1 em Autoestima/ feminismo no dia 20.06.2017

Tamo junta?

Se tem uma expressão recente que me dá ânimo, gera confiança e me faz sentir completamente acolhida, é #tamojunta. Eu realmente não sei se ela está sendo usada em outros momentos, em outras situações, mas comigo ela surge toda vez que eu estou contando sobre meus momentos de dificuldade na maternidade.

Conto que Arthur acordou de madrugada, recebo uma mensagem de uma amiga “Carla, sei bem como é, tamo junta nas olheiras”. Digo que estou exausta porque o dia foi um pouco mais puxado que de costume, vem uma seguidora me mandando DM “Carla, também to cansada demais, mas tamo junta que essa fase já passa”. Relato que Arthur começou a fase das birras, lá vem um comentário fofo de uma leitora dizendo “A minha filha começou a birra nessa época e também não sei o que fazer #tamojunta”.

Deu pra entender nesses exemplos qual o sentido e qual a força dessas duas palavras unidas?

O #tamojunta não é sofrência, não é campeonato de reclamação, não é competição pra ver quem tem a vida mais dura. Aliás, ouso dizer que o Tamo Junta é justamente a queda da competição feminina, é a sororidade saindo da teoria e sendo aplicada na prática, é empatia pura e simples por outras mulheres, é a força que você adquire quando vê que você não está sozinha.

Eu acho que se o Tamo Junta tivesse que se desenvolver em uma frase de apoio, seria mais ou menos como “Eu sei o que você está passando porque eu já vivi ou estou vivendo a mesma coisa, mas vamos perseverar que nós somos incríveis, fortes e vamos conseguir superar qualquer dificuldade“. Sei lá se quem mandou um #tamojunta para mim realmente quis dizer algo parecido com isso, mas foi assim que eu registrei. ;)

Saber que não estou sozinha nos meus problemas ou nas minhas dificuldades é muito acolhedor, e apesar de gostar de me cercar de pessoas que me botem para cima, acho que eu me sinto mais confortável sabendo que estamos todas no mesmo barco, ninguém melhor nem pior. E eu pessoalmente amaria ver o #tamojunta dessa forma se estendendo para além do mundo da maternidade.

Porque vocês sabem, nós, mulheres, fomos criadas para enxergarmos umas às outras como competição, a julgarmos e sermos julgadas, a nos intimidarmos por quem é mais bonita/magra/popular/bem sucedida, a odiarmos a ex do atual ou a atual do ex (e não to falando de ex embuste, to falando de ex gente boa, que terminou porque fazia sentido), a acharmos que “não tem como ser amiga de mulher porque é tudo fofoqueira” ou então termos certeza que muita mulher junta não dá certo porque é muita inveja que rola. E aí a gente foi aprendendo a mostrar sempre nosso melhor lado, aquele sem vulnerabilidades ou dúvidas.

Mas a realidade é que nossa vida seria muito mais fácil e unida se a rede empática de apoio que acontece no #tamojunta estivesse formada. Mães estando juntas nas noites mal dormidas, nas frustrações, no cansaço das birras. Casadas se juntando nas discussões de um novo mundo vivido a dois, com eternas tampas de privada abertas a dúvidas sobre divisão de contas ou como não deixar o tesão ser devorado pela rotina. Solteiras unidas nas dificuldades em arranjar uma pessoa legal, no cansaço de fazer programações de adolescentes quando você é solteira e não é mais adolescente ou na ansiedade do segundo encontro com aquele crush que tem potencial. Isso porque estou falando apenas de algumas poucas questões referentes à minha faixa etária, mas as possibilidades são realmente infinitas – e ainda podemos cruzar situações, afinal, o movimento tamojuntista não é segregador. É o oposto, é agregador.

E aí, vamos aplicar o Tamo junta em todos os lados da nossa rotina? Vamos dar a mão para mulheres que estão passando dores ou delícias que nós já passamos? Vamos mostrar nosso lado mais vulnerável e menos perfeito sem medo de sermos julgadas? Que tal fazer o oposto? Vamos mostrar as questões da vida real para elas nos aproximarem umas das outras ao invés de nos distanciarem? O Tamo Junta pode ser ferramenta de desromantizar tudo.

Em tempos de ostentação da vida perfeita na rede social, ter coragem de jogar limpo é libertador, ainda mais quando outra pessoa chega junto e diz: Tamo junta. 

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1 Comentário

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    Juliana de Paula
    20.06.2017 às 22:12

    Vcs têm se puxado cada dia mais nos temas dos textos Ca!
    Adorei essa abordagem. #tamojunta
    Bjs!!

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