4 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 16.02.2017

Um desabafo sobre dar conta de tudo!

Eu sei que muitas de vocês me conhecem bem e conhecem há anos, outras podem ter caído de paraquedas nesse texto. Sei que muita gente me acha corajosa de expor minhas fraquezas, vulnerabilidades e inseguranças aqui. Leio isso com frequência e não nego que me faz bem, me sinto mais forte por isso. O que muita gente não sabe é que eu enfrento vários dragões na busca pelo autoconhecimento. Eu vim me tornando uma mulher mais segura, confiante de mim e do meu corpo, por isso expor certas coisas não são tão difíceis pra mim, no entanto, hoje vou falar num assunto no qual eu me considero frágil, um tema que descobri recentemente que é bem delicado pra mim: a pressão de ser uma super mulher que dá conta de tudo.

Xô, stress! <3

Muitas mulheres sofrem com isso, algumas na carreira, outras em conciliar cuidados pessoais, filhos e trabalho, mas fato é que pra muitas de nós essa auto pressão pra dar conta de tudo é muito mais complicada do que parece. Nunca imaginei que fosse meu caso até acompanhar o decorrer desses 28 dias que se passaram e culminaram numa crise de choro sem precedentes.
Para quem não sabe, há um mês batemos o martelo de fazer uma festa – grande – pro futi. Logo a gente que sempre teve preguiça de fazer algo, logo com a Carla morando longe, cuidando do Arthur e não podendo me ajudar em várias coisas e logo eu, que nunca organizei uma festa de aniversário porque achava que era caro e dava trabalho. E há um mês eu tenho me empurrado para além do meu limite em vários momentos.
Era um desafio novo e eu abracei, não me arrependo da decisão fora da zona de conforto, mas me arrependo da cobrança de que eu tinha que dar conta de tudo, sozinha. Firme, forte, madura e adulta, sem reclamar. Passei a encarar com naturalidade ter espasmos nos olhos diariamente, mas agora que eu acalmei percebo que tanto estresse não deveria ser encarado como algo normal.
Eu só me dei conta de tudo que estava acontecendo hoje, quando meus pais chegaram de viagem e eu finalmente relaxei. Bastou o primeiro espasmo nos olhos pra eu correr no quarto da minha mãe, dar um abraço enorme nela e chorar, de soluçar, muito, mas muito mesmo. É como se eu tivesse muito engasgada com aquilo tudo, tendo que ser forte, firme, dar conta de todos os outros trabalhos de sempre ao mesmo tempo que tive que prospectar e capitalizar para pagar a conta e cuidar do evento. Eu não pirei completamente porque a Carla e Livia chegaram junto o tempo todo, mas dentro de mim tudo era uma grande responsabilidade.
Quase senti um fracasso de mostrar pra minha mãe minha vulnerabilidade, mas depois pensei que não era por aí. Eu estava sendo muito, mas muito exigente e rígida comigo mesma em exigir mais do que o meu próprio limite e no fim do dia tudo que eu queria mesmo era um abraço apertado e aquela costumeira frase: vai dar tudo certo.
 
Eu não tinha ideia do quanto estava pesado até eu abraçar a minha mãe e eu sentir que eu podia relaxar. Claro que eu sabia que eu estava irritadiça por estar cansada e focada, sabia que estava puxado porque os espasmos não me deixavam desavisada. Tenho a consciência que preciso me preparar para lidar melhor com a pressão, mas preciso aceitar que não dou conta de tudo.  
 
Minha persona profissional queria ser a FANTÁSTICA MULHER QUE RESOLVE TUDO SOZINHA mas eu não consigo e por isso minha autoestima profissional ficou abalada. Eu não queria estar tão frágil ou tão pressionada. Eu não tenho medo de me expor, de falar de mim, de abrir meu coração nos textos aqui, no insta ou no grupo, mas me sinto pressionada a ter um perfeito fluxo de caixa, um trabalho bem feito, evento perfeito e ainda assim levar a vida normalmente. Quem daria conta? Eu não sei, mas eu não lidei tão facilmente. 
 
Minhas preocupações foram diversas, desde se daria tudo certo, se as convidadas gostariam, se os parceiros ficariam felizes ou até mesmo se a conta ia fechar. Aliás, me preocupei muito na conta fechar, mais do que eu precisava, afinal, o pior cenário era a gente bancar tudo e a empresa tinha lastro pra isso. Graças ao senhor abençoador de patrocinadores isso não aconteceu, mas precisava ficar tão nervosa se o pior cenário já era um cenário seguro? Acredito que não. Eu mesma fui sendo minha pior inimiga e estressando meu sistema nervoso sem necessidade, racionalmente falando. Emocionalmente eu não tinha a menor gerência sobre isso.
Sei que essa causa toda de um verão sem padrões, de quebrar paradigmas e ajudar a elevar a autoestima das mulheres é muito importante pra mim e por isso, pela causa, eu me tornei um foguete. Dei o meu melhor todos os dias ininterruptamente, mas nisso eu fui muito dura comigo mesma, não aplicando a tal amorosidade e o acolhimento que eu mesma defendo aqui. Curioso não?

Quando eu vi, havia se tornado importante ultrapassar nossos próprios desafios e me orgulho pra CACETE disso. Se o mundo acabasse hoje eu saberia que estou ORGULHOSA de todas as ideias que tive, de todas as sementes que plantei, de todas as reuniões, sims e nãos que eu levei, mas só acho que eu podia ter encarado as coisas de uma maneira mais suave. 

 Não tenho medo de novos desafios, mas quero lidar com eles sem essa pressão de ser a super mulher e dar conta de tudo. 

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Gabriela
    16.02.2017 às 12:54

    Concordo! Maturidade é reconhecer nossos próprios limites. http://www.alemdolookdodia.com

    • RESPONDER
      Joana
      17.02.2017 às 9:28

      É realmente um dos traços de amadurecer.
      Não ir além do que parece um limite muito estressante.

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    Renata
    16.02.2017 às 16:13

    Jo, como eu gosto dos seus textos! Não sou muito de comentar, foram poucas as vezes. Mas me identifiquei tanto com esse que não consegui evitar! Hahah. Sei exatamente como vc se sente. Sempre escuto dos outros que tenho que me cobrar menos, que sou muito perfeccionista e que a gente pode e deve deixar as coisas correrem um pouco mais soltas. Mas quem disse que isso é fácil? Parece que já é uma coisa nossa, tá dentro da gente e é difícil agir de outra forma. Chega até a ser irritante! Haha. Mas acho que essa é uma das vantagens da maturidade e do auto-conhecimento que vem com ela. É importante sabermos respeitar nossos limites e entender até onde eles vão. É importante sabermos pelo que e por quem vale a pena nos sacrificarmos. E é importante sabermos que as vezes nem tudo vai dar certo, nem tudo vai ser perfeito… E tudo bem! Faz parte! Faz parte da vida… Somos humanos… E a gente falha. E como! Bjs

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      Joana
      17.02.2017 às 9:27

      Com certeza, to muito com algumas coisas na minha cabeça: a gente falha (somos humanos), a gente precisa procurar o equilibrio e não existe vantagem em se pressionar além do limite, mas se isso acontecer é preciso fazer algo que te acalme. No meu caso respirar, meditar ou silenciar a mente.

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