14 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 01.06.2017

Dois anos depois do fim …

Dois anos depois eu estou aqui: sozinha, dançando no carro, cantando no chuveiro e rindo das reviravoltas que a vida deu. Há dois anos eu imaginava que tudo teria sido diferente. Imaginava que eu ia sair pra farra logo de cara após o fim. Um erro, tive meu luto. Achava que o primeiro ano seria uma balada constante, que o ano novo e o carnaval seriam de grandes viagens e festas com as amigas. Outro erro, um tempo depois de aproveitar a solteirice eu conheci alguém com quem eu passei todo o verão, todas as datas comemorativas, todas as possíveis festas. Assim, contrariando todas as expectativas, acabou o “romance” depois do carnaval. Eu acreditava que provavelmente dois anos depois eu estaria namorando o novo amor da minha vida, coisa que não aconteceu também. Sendo bem honesta, a realidade foi diferente das expectativas.

365 dias x 2 depois, nada é como pensei que seria. Sim, eu conheci muitos caras, alguns entraram na lista de “poucos e bons”. Vivi algumas histórias fantásticas, viagens sensacionais e me permiti fazer algumas loucuras que a gente não faz quando está num relacionamento sério e monogâmico. Comprei passagens por impulso, estendi viagens porque deu vontade e fiz um monte de outras coisas que eu nunca tinha me permitido fazer antes, afinal nunca havia sido adulta, solteira e com meu dinheiro. Me preocupei só comigo por um tempo. 

Aplicativos, festas, encontros e desencontros povoaram o primeiro desses dois anos. O segundo foi muito diferente, eu me apaixonei e me quebrei inteira. Jamais vou contar aqui, ou mesmo fora daqui o que aconteceu comigo, mas precisei viver isso. Porque apesar da pancada, eu aprendi que eu merecia mais do que eu estava acostumada. Sem contar que fui corajosa, quebrei preconceitos e segui meu coração. Me orgulho de ter tentado, assim como me orgulho de ter pulado fora. Eu elevei meus parâmetros e descobri que o amor é sobre a entrega de dois seres inteiros. Eu cansei de metades. Depois desse fim eu me fechei, me dei muito pouco tempo para relações e me doei menos ainda para elas. Me fechei na minha intimidade e no meu espaço, me vi sem tempo para jogos de interesse ou desinteresse. Há mais de 7 meses eu estou com preguiça, cuidando do meu trabalho e dos meus sonhos. Nesse tempo eu descobri que mereço muita coisa bacana, a mesma quantidade de coisa bacana que eu consigo entregar, mas talvez não agora.

Porque relações legais não são só sobre o quanto mais nós merecemos, mas também sobre o quanto mais podemos nos doar.

Muito curioso que em 2017 – com a agenda bem conturbada – eu só me permiti me interessar por quem ia embora. Que me perdoem os céticos, mas eu não acredito que isso seja uma coincidência. Algumas pessoas dizem que eu fiquei muito exigente, talvez eu tenha ficado um pouco, mas a verdade é que hoje não tenho tempo para o que não acontece de forma natural. Ando “brincando” que o universo quer que eu continue focada nas minhas coisas, afinal até as – aparentemente – mais casuais das relações andam tão complicadas que me dão preguiça. Assim sigo no meu processo de auto análise, agradecendo a oportunidade de conhecer mais sobre meus padrões de comportamento e revendo quem eu sou, quem eu quero ser. 

Se me contassem que há exatos dois anos eu teria vivido tantas histórias eu jamais acreditaria. Foram algumas aventuras mais intensas, outras curtas, algumas pessoas eu deixei, outras me deixaram, alguns desfechos foram loucos e outras confusões memoráveis. Em algum momento eu me descobri diferente no sexo, eu me reconheci no meu corpo e pude viver algumas experiências que a química e a física juntas não explicam. Me apaixonei pelo cara certo na hora errada. Me apaixonei pelo cara errado na hora certa. Me entreguei sem medo e ganhei referencial. Eu experimentei muita coisa e descobri mais de mim em cada oportunidade. 

