2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 18.05.2017

Eu, 44 anos!

Comecei a blogar antes de entrar na casa dos 40 anos. Apesar de conviver com meninas em média muito mais jovens do que eu, a idade (ainda) não tinha sido um fator de preocupação dentro desse universo da blogosfera, nem fora dela, muito menos na minha vida privada. Ela não tinha me pegado de jeito.

Implacavelmente, essa hora acabou chegando, eu virei uma quarentona na virada da meia noite do dia 31 de Julho de 2013, por vezes confesso que logo no início dessa fase a única diferença era mesmo o número, eu até pensei em omitir (para não ter que mentir) a idade em determinadas situações profissionais, simplesmente ignorava o ano do meu nascimento quando precisava preencher alguma ficha, achava que o fato de já fazer parte das mulheres de quarenta anos pudesse mudar alguma perspectiva em relação ao meu trabalho. Chegar nos eventos e me deparar com a possibilidade de ser uma das mais velhas do lugar com o tempo passou a me incomodar.

E, esse incômodo não parou por aí. Passei a me questionar constantemente, minha mente trabalhava sempre contra mim, criando dúvidas, medos e monstros horrorosos, todos ao mesmo tempo. Passei a me questionar; “Será que não está na hora de deixar de ser blogueira?! Estaria eu fazendo papel de ridícula no meia dessas meninas?!”

Além daquela sensação de inadequação, de estar forçando a barra, uma crise existencial veio se formando lá no horizonte. A idade finalmente me pegou de jeito, confesso, fui nocauteada. Passei a me sabotar, essa “culpa” associada diretamente à idade me levou à uma percepção de que profissionalmente tudo estava fora dos eixos, sendo assim, ela acabou migrando para outras áreas da minha vida.

Me olhar no espelho se tornou mais difícil, perceber que a minha pele não ostentava mais aquele viço e colágeno todo de um passado recente passou a me aborrecer e me contrariava no íntimo. Meu peso disparou, assim como o meu colesterol. Sempre fui muito magrinha, vestir PP e P era a normalidade, até eu precisar comprar uma roupa M e foi um baque.

Estar no meio dos 40 anos, passou a significar muito mais pra mim. Cheguei na metade do caminho e com isso, entrei num momento reflexivo muito intenso, culminando em várias teorias da conspiração, todas trazidas por conta dessa sensação de não dar mais tempo. Essa sensação virou um chamariz para questionamentos ainda mais pesados e críticas de todos os tipos em relação a mim, mas a principal de todas elas, foi “Eu realizei todas as coisas mais importantes que eu precisava realizar na minha vida?!”

Diante de uma única resposta negativa, bateu aquela decepção, me abalando emocionalmente e se espalhando sobre mim, toda uma carga negativa alimentada pelos meus pensamentos, minha consciência e afetando a minha autoestima, virei minha própria sabotadora. Uma enorme desmotivação se instalou na minha cabeça, afinal como o meu novo lema era “Eu não tenho mais todo o tempo do mundo”. Minha razão passou a não dar mais conta de tanta insegurança, pensei que fosse o caso de agora ser melhor eu aceitar e me convencer de que não dá mais pra nada, meu tempo passou.

Fiquei assim por um período…num limbo de insatisfação e inércia.

Não sabia pra onde correr, o que fazer, não achava uma tábua de salvação no meio do caminho que pudesse iluminar as minhas ideias tão radicais. Eu até parei de escrever e de blogar, afinal seria “muita ousadia” da minha parte achar que eu me encaixava ainda nessa realidade juvenil. Estabeleci uma crença baseada nas minhas últimas vivências e me dei conta que estava totalmente out.

Pra piorar essa fase e toda essa situação, passei a questionar a nossa sociedade, essa que privilegia a beleza física, a juventude, o lado material e o status, eu passei a achar que talvez não estivesse mais inserida nela. Podem dizer por aí que essa frase clichê de que os 40 são os novos 30 é super alto astral, mas na realidade, em termos práticos, você não vê a mesma inserção de uma mulher de quarenta anos pra cima com a mesma frequência que vê uma mulher mais jovem. Em termos práticos, achar uma blogueira de 40 anos fazendo um evento como garota propaganda de uma marca bacana ou um teste para ser a mais nova colunista de uma revista de moda ou ainda um teste para apresentar um programa de moda, ou uma capa de revista é coisa rara, vamos combinar?! Os padrões de beleza são os mesmos desde sempre: magras, bonitas e…jovens.

