guardar o que já senti, lembrar do que já vivi e agradecer por ter podido sempre recomeçar.

Pra mim, AMAR não se trata de pensar, de parecer combinar ou de pegar os planos e encaixar. Amor, desses de amar, é aquele que te faz parar de pensar, só cabe se jogar. Quando você não consegue não compartilhar.
Amor de amar não dá pra guardar. Amor de amar te faz querer gritar pro mundo o quanto pode ser transcendental se apaixonar.

Amar faz você não caber em si, faz transbordar e fica impossível calar.

Desse tipo de amor eu desisti. Em algum momento fica impossível se contentar com pouco, entregar menos do que gostaria ou diminuir algo bom só pra não atrapalhar o que o outro vai pensar. A gente começa a se enganar ou tentar criar teorias mil para justificar o simples.

O amor era pra ser simples, enquanto ele for complicado vai ficar bloqueado no meu celular.

Ou é, ou não é.

O que pode ser não é, o que parece ser também não é. Só o que de fato é tem força pra ser, o que não tem… Não importa o que é.

Confusão é tornado, ventania ou furacão, passa, bagunça, mas não fica. Isso pode até ser paixão, ou não, pode até ser medo de se entregar, mas não é amor.

Amor fica.

No entanto quando o amor fica muito tempo sem aparecer a gente se acostuma a ausência dele, a gente começa a valorizar todos os outros tipos de amor e se preencher deles. A carência pode dar lugar a paz de espírito. O silêncio ocupa a sala que antes tinha angústia. A solidão deixa de ter uma conotação negativa e traz de vez a confirmação de tudo pode ter calma outra vez. Até pra alguém que já foi viciada em se apaixonar.

Quando desisti desse tal de “amor de dois” achei que seria o fim, mas na verdade foi o começo. Afinal o amor como mais puro sentimento nunca faltou. Ele está em tanta gente e em tantos lugares de forma verdadeira e visceral que só pude me deixar preencher as lacunas, dar sentido aos espaços vazios até a hora que eu mudar de opinião. Caso isso não aconteça, guardei minhas melhores histórias na lembrança, pra consultar de vez em quando. Armazenei na caixa de memórias meus melhores romances. Depois, só risquei da lista de pendências esse tal de amor.

Se antes eu sentia que sem esse tipo de amor nada seria… Hoje não sinto mais, hoje eu sinto paz.

Eu não vim ao mundo para esse falso amor de dois que já nasce pronto pra não ter um depois.

Se amar é muito gostoso, tão gostoso que você começa a amar todos mais, entregar mais e desejar mais de tudo, só que num mundo de menos, mais pode ser demais.

Prefiro tudo o que me dá paz e por só saber amar demais, preferi apenas não amar mais.

 

 

———————————– Esse texto pertence a tag de crônicas do blog ———————————–

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação. Hoje a história contada é de outra pessoa, mas poderia ser de muitas pessoas mais.

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1 Comentário

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    scheila alves paixao
    07.07.2017 às 15:17

    Adorei a crônica, parece que fui eu que estava escrevendo.
    Amei.

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