Ser solteira nessa faixa dos 28 para os 30 me permitiu avançar em saltos quânticos as casinhas do tabuleiro do autoconhecimento. Nunca pensei ter a autoestima e a segurança que tenho hoje. Jamais passou pela minha cabeça que eu iria me relacionar com alguns dos caras mais bacanas que eu poderia conhecer nessa vida e nem mesmo acharia viável dizer que eu arriscaria tudo por uma tragédia anunciada, na qual eu era a única que acreditava em outro desfecho. Claramente eu estava errada mesmo.

Hoje eu acredito que o  #paposobreautoestima começou a nascer naquele final de maio de 2015, mesmo que indiretamente. Daquela mulher que se pegou acomodada com uma vida que não fazia mais sentido pra si (eu) e da outra mulher que se viu mudando tudo à sua volta porque engravidou (ca). Suspeito que naquele momento astrológico começou a nascer também esse novo futi.

Na hora que eu me peguei abrindo mão daquela história, eu não entendi o quanto tudo ia mudar. O trabalho iria se transformar, a crise ia me fazer questionar meus hábitos de consumo e por um tempo minha qualidade de vida ia se readequar. Nem considerei a possibilidade de que a nova Joana poderia não combinar mais com alguns padrões de comportamento, que ficaram para trás nessa jornada. Era uma mudança de status de relacionamento, mas foi muito mais do que isso. Nessa hora eu passei a acreditar também no famoso Retorno de Saturno.

Me lembro de pensar que eu estava escolhendo terminar aquele relacionamento de 6 anos pensando que seria importante me abrir para o infinito de possibilidades. Nunca estive tão certa quanto naquele dia. Toda vez que me pego conectada com as consequências menos floridas dessa escolha, eu me lembro que precisei de tudo isso, toda dor e até mesmo perda, para chegar aqui. Para ser exatamente quem eu sou hoje.

Hoje, completados dois anos, não realizei quase nada da lista da velha Joana. Ainda não fui à Noronha e nem à Maiorca, não fiz minha tatuagem e não estudei espanhol. Não tenho minha casa, não namoro e nem tenho o plano de casar. Ainda não congelei meus óvulos, não tenho minha filhote de boxer branca e nem um escritório/closet que sempre quis. Não sou dois e não tenho plano de ser três.

Por sua vez, a nova Joana aprendeu a sonhar grande. Descobriu que ela pode tudo que quiser, desde planejar grandes feitos à mudar suas escolhas conforme sentir necessidade. Ela se conectou consigo, se conheceu e descobriu facetas sensacionais que antes ficavam escondidas. Ela se deu conta que não vai precisar ter alguém, ela terá alguém se quiser. Só vai casar um dia ou viver junto se for por amor, daqueles que flui naturalmente pra isso, não tem mais esse item pra cortar da lista. Ela poderá ser mãe ou não. A versão atualizada adora viver experiências e relações incríveis, mas por ela mesma. Acho curioso como em dois anos essa nova versão mudou todos os percursos e linhas de chegadas. Aprendeu a meditar e aos poucos se transformou na versão mais verdadeira de si.

Dizem que a felicidade não é um destino a ser alcançado, mas sim a forma como vivemos a jornada. Hoje acredito que o infinito de possibilidades não acontece em momentos pontuais, ele está sempre ali, desde que estejamos abertos para ele. 

Há dois anos jamais imaginaria minha nova carreira, meu reflexo no espelho, o cabelo lindo e descolorido ou minha foto na revista. Nada aconteceu como eu achei que seria, mas no fim cada pedacinho disso tudo me trouxe para algo muito mais interessante. Hoje, atendendo aos meus sonhos de menina, me vejo podendo semear ideias boas que podem cultivar novas colheitas no mundo em que vivo. Agradeço imensamente por acreditar que posso fazer alguma diferença.

Dois anos depois, ao fim de maio de 2017, chegar aqui com esse novo relacionamento sério e seguro comigo mesma foi a melhor coisa que me aconteceu. E quer saber mais? Sinto que o melhor ainda está por vir. Pra mim não existe começo, meio e fim, só existe o hoje e por esse dia eu sou muito grata.

