2 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 14.06.2017

Abraçando os perrengues

Outro dia estava conversando com algumas amigas sobre essa história de como desromantizar a maternidade publicamente tem sido bom e libertador. Falar sobre tudo aquilo que a gente queria ter ouvido ou lido antes de ter filhos nos ajuda a encarar essa tarefa de forma mais leve, com menos cobranças e obrigações. Até que uma delas fez a seguinte observação, que eu achei pertinente:

“o único problema de falar dos perrengues é que fica parecendo que ser mãe é apenas um eterno, interminável e cansativo perrengue”.

E a verdade é que ser mãe é perrengue mesmo, não tem palavra melhor pra definir. E a cada fase da criança o perrengue muda.Eu, por exemplo, estou na fase em que a casa arrumada fica de pernas pro ar no minuto seguinte que Arthur acorda. Que acho comida de 5 dias jogada atrás do sofá. Que tenho que esconder tudo em gavetas – devidamente trancadas com dispositivos à prova de crianças  e lugares altos para evitar as mãozinhas nervosas. Aliás, eu estou tendo que botar essas fechaduras em lugares estratégicos que nunca pensaria como banheiro (porque ele entra na banheira e abre a torneira – de roupa, claro, e geralmente quando estamos prontos pra sair) e lavanderia (porque ele desprograma a máquina e lá vamos nós ter que lavar a roupa toda de novo e um processo de 1 hora e meia dura 5 horas). To na fase dos ataques histéricos. Da independência. De fingir que não entende para não obedecer. To na fase das subidas nas cadeiras, no carrinho, no sofá – e quanto mais perto eu chego, mais ele quer fazer movimentos potencialmente perigosos.

Cansou? Eu cansei só de lembrar.

A foto tá fofa, mas no fundo eu tava mesmo era exausta enquanto ele tinha energia pra dar e vender. Foto por Adriana Carolina

Mas sabem o que me dá energia para encarar tudo novamente?

Porque eu também to na fase que ele vem espontaneamente dar um abraço. Que pega meu queixo para dar um beijo. Que solta gritos de alegria porque vê um pássaro, um avião ou um helicóptero (imaginem se um dia for o Super Homem? Ficarei surda). Que me ajuda a botar a roupa para lavar. Que me chama para brincar depois de um tempão brincando sozinho. Que sabe escolher qual programa quer ver no Ipad ou no Iphone. Que dá beijos e abraços no Jack. Que explora o brinquedo do parquinho e se sente muito orgulhoso quando desce sozinho no escorrega. Que topa tudo e é um super companheiro. Que gargalha gostoso e de verdade.

Eu reconheço todas as maravilhas e privilégios e eu me permito ficar orgulhosa de cada fase. Fico orgulhosa dele, fico mais ainda de mim. Saber reconhecer os sentimentos bons é uma delícia, dá um quentinho no coração, faz a gente acreditar por um momento que aquela foto clássica da mãe olhando a cria e babando por ela acontece 24 horas por dia.

Mas o que mudou a minha forma de encarar a maternidade de um jeito mais saudável foi me permitir.

Abraçar os perrengues, as felicidades, o amor e as frustrações por igual. Saber que faço tudo que está ao meu alcance, mas também me permitir ficar frustrada porque não consegui babá para que eu pudesse cortar e pintar meu cabelo, por exemplo. Sentir um amor que as vezes nem sei como cabe aqui dentro, mas não me julgar quando o que estou sentindo passa a ser uma vontade enorme de não ter ninguém dependendo de mim, nem que seja por apenas um dia.

E no fim, independente de você preferir apresentar uma visão romantizada ou desromantizada da maternidade, de encarar os perrengues de forma tranquila ou arrancando os cabelos, o que importa mesmo é sabermos de que somos todas boas mães (e nós somos, pode ter certeza).

Gostou? Você pode gostar também desses!

2 Comentários

  • RESPONDER
    Ancilla
    14.06.2017 às 15:00

    “o que importa mesmo é sabermos de que somos todas boas mães (e nós somos, pode ter certeza)”
    Obrigada! Tenho passado por tudo isso também (minha baby tem só três meses menos que o Artur) e também não tenho essa visão romantizada da maternidade, mas às vezes a gente se cobra tanto né, já não bastasse o que nos cobram.

    • RESPONDER
      Carla Paredes
      15.06.2017 às 0:06

      A autocobrança é a pior coisa que tem! :/

    Deixe uma resposta