1 em Sem categoria no dia 17.05.2017

Eu tenho um filho que vai espernear no meio do shopping

Quando você pensa em birra de criança em público, acho que todo mundo tem mais ou menos a mesma imagem na cabeça: um shopping, provavelmente uma loja de brinquedos, a mãe dizendo que não vai dar o que a criança quer agora enquanto o filho (ou filha) se joga no chão, esperneando, gritando algo parecido com “EU QUEROOOO” e chorando a plenos pulmões, praticamente desafiando a biologia humana.

Acho que toda mãe tem pavor desse episódio, e tenho quase certeza que esse pavor só acontece porque todo mundo já julgou a coitada da mãe com filhos birrentos. Eu já julguei, conheço inúmeras pessoas que já julgaram, tenho certeza que até mesmo quem não julgou ou olhou feio, pensou nem que fosse por um minuto que os pais (ou melhor, a mãe, né. a culpa sempre cai em cima da mãe nessas horas) não deram educação, não deram limites, por isso esse tipo de coisa está acontecendo.

Pois bem, outro dia eu cheguei à conclusão de que provavelmente eu não vá escapar de vivenciar esse filme de terror em algum momento. Arthur está numa fase testadora de limites, então é só eu dizer não que ele vai lá e faz. E bem, ele é teimoso mas eu sou muito mais, então depois de dezenas de vezes tirando-o do lugar que não é para ir, eu peguei na mão dele mas ele tirou com força, começou a bater forte com os pés no chão e gritou alto. Alto demais, berros seguidos de gritos, desesperador. Isso aconteceu dentro de casa, mas foi o suficiente para eu me transportar para o meio do shopping e me botar no lugar da mãe que recebe os olhares tortos.

Ao mesmo tempo lembrei de uma conversa com uma amiga que antes de ter filhos era a primeira a dizer que “filho dela nunca faria uma coisa dessas, imagina que absurdo”. Aí, quando eu estava no Rio em Fevereiro, a gente estava conversando e ela me soltou: “Carla, você não sabe, Alexandre estava fazendo malcriação para mim na natação, eu tirei ele de lá e ele foi até em casa se jogando no chão e gritando, ou seja, por uma quadra e meia eu virei a mãe que não dá limites que eu sempre critiquei, sendo que ele estava fazendo isso tudo justamente porque eu estava dando limites“.

Não é uma loucura?

Eu realmente não queria ter tido que virar mãe para aprender a não julgar esse tipo de situação, acho que por isso mesmo faço questão de escrever esse tipo de post. Claro que vamos cruzar com pais que não dão limites para os filhos, mas pelas minhas conversas e experiências, eles são minoria. Geralmente, quando você olhar uma criança esperneando por aí, é bem provável que ela venha acompanhada de pais que:

1) estão sendo firmes na sua decisão de não deixar a criança fazer o que bem entender
2) estão tentando acalmar o filho na base da conversa (e até fazer efeito são alguns minutos intermináveis de birra)
3) estão tão frustrados quanto e só não esperneiam também porque seria socialmente ridículo.

 

E o que você que está passando por uma cena dessas com pais que realmente estão fazendo o possível para contornar a situação pode fazer? NADA. Mas quando eu falo nada, não estou falando em ficar de braços cruzados olhando e julgando mentalmente. Estou falando em não olhar e se olhar que não seja com aquela cara de indignação, não comentar e se comentar, tente não fazer na frente dos pais (já ajuda bastante) e acima de tudo, tente não julgar.

Sei que é difícil, sei que incomoda e atrapalha, sei que dá vontade de presumir milhões de coisas para justificar a cena, mas a gente realmente não sabe nada da vida dos outros e isso inclui pais com filhos que estão momentaneamente incontroláveis. Não é porque você viu aquele minuto desesperador que significa que a criança é impossível ou que tem algum problema na educação dela.

Na verdade a birra tem explicação científica e na maioria dos casos nada tem a ver com limites ou malcriação, ela é apenas uma desorganização neurológica temporária. O cérebro ainda está se ajustando e isso inclui aprender a entender as próprias emoções. Não que isso seja uma justificativa para os pais não agirem, mas serve como um entendimento para quem está de fora preferindo julgar a tentar entender a situação.

 

Sei que posso soar repetitiva, mas cada dia que passa tenho mais certeza que empatia é a palavrinha mágica que resolve muita coisa. Tentar se botar no lugar do outro por um segundo provavelmente ajudaria a tornar essa cena, que já é constrangedora sem ninguém olhando, um pouco mais leve. Não acham?

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1 Comentário

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    luana
    18.05.2017 às 16:48

    hahaha!
    Carla se prepare!
    Aconteceu comigo !
    Exatamente a cena do shopping que vc descreveu.
    Eu fiquei super frustada com os olhares.
    Muitos deles de outros pais.
    O famoso terrible 2 aconteceu comigo.
    Aprendi que devo esquecer que tem pessoas me olhando/julgando e fazer o meu papel de mae.
    beijos.

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