0 em Relacionamento no dia 18.04.2017

O que uma garota como você faz aqui?

Essa frase – com algumas poucas variantes – costuma surgir no meu celular desde que eu comecei a saga de encontros provenientes de aplicativos. Como já contei pra vocês aqui, em 2015 eu me aventurei nessa história de deixar a internet dar um empurrãozinho na possibilidade de conhecer novas pessoas. De conversar, sair, ter bons encontros e, quem, sabe até mesmo fazer amigos através de um app, que inicialmente se propõe a ser um catálogo humano, mas ainda assim faz parte da maneira contemporânea de conhecer pessoas.

De lá para cá eu sai com poucas pessoas que conheci analogicamente, o que é bastante curioso inclusive. Quase todos os encontros analógicos foram bem bacanas, mas não posso tirar o mérito de alguns momentos memoráveis, incríveis ou simplesmente muito especiais terem acontecido proveniente de um “match” em um aplicativo.

Já vivi aquela euforia inicial de sair com um cara gato que conversei pouco, já vivi aquela fase que só saia com o cara depois que eu sabia toda sua história e hoje eu acredito que estou no meio do caminho, analisando cada situação separadamente. É curioso como o like é bacana, a foto é boa pra vermos se a pessoa nos atrai inicialmente, mas se a conversa não for boa simplesmente eu não consigo me pegar ansiosa, ter tesão ou mesmo me envolver com aquela pessoa. Eu sou movida a interessância, se eu não ficar interessada pelo todo, não importará quão linda é a capa do livro.

A grande questão é: em 2017 eu estou achando as pessoas bem menos interessantes do que em 2015. Existe um conjunto de fatores que me traz a isso. Já passou a euforia de ter milhões de dates e conhecer dezenas de pessoas diferentes em um ano. Eu colecionei minhas alegrias, frustrações e novas referências, é inevitável que elas entrem na minha bagagem.

Hoje estou com mais dificuldade de encontrar pessoas que me interessem em todos os sentidos da palavra interessar. Sempre tem uma questão e com o passar dos meses está ficando claro que o problema não está nos outros, está em mim e eu ainda não identifiquei o porquê de eu estar tão implicante, mas quando eu acho que eu posso estar sendo muito exigente vem um comentário ou outro que me lembra que não, certas coisas não vão combinar comigo.

Como por exemplo, uma perguntinha que me incomoda muito e eu já li muitas vezes: você parece tão legal, o que “uma garota como você” faz por aqui? 

Se eu não fosse inteligente, próspera ou aparentemente bem resolvida seria mais fácil de entender os motivos de eu estar num aplicativo? Só meninas que não têm boa conversa estão em apps? O que significa essa pergunta?

Poxa, eu lido com caras interessantes numa proporção menor do que com caras desinteressantes pro meu gosto pessoal, nem por isso estou ali rotulando que tipo de homem o cara é. Se o cara é um galinha assumido? Ótimo, não vou diminuir ele por ser franco. Se o cara procura o amor da vida dele? Okay, bacana que ele sabe o que quer. Se ele quer uma noite de sexo? Legal que ele está falando a verdade de forma objetiva e não fazendo um joguinho! Se ele está num relacionamento – sério – aberto? Que bom que ele me contou e eu pude explicar que não me interessa sair com ele.

Eu sou inteligente, interessante e bem legal, não vou entrar no mérito de beleza porque acredito que isso varia do gosto de cada um. Eu acredito que eu sou uma pessoa bem singular e me conhecer pode ser realmente bacana, mas por que eu não estaria num aplicativo?

É feio eu gostar de conhecer novos caras? É questionável eu gostar de fazer sexo? É um problema eu adorar ter vários crushes enquanto solteira?

Que mal há em ser eu mesma e gostar de tudo isso? Por que em 2017 ainda estamos falando de “garotas de famílias” e “periguetes”? A Joana de uns anos atrás ficaria chocada, mas entre não poder fazer o que eu quero e fazer o que eu quiser, eu preferiria levar o rótulo de uma mulher que vive muito do que de uma que não viveu.

Claro que aqui não estou defendendo que sejamos pessoas interesseiras, não sejamos humanos que querem dar golpes nas pessoas ou se interessem primeiro por conta bancárias. Independente do gênero das pessoas envolvidas.

Eu só acho que gostar de conhecer pessoas novas não me deprecia em nada como mulher. Eu nunca trai um namorado, sempre fui fiel à minha verdade e busquei ao máximo me dedicar as relações nas quais eu mergulhei de cabeça. Sempre me entreguei de corpo, alma e coração, mas se eu quiser dormir com um cara no primeiro encontro eu vou, se eu quiser sair com diferentes pessoas de um aplicativo eu vou e se isso me fizer perder o rótulo de “uma garota como você”, tudo bem.

Um cara inteligente devia estar preocupado no santo bater, em conversar com alguém que dá liga com ele e não em achar que aquela menina é “de família” ou não. Todos, de todos os gêneros, precisamos parar de depreciar as pessoas com rótulos.

Não viva num mundo ilusório de que uma garota que você considera “boazinha” nunca não dormiu com um cara de primeira, ou que uma “santinha” será sempre fiel, porque não é assim que as coisas funcionam na prática. Toda mulher é apenas uma mulher, única e singular, que pode ser interessante pra você e desinteressante pra outro. Então não vamos criar esteriótipos de que garotas bacanas não estão em aplicativos, porque toda garota pode ou não ser bacana.

Ah, mas Jô isso foi um elogio!

Não gente, passou o tempo que um cara elogiar meu jeitinho diminuindo outro “tipo” de mulher vai ser bacana pra mim.

Se o cara já está separando a mulher por tipos possivelmente eu já não vou gostar dos desdobramentos disso. Prefiro analisar caso a caso quais conversas, fotos e perfis me interessam, sem julgar o o filme por ser romance, sexo explícito ou comédia pelas palavras usadas no cartaz.

Uma garota como eu pode ser exatamente como uma garota como ela. 

Assim sendo, não façamos tipo, sejamos quem somos e deixemos as pessoas gostarem disso ou não. Não sejamos um rótulo.

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