6 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 05.04.2017

E quando a pessoa não gosta de você sem motivo?

Outro dia surgiu um questionamento curioso no nosso coletivo de mulheres do “papo sobre autoestima”, uma boa pergunta vindo de uma leitora bem participativa: Como vocês lidam quando são obrigadas a conviver com pessoas que simplesmente não gostam de você sem motivo?

Ela contou da experiência que estava tendo ao não ter alternativa de não conviver com uma pessoa da família que ela gostava, tratava bem, mas descobriu que gratuitamente essa pessoa vivia falando mal dela, a colocando como alvo de críticas, fofocas e comentários maldosos pelas costas. Aí eu comentei, outras meninas comentaram, uma sugestão de post surgiu e eu achei que valia a pena falar sobre!

Queria ler o relato da leitora e dizer que isso não acontece mais, que é raro, queria dizer que isso é coisa de colégio, mas infelizmente seria uma mentira. Podemos ser a pessoa mais legal do mundo, tratar todo mundo bem, sermos educadas e mesmo assim podemos cruzar com pessoas que não gostam de nós. Todo mundo tem o direito de não gostar de alguém, de permitir que o santo não bata, de querer evitar certas pessoas ou nem dar muito papo, mas por que gastar energia falando, seguindo e pensando em alguém que você sabe que não gosta de você?  Falo por mim, afinal, todas as vezes que me concentrei naquilo que não gostava (ou que não gostava de mim), minha vida estagnou. Hoje eu faço muito mais força pra só me conectar com o que me faz bem, com aquilo que me inspira coisas boas

ilustração: @foundbykate

No entanto vejo importância em falarmos sobre isso, não para focarmos em criticar quem é desse jeito, e sim para lembrarmos de não sermos essa pessoa. Sabe aquela hora que você baixa a sua guarda e se conecta com coisas que não tem tanto seu perfil? Acontece comigo, com você e com todo mundo. Nessa hora precisamos fazer o exercício racional de não nos deixar levar pelos velhos hábitos, pela mania de criticar, de falar mal ou mesmo de questionar aquilo que nos incomoda no outro – porque tudo que nos incomoda do outro tem algo da gente ali. 

Se aos 15 anos isso é comum, aos 20 deveria ser menos e aos 30 não deveria nem ser. Fofocas, jogos de inveja, críticas exageradas e indiretas são mecanismos que saem da escola e retornam no trabalho, podem pairar famílias por uma vida inteira. Em alguns casos uma conversa vai esclarecer tudo – tão melhor quando é assim – em outros a falta de consciência de uma das partes é tão grande que não haverá palavras que farão aquele questionamento fazer sentido. Para ter alguns tipos de diálogo é preciso que ambas as partes tenham a capacidade de desconstrução e alguma busca interna por autoconhecimento.

Eu compartilhei com essa querida leitora algumas das fichas que caíram pra mim nos últimos três anos de terapia, de busca interna e de conexão comigo mesma. Refletindo me dei conta de que não posso fazer nada por aquela pessoa que quer meu mal, mesmo que eu não veja razão para tal e aquilo soe muito injusto, o que posso mudar é a forma como eu vou lidar com aquilo. O direito do outro termina quando o meu começa e eu tenho todo o direito de não me conectar com aquela informação, com aquela energia e não alimentar em nenhum grau esse tipo de acontecimento. Eu posso escolher não reagir e isso não faz de mim um ser humano fraco, faz de mim alguém que usa sua inteligência emocional, que confia que esse tipo de atitude diz mais sobre o outro do que sobre mim. 

Eu escolho não saber muita coisa pra não contaminar minha vibração. Hoje em dia não sou dada a prints de fofocas e a “disse me disse” – só printo conversa com candidatos à boy onde preciso da ajuda da amiga pra interpretar. heheh Brincadeiras à parte, faço um esforço interno para não ficar curiosa, para não falar muito sobre aquilo que não gosto e para não me importar com o julgamento externo de gente que perdeu o crédito comigo. É fácil todo dia? Não, mas como em tudo na vida: é uma questão de hábito. Uma vez que você cria novos hábitos, tudo passa a fluir naturalmente nessa nova configuração. 

Quanto menos eu sei das coisas ruins que falam de mim, melhor eu lido e menos aquilo me contamina. Claro que isso não é desculpa pra eu ser boba, acho importante eu saber onde eu estou pisando, mas nada muito além disso. Com o tempo aquela pessoa ou situação se torna irrelevante pra minha vida em todos os aspectos. E espero que eu vá me tornando irrelevante para ela também. 

Mas e quando o encontro é inevitável, como no caso da leitora, que se trata de uma pessoa da família? Terão situações impossíveis de não encontrar, e continuo apostando todas as minhas fichas em manter a educação que minha mãe me deu e ser educada, cortês, mas distante. No meu caso monto uma proteção energético – espiritual e tento ir sem medo. E acho que tudo fica mais simples quando você começa a entender que o padrão de comportamento do outro é diferente do seu. 

