1 em Autoconhecimento/ Convidadas no dia 13.06.2017

Não leve o vestido de noiva na bolsa

Há alguns anos eu ouvi uma frase da qual nunca me esqueci, embora não me lembre da autoria: “Não leve o vestido de noiva na bolsa.”

Em outras palavras, “não levar o vestido de noiva na bolsa” significa que não devemos andar com a preocupação constante de “dar certo com alguém”, perseguindo cegamente o tal do “relacionamento sério”.

Na época em que ouvi essa frase, eu tinha cerca de 27 anos, solteira, sem namorado, e estava na fase de pensar sobre os meus objetivos de vida: namorar? Casar? Filhos? Continuar no mesmo trabalho ou buscar outros objetivos profissionais?

Eu apelidei essa fase de “crise dos vinte e tantos anos”, pois esses pensamentos são muito comuns às mulheres nessa faixa etária, até porque a sociedade sempre manda recados nada sutis, por meio de parentes, colegas ou vizinho(a)s inconvenientes, do tipo: “você está ficando velha” ou “precisa arrumar um namorado para namorar um ano, noivar mais um ano e casar a tempo de ter filhos com óvulos saudáveis”.

Naquele tempo, mesmo com vontade de viver uma história bacana de amor, aprendi que não adiantava frequentar balada, barzinho, show, restaurante, igreja, supermercado (daqueles que vendem comida com embalagens menores para pessoas que moram sozinhas e são considerados bons para paquerar) ou qualquer outro lugar/evento carregando expectativas prematuras de relacionamento sério e duradouro.

Quando estamos focadas em meras expectativas, deixamos de viver momentos únicos sozinhas, com a família, amigos e até mesmo com o date/boy/crush da vez.

Como conhecer verdadeiramente uma pessoa e, consequentemente, tomar uma decisão sensata sobre relacionar-se com ela, se tudo o que você enxerga é apenas fruto da idealização e das suas expectativas?

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras áreas da vida. Por exemplo, na carreira: como você vai alcançar seus objetivos se você perde tanto tempo pensando no topo da escada que se esquece de subir o primeiro degrau? A idealização do topo da escada acaba gerando tanta ansiedade que não sobra energia para subir um degrau.

Além disso, quando estamos cegos pela idealização, acabamos não percebendo quão boa pode ser a realidade ao nosso redor.

Eu, por exemplo, idealizei tanto a minha lua-de-mel que me vi dando “piti” ou sendo chata em um lugar paradisíaco só porque choveu ou porque o quarto de hotel estava voltando para um lado da ilha e eu queria ficar do lado oposto. Absurdo, né? Mas aconteceu, porque eu tinha uma idealização tão forte na cabeça e não queria que nada desse “errado”. Eu simplesmente esqueci de ver que a realidade era tão boa ou até melhor do que a idealização, mesmo com todos os imprevistos que fazem parte de qualquer viagem. Eu digo que não fui uma bridezilla, mas fui uma honeymoonzilla!

Existem tantos exemplos em outras áreas, como: a idealização do corpo perfeito e de como a gente vai se sentir depois de alcançá-lo; a idealização da faculdade perfeita (no caso de pessoas que vivem mudando de curso e colecionando decepções e mais ansiedade)O engraçado é que, mesmo sendo uma grande sonhadora/idealizadora, com tendência a ser controladora, todos os momentos da minha vida que mais deram certo foram os mais despreocupados e nada planejados: quando eu me mudei de coração aberto e sozinha para uma cidade desconhecida; quando eu conheci o homem que hoje é meu marido; quando eu passei naquela prova importante de concurso, dentre outros.

Nesse contexto, mesmo em outras áreas da vida, que não a amorosa, gosto do simbolismo do termo “vestido de noiva”, porque tem sempre aquele vestido de noiva pesado, cheio de camadas, rendas, bordado, principalmente se for do tipo “princesa”.

Ou seja, quem consegue ficar confortável carregando um vestido de noiva pesado na bolsa o dia inteiro?

Assim como o vestido de noiva tem sua ocasião específica, o sonho tem o momento certo para se tornar realidade e, enquanto esse momento não chega, existem outras oportunidades que merecem ser aproveitadas.

Por isso, considero a metáfora do “vestido de noiva na bolsa” excelente para nos lembrar de que devemos nos permitir sonhar alto, mas precisamos tomar cuidado para que nossas idealizações não se tornem pesadas demais para carregarmos por aí, pois o excesso delas, além de sugar nossa energia, pode esvaziar as pequenas alegrias do dia a dia.

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1 Comentário

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    Naiara
    13.06.2017 às 15:37

    Não sei se é o Universo conspirando lá de cima… Mas ontem mesmo tava comentando sobre a história de sair de casa com o “vestido de noiva na bolsa” com uma amiga…Desabafando, sobre quão é complicado nos dias de hoje, deixá-lo em casa todos os dias… Ou simplesmente não cair na tentação de colocar ele na bolsa quando as coisas dão a entender que podem sair como esperamos…

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