E eu?! Não sou mais jovem mas ainda não cheguei na velhice, estou no meio do caminho e ainda tenho meus encantos. Minha energia é a mesma de antes (ok, quase! Rsrs) e acho que passei a me reservar ao direito de fazer o que eu apenas tenho certeza do quero, do que gosto, passei a ser mais seletiva, me sinto mais original e respeito muito mais as minhas vontades. Tudo isso passou a acontecer agora, porque antes, quando a minha imaturidade e insegurança formavam um combo, eu não sabia escolher e dizer não. Eu muitas vezes cedia.

A terapia foi uma das decisões mais acertadas da minha nova idade. Ela me trouxe calma, autoconhecimento e passou a restaurar a minha fé e segurança, que eu havia perdido em mim mesma. Passei a achar a noção de tempo tão subjetiva, comecei a ficar com vontade de blogar novamente, passei a sentir a mesma paixão do começo, mas só que agora de uma maneira mais madura, autêntica, mais pessoal e íntima. Dessa vez, eu queria realmente algo que me deixasse feliz, escrever sempre foi minha maneira de aliviar meu sofrimento, me conhecer, por isso meu retorno precisava ser algo que fosse especial, que fizesse sentido. Foi quando eu tive um daqueles insights criativos, achei o “meu” pulo do gato, ele estava tão perto, ele estava justamente dentro de mim, na graça de ser o que eu sou hoje, uma mulher no seus 40 anos, podendo dividir suas novas aflições, novas descobertas e novas alegrias, com quem estiver disposto a ouvir, e é assim que levo o “novo” Drama Queen Zen.

Transformar as minhas histórias a partir de um olhar mais comportamental, menos impessoal ampliou a minha base de amor e empatia com quem eu sou e com os outros, agora esse é o meu novo lema – aceitação, amor e autoestima. E foi assim, que eu passei a me desconstruir escrevendo os meus novos posts no blog. Descobri que rir de mim mesma faz bem, sim senhora, e me deixa mais real, mais leve. Eu passei a abstrair todas essas dificuldades da idade e desmistificar um monte de coisas, preocupações, bobagens e vários mitos que existem em torno dela. Tenho como grande aliada nessa jornada as minhas viagens pelo mundo. São nessas viagens que eu volto ainda mais fortalecida e transformada, me sinto um ser em constante transformação, afinal, as trocas de experiências entre nós mulheres, muitas vezes tão diferentes em suas culturas e realidades que acabam na mais pura afinidade. Foi isso o que eu sempre buscava e sempre esteve tão perto de mim, aliás dentro de mim. Hoje, eu sei disso tudo, mas o primeiro passo para a minha cura foi aceitar e agradecer por todo aquele sofrimento e angústia, eles fizeram parte dessa caminhada necessária para o meu crescimento e conhecimento pessoal.

Hoje, se tenho meus “bad days” ou sou assombrada pelo medo de novo mando logo um recado interior, aviso à minha mente “Isso não é verdade, não crie mentiras pra você mesma, se livre desse peso agora mesmo, vá viver a sua vida, mulher” e vou ser feliz

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Rosângela
    19.05.2017 às 9:06

    Muito bom o post, eu me sinto assim como você, mais como leitora de blogs, parece que não tenho mais idade para fazer isso, seguir blogueiras e estar na moda. Mais enfio na minha garganta abaixo o pensamento ” não estou nem aí com os outros” e sigo em frente.
    Um beijão.

  • RESPONDER
    deborah
    21.05.2017 às 15:01

    darling, sem querer ser preconceituosa generalizando, maaaaas… você sabia que achar que a mulher com 30 anos de idade é velha é coisa de brasileiro, néam? éam. com 40, então, a brasileira é uma coroa. ridículo. porque lá fora é OUTRA história! como é BOM poder sair um pouco dessa nossa realidade cafona tupiniquim de vez em quando, Deus que me perdoe a sinceridade…

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