Não existe unanimidade, já falei disso aqui. Aquela sensação de que você pode impedir o outro de falar de você é falsa, é uma falsa sensação de controle. O outro, você tirando ou não satisfações, vai ouvir o que quiser e vai falar o que quiser. Você só é responsável pelas suas próprias atitudes, muitas vezes quando você muda a maneira que se comporta você cria um novo limite que de uma forma ou de outra intimida o outro. Então mais do que tirar satisfações eu acredito em uma nova forma de lidar.

A verdade é que é uma arrogância – quase que coletiva – enorme acreditar que todo mundo precisa gostar da gente genuinamente, isso é tão ilusão quanto a tal falsa sensação de controle. Gostos são diferentes mesmo, mas respeitar o outro ainda é importante, mesmo que isso signifique saber que você não é unânime.

Muitas vezes incomodamos mais quando estamos resolvendo algo nosso que também existe na outra pessoa, mais fácil do que se questionar e mudar é falar do outro. Ainda mais se a pessoa está lidando com algo que o outro não consegue acessar ainda, quanto mais a gente resolve aquela questão, mais o incomodado se angustia, afinal aquilo incomoda a pessoa num lugar tão inconsciente que a reação quase instintiva vai ser depreciar esse esforço. Parece que quando o ser humano não consegue se conectar com suas próprias questões ele projeta aquilo no outro e em alguns momentos isso gera críticas que podem ser levianas (ou não). Esses espelhamentos sombrios podem ser um ótimo gatilho pra se usar na terapia, pra se conhecer.

A meu ver o autoconhecimento é a chave para ter estima por si mesmo, é a chave para enxergar aquilo que incomoda no outro mas na verdade é uma projeção da gente mesmo. Eu me comparei muito, tive muita inveja e me conectei muito na tomada errada antes de chegar até aqui e ver as coisas como vejo hoje. Os últimos anos foram sobre sair dos jardins alheios e entrar no meu, focando só em mim.

Perceber e se conectar com o próprio processo alimenta que nos conectemos com nossa essência, nossa verdade e nossas questões. Nessa hora, seguros de quem somos, conseguimos aceitar melhor o fato de ter que conviver e cruzar com pessoas que não gostem da gente. Passamos a dar um limite sadio para aquela relação e assim não nos conectamos e nos misturamos com aquilo que não admiramos.

Ps:  se você gostou desse meu texto, acredito que você poderá gostar também desse outro que fala de sucesso x fracasso e a comparação

Gostou? Você pode gostar também desses!

6 Comentários

  • RESPONDER
    Roberta
    05.04.2017 às 20:11

    Amei o texto, Jô!

  • RESPONDER
    Vanessa @Vaabarros
    06.04.2017 às 15:36

    Nossa, Jô! UAU! Que texto mais lindo, verdadeiro e sincero! O blog vem trazendo tantas reflexões cotidianas e ao mesmo tempo importantes, até porque, o nosso dia-a-dia é que nos constrói e nos faz crescer, principalmente com as dúvidas tão comuns para tantas pessoas. Maravilhosa essa leitura!
    E o que mais me marcou: “…sair dos jardins alheios e entrar no meu…” Dica pra vida! Amei!
    Bjoo

    • RESPONDER
      Joana
      06.04.2017 às 15:54

      Nossa, que comentário fofo!
      Obrigada!

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    Caroline Couto
    10.04.2017 às 15:38

    Mto bom texto, me identifiquei, tbm vivo uma situação parecida mas na família do namorado o q é pior. Demorou pra eu aprender q não precisava ficar ouvindo indiretas ( q só aconteciam quando ninguém tava perto pra ouvir e me fizeram parecer a loka) e que me afastar era o melhor pra MIM e q as outras pessoas e o q elas pensavam não me importava. Menos ainda as fofocas pq se uma pessoa tira conclusões de mim através de outra, sua opiniao não vale a pena entende. Dizer q fico confortável com isso é mentira pq onde ela esta eu não vou, e isso me priva os movimentos, mas foi melhor assim. É bom saber q isso não é só com a gente né dá um certo conforto kkkk. Bju

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    Iury
    18.09.2017 às 18:27

    Leitura ótima! Apesar de saber que não sou o único, as vezes parece que sou. Também enfrento essa situação em relacionamento familiar, me mantenho afastado e sempre com respeito. Nunca houve troca de farpas e baixaria(inclusive, por minha parte nunca acontecerá, não faz muito meu tipo) mas sempre tem aquelas reuniões de família, churrasco, essas coisas.. E a bendita pessoa tá sempre lá disposta a te tratar com desprezo por você ser quem você é.

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