1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 19.06.2017

Indiferença: o pior-melhor sentimento

Por algum tempo eu tive dificuldade em aceitar que existem relacionamentos que simplesmente acabam. Amoroso, familiar, amizades e até mesmo no âmbito profissional, em qualquer canto pode acontecer um afastamento de pessoas que não estão na mesma sintonia. Nunca é fácil, e muitos podem trazer alivio depois que acabam, mas até a ficha cair é dolorido e angustiante.

No meu ponto de vista pessoal a indiferença é o pior ou melhor sentimento que você pode entregar para alguém. É o melhor porque quando você sente indiferença, isso significa que aquilo não tem mais nenhum tipo de valor pra você, nem bom, nem ruim. Você não deseja nada de bom ou ruim para a pessoa, indifere se ela está viva ou morta. Não faz a menor diferença o que ela pensa, seu paradeiro ou seus feitos. Eu sei que parece muito forte ao colocar em palavras, mas eu diria que é maduro e libertador.

Porque, por exemplo, muita gente sente raiva da outra pessoa quando o afastamento acontece. Sentir raiva usualmente pode estar ligado a ainda ter um sentimento entranhado em um lugar que causa dor ou pode ter a ver com se enxergar projetado na pessoa, ainda que de forma inconsciente. Como se essa identificação sombria ainda te fizesse ter algum elo com aquela pessoa, de alguma forma. Já quando há indiferença, há a neutralidade total, não há conexão de nenhuma natureza. Não importa o caminho que foi tomado, o rumo que foi traçado. Simplesmente não importa.

Para mim é um alívio me sentir indiferente quando penso em alguém que me fez algum mal, acho uma benção não sentir nada negativo por alguém que fez algo que me decepcionou. E digo mais, se eu tiver feito algo pra alguém, não ligo que ela me trate com indiferença. Inclusive, se é para ser totalmente honesta, eu prefiro que ela sinta isso porque não há nada mais chato e cansativo do que gente que fica nos acompanhando e esperando a gente escorregar. Por mais que no fim isso só envenene a vida da própria pessoa pessoa, não deixa de ser chato ter uma torcida contra. Nesse caso, prefiro quem simplesmente esqueceu da minha existência.

O motivo de eu considerar também o pior sentimento é porque a nossa vida muda e com essas mudanças algumas histórias e pessoas ficam pelo caminho. No entanto, prefiro sentir saudade à indiferença. Prefiro lembrar com carinho do que com neutralidade, mas as vezes é inevitável. Por isso chamo de “pior-melhor” sentimento. Em alguns casos será triste não sentir afeto pela memória, em outros libertador. 

Indiferença é algo que sinto por poucas pessoas. Apesar de adorar ter esse sentimento disponível no meu repertório de possibilidades, prefiro os que me remetem coisas boas. Talvez por isso seja difícil pra mim quando tenho que lidar com o contrário: a indiferença de alguém que gosto por mim. 

Você já se pegou nessa situação de ter carinho por uma amizade, por alguém importante e ter que lidar com o fato de essa pessoa ser indiferente a você? Não é o mais comum dos sentimentos, mas acontece.

Eu hoje ando me propondo trabalhar o desligamento emocional dessas questões. De que adianta me preocupar com algo ou alguém que está indiferente? Me parece um gasto desnecessário de energia.

Indiferença por definição abraça palavras difíceis como: descaso, desinteresse, desdém ou falta de consideração, que estão diretamente atrelados à falta de cuidado ou carinho.Por mais que seja complicado se sentir ignorado, acho que precisamos avaliar com cautela se vale a pena investir emoção, energia e expectativa onde há indiferença.

Até a  indiferença é melhor quando é recíproca!

Não quero me olhar com arrogância e achar que ninguém deveria sentir isso por mim. Nem mesmo quero crer que eu sou tão legal que não é “justo” alguém estar indiferente à minha pessoa. Todo mundo tem o direito de sentir o que quiser, só que no fim eu preciso avaliar o quanto eu vou deixar isso ser uma grande questão pra mim. Preciso analisar o quanto de energia eu estou disposta a gastar pensando nesse assunto, criando teorias sobre algo ou alguém que não se importa mais, ou até mesmo gerando situações para testar se é mesmo indiferença o que há ali, tentando entender algo que simplesmente não existe mais. Seja amizade, trabalho, afeto ou interesse.

Pode ser libertador conseguir retribuir esse desprendimento emocional, aceitar que se a pessoa quisesse não seria indiferente. Então por mais legais que nós sejamos, ela tem o direito de não se preocupar, de não se importar. Encaro esses processos de aprendizado e conscientização como uma grande oportunidade de amadurecer. Passar a investir de forma mais consciente meu tempo e energia.

Então, acho que ao usarmos a ferramenta da indiferença com consciência, poderemos focar no que realmente importa, que é atingir a felicidade e dobrar a meta. :)

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1 Comentário

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    Emilena
    20.06.2017 às 19:40

    Que texto! Estava refletindo esse dias sobre certos relacionamentos interpessoais. Hoje em dia lembro-me de coisas que anteriormente me angustiavam e agradeço ao tempo por hoje me fazer sentir indiferença sobre tais. Em determinadas situaçoes isso é fantástico!

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