2 em Comportamento/ Destaque/ feminismo/ maternidade no dia 30.05.2017

Eu estou cansada de pedir ajuda em casa, será que consigo mudar esse quadro?

Semana passada uma tirinha foi muito compartilhada pela minha timeline. Ela conta sobre a divisão de tarefas domésticas e como é exaustivo para as mulheres terem que dizer para os homens o que deveriam fazer, quando no mundo ideal, todo mundo deveria de trabalhar junto para manter a casa um ambiente habitável, sem que um precise ficar dizendo para o outro o que fazer ou como fazer.

O que chamou a minha atenção é que mulheres de todos os tipos compartilharam, o que achei curioso, pois esse era o tipo de problema que passou a me afetar de verdade quando eu parei de ter ajuda – contratada, vale destacar – nas tarefas de casa.

Eu sempre soube que organização nunca foi o forte do meu marido. Desde quando namorávamos, ele nunca foi de ter o armário arrumado ou a cama feita, ou seja, não tive nenhuma surpresa quando fomos morar junto. Por anos a fio eu também não me importei com esse detalhe porque além de passar pouco tempo em casa, o que ele desarrumava não era o suficiente para me deixar exaurida e, botando culpa no cartório, eu também era um pouco desorganizada (meu home office volta e meia virava quarto da bagunça porque eu ia acumulando coisas). Só que eu tinha a Kátia, que por 6 anos foi a responsável por deixar nosso armário arrumado e a casa limpa e organizada.

Quando viemos para NY, eu e ele sabíamos que a vida iria mudar nesse sentido, e eu estava tranquila quanto a isso, meu maior medo era encarar o mundo da mãe full time mesmo. Nesse 1 ano (sim, em duas semanas fazemos 1 ano aqui!), eu tive que aprender a ser minimamente organizada, mas sinceramente, eu acho que essa mudança foi maravilhosa. Mas acabei conhecendo o mundo do “me dá uma ajuda? por favor? você pode fazer isso?”, e ele é cansativo pra caramba, principalmente quando você é uma pessoa que ODEIA pedir favores.

Desgasta. Dá motivos para várias DR’s desnecessariamente necessárias. Cansa demais. Eu diria que esses quadrinhos foram maravilhosos porque explicaram de maneira clara e gráfica tudo que eu vinha tentando falar, mas além disso, eles originaram uma discussão interessante sobre a educação do Arthur. Por causa dessa imagem:

De maneira alguma isso é uma crítica à forma que minha sogra educou seus filhos, até porque eu sei que ela sempre pedia para eles fazerem suas tarefas domésticas quando era o caso. Mas é aí que mora o X da questão. ELA PEDIA. Então, como podemos educar o Arthur para que sua mulher (ou homem, sei lá, né) não precise pedir nada? Ou seja, que ele entenda que para uma casa funcionar, todos que moram nela têm que colaborar, independente de pedidos de ajuda?

Claro que ele ainda está muito novo para entender o conceito de tarefa doméstica e de ter que ser responsável pelas suas coisas, mas desde agora estamos tentando engajá-lo em pequenas coisas. Por exemplo, estou botando a roupa na máquina e peço para ele botar junto, depois fechamos juntos a tampa e, como ele ama um botão, já boto ele pra apertar também. Ou então Bernardo está limpando alguma coisa que caiu no chão, Arthur está por perto e interessado no que estamos fazendo, depois que a maior parte está limpa ele dá o pano para ele fazer igual. E ele faz, claro que sem entender a importância disso tudo. rs

Ele ama utensílios domésticos. Outro dia estávamos na casa de uma amiga e o Arthur toda hora aparecia com alguma coisa de limpar (não tenho ideia onde ele achava tudo isso). Vassoura, rodo, aspirador portátil (que ele ligava e ficava vendo aspirar as coisas), com certeza ele achou o armário de limpeza e foi roubando tudo lá de dentro. Uma hora, uma das amigas que estavam lá brincou dizendo que estávamos fazendo exploração infantil, eu ri e brinquei junto mas no fundo (nem tão fundo assim) eu fiquei orgulhosa e um pouco esperançosa. Acho que tem, sim, como criar um homem que não vai precisar que ninguém peça para fazer alguma coisa dentro de casa.

Quando for a hora, quero muito engajar ele na hora de mexer em alimentos também. Além de ser um hábito legal para estimular uma boa relação com a comida, é uma forma de ensiná-lo a se virar, né?

Não tenho noção se isso vai surtir algum efeito no futuro, mas só sei que depois que conversamos sobre isso envolvendo a educação do Arthur, resolvemos assumir a ideia de que uma casa é uma engrenagem cujas partes têm que funcionar, e isso de certa forma facilitou as coisas. Isso não quer dizer que eu não tenha que pedir alguma coisa todo dia, ou que não fique estressada por algo que poderia ser feito e foi jogado nas minhas costas, mas deu uma noção melhor da nossa realidade e do que temos que fazer para essa engrenagem funcionar sem ninguém dar defeito. E espero que em breve o Arthur já entre nessa equação como uma peça melhorada. :)

Para ver todo a história, é só clicar aqui.

 

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Monique
    31.05.2017 às 10:05

    Post mais maravilhosos de 2017. Tenho muita dificuldade de lidar com isso em casa. Diria que isso é o que mais me desgasta, porque a impressão que dá é que a “obrigação” de manter a casa funcionando é só minha, quando pra meu marido é uma opção. Não que ele ache que eu sou obrigada a nada, mas ele só se movimenta quando eu peço e gostaria MUITO que isso fosse uma atitude proativa.

    Não sei como resolver isso hahaha, mas seguirei tentando. E sem sombra de dúvida meus futuros filhos serão educados a participar e contribuir desde cedo!

    beijo

  • RESPONDER
    Margarida NERI
    31.05.2017 às 21:42

    Adorei o post e maneira que vc colocou a educação. Exemplo maravilhoso. 😘

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