Dois anos depois tudo foi diferente do que eu imaginei e confiante digo: Ainda bem! Porque hoje me sinto caminhando nós pés de quem eu sempre sonhei ser. 

fotos: Gabriela Isaias 

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14 Comentários

  • RESPONDER
    Renata Castro
    01.06.2017 às 11:28

    Simplesmente AMEI o texto!!

  • RESPONDER
    Rita Durigan Seidl
    01.06.2017 às 12:44

    Dois trechos pra guardar pra vida: “… a felicidade não é um destino a ser alcançado, mas sim a forma como vivemos a jornada.” “… caminhando nós pés de quem eu sempre sonhei ser.”

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    Schaiane Jesus
    01.06.2017 às 15:01

    Texto escrito por quem se conhece muito <3
    Acho que o futi é como um espelho com filtro anti padrões, onde começamos a nos enxergar sem as imposições diárias, só vendo a gente é vendo do que somos capazes : )
    Que tu alcance todos teus objetivos, seja sozinha ou bem acompanhada S2
    Beijos Jo *-*

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    Talita Soeiro
    01.06.2017 às 15:19

    U A U! Simplesmente AMEI o texto, Jo.
    ” caminhando nos pés de quem eu sempre sonhei ser”

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    Renata
    01.06.2017 às 16:03

    Amei o texto Jô, sinto que estou no meio desse processo que você já viveu. Ainda tenho muito para entender sobre mim, sobre os relacionamentos que se foram e que virão, mas nesse um ano depois do meu término minha vida virou de cabeça pra baixo e depois voltou para melhor. As vezes é preciso estar sozinha para se permitir, se conhecer melhor. Obrigada por compartilhar esse momento com a gente!

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    Aline Santos
    01.06.2017 às 16:48

    Acompanho o blog há algum tempo e hoje mais do que nunca gosto da forma como tem escrito, o papo autoestima eu acho lindo e esse seu texto é maravilhoso. A gente se redescobre depois de alguns fins e se redescobrir é lindo demais.

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    Amanda Gomes
    01.06.2017 às 22:11

    Maravilhosa demais!
    Mais do que nunca estou acreditando na força do universo. Olha como as coisas são incríveis, minha vida mudando de ponta a cabeça bem no momento que comecei a me aprofundar e a seguir o futilidades, justo no momento mais lindo do blog que revela o quanto amar a si mesmo é importante.
    Muito obrigada Jo, por tudo! Por ser uma grande amiga, mesmo que virtualmente ❤️

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    Heloise Vidal
    02.06.2017 às 8:58

    Amei o texto, me identifiquei muito… “Não sou dois e não tenho plano de ser três.”

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    Heloise Vidal
    02.06.2017 às 8:59

    Amei o texto! Tive uma identificação em diversas partes… “Não sou dois e não tenho plano de ser três.”

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    Vanessa
    02.06.2017 às 10:32

    Belo texto, pessoal, emocional e muito bem escrito.

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    Gabriela
    06.06.2017 às 14:52

    Uaaaaaaaaaau que texto! Tô arrepiada ainda ;,)

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    Natalia
    27.11.2017 às 14:59

    Jo, o texto é maravilhoso, a experiência toda para chegar nessas palavras imagino que tenha sido extraordinária. Eu me encontro em processo de autoconhecimento, estou tentando sacar ainda como funciono e está sendo muito difícil, imagino que seja assim para todo mundo. Mas o fato de “não ser dois e não saber qndo vou ser três, quatro, cinco” me apavora, ainda acredito que preciso disso para ser feliz, mas acho que saber que não é bem por aí é meio caminho andado. Obrigada sempre pelas palavras! Vc é mais que terapeuta, é amiga e é de verdade.

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      Joana
      27.11.2017 às 16:08

      uhauhauhaa
      To mais pra amiga virtual do que pra terapeuta vai?
      O que faço é dividir minhas experiências sempre que possível ou quando eu já tenho clareza do aprendizado do que aprendi ali.

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