7 em Autoestima/ Relacionamento no dia 13.01.2017

Relacionamento, futebol, amor e um papo sobre vitórias!

Pra mim, namorar, noivar e casar não são uma vitória. Para algumas pessoas pode até ser um sonho, mas não são equivalentes a subir no pódio para ganhar medalha de ouro por merecimento. Estar num relacionamento não quer dizer que você venceu.

Não vou nem tocar no ponto de que fins sempre são uma possibilidade. Alguns dizem que devemos estar sempre preparadas para eles, eu discordo. Acho que ninguém deveria colocar um time em campo pensando em perder. Se é pra jogar, é pra tentar ganhar, ser feliz durante a partida e dar o melhor de si da rodada. Se acontecer de perder dando seu melhor, tudo bem, acontece. Lidar com “derrotas” e fracassos é parte de viver e aprender durante a experiência. A meu ver o que importa é saber que você jogou com todo seu coração, deu a partida a real chances de ganhar ou perder.

Amar não é sobre vencer, é sobre sentir. 

Encontrar uma pessoa que se encaixa perfeitamente – mesmo que de forma imperfeita – em você não significa solucionar seus problemas. Aliás, pode até ser que novos problemas comecem ali afinal, duas pessoas juntas têm mais problemas do que uma sozinha, mas tá tudo bem. Se o amor for leve, for gostoso, não vai ter adversidade (ou adversário) que não valha a pena. 

Esses dias eu estava falando sobre sexo com a maior naturalidade do mundo e me perguntaram: Joana, mas você não quer casar? 

Fingi que não li porque não queria responder essa pergunta de forma leviana, mas minha resposta pra isso seria mais ou menos a mesma de quando me perguntam se penso em ter filhos.

Acredito que o comodismo vai perdendo a força no mundo em que vivo. Não vou estar numa relação a dois para atender a um desejo social. Casar e ter filhos é o sonho do coletivo, o meu pessoal eu quero descobrir qual é, me dar o benefício da dúvida. O autoconhecimento e o desprendimento das expectativas dos outros me levam a crer que meu sonho é ser feliz, no status em que eu estiver.

Acho que eu só casaria ou teria filhos ao lado de alguém que estivesse “all in”. Vestindo a camisa de sonhar a dois, onde todo o esforço de levar o relacionamento ou cuidar de um filho fosse compartilhado, ainda que os percentuais de esforços fossem variando de acordo com a fase. O casamento e/ou uma criança demanda uma ENTREGA que eu só faria com outra pessoa DISPOSTA, pelos motivos certos, por amor. Jamais para atender o que esperam de mim.

Eu ter saído de um longo relacionamento aos 28 anos deu a minha família a quebra de expectativa necessária para eles verem que minha vida não será como nos livros, novelas e histórias antigas. Ela se dará conforme eu SENTIR que ela deve ser.

Aos 30 posso afirmar com todas as letras que ter filhos, casar, noivar, namorar e ter um cara não significam sucesso pra mim, não significam vitória. Assim sendo, não ter tudo isso também não significa fracasso na minha vida. Infelizmente vejo muita gente – mulheres e homens – se casando, namorando e tendo filhos com a primeira pessoa disposta a atender as expectativas, aí fica difícil levar para o resto da vida. A sensação que tenho é que aquele casal escolheu aquela vida e não se escolheu. 

Pra mim vale a máxima: quase tudo vale pelas razões certas. No meu romantismo exagerado, o amor verdadeiro sempre pode ser uma resposta certa, ou ao menos um início certo, daqueles que justificam a tentativa de jogar.

Na dúvida de entrar ou não em campo pelos motivos errados, questionei uma amiga. Qual é o pior cenário em ser solteira na vida adulta? Eu ser uma mulher de negócios, que tem um trabalho que ama, gastar todo meu dinheiro só comigo, viajar por ai sem me preocupar com ninguém e sair com caras diferentes? Não faltando boa companhia de nenhum tipo, encaixando sexo na conta, não me parece um cenário tão ruim assim. Pode até ser mais solitário, mas ruim não. Pelo menos não pra mim.

Não vou mentir que no tamanho romantismo que habita no meu peito eu adoraria viver mais uma grande história de amor. No entanto só me casaria para colocar meus melhores jogadores em campo. Para a chance de uma boa partida eu precisaria de um amor verdadeiro, que somasse muito, me colocasse pra cima e me fizesse feliz, hoje não enfrentaria o risco de machucar meus jogadores por menos do que isso. Eu daria meu melhor em campo, esperaria o melhor do adversário, que nesse caso teria que jogar junto e não contra.

Cada mulher e cada cara tem o direito de ver para si mesmo o que deseja e sonha, a meu ver o que deveria ser contra a regra do jogo é enrolarmos alguém que já vimos que não vai dar certo por medo de ficar sozinho. Isso é colocar um time perdedor em campo e deixar que um outro alguém aposte tudo que tem numa partida que já começou perdida. Posso chamar isso de carência ou até mesmo de covardia. Seja como for o jogo, acredito que ele precisa ser limpo, sem trapaças, sem sujeira. A franqueza pode ser a alma do negócio e nesse caso os próprios jogadores precisam ser os juízes.

Vencer nesse caso é dar uma chance para a felicidade. Ser feliz não está necessariamente relacionado a amar o outro, a estar com alguém ou ter uma família. Ser feliz pode ser estar bem com a gente mesma para assim poder escolher em que tipo de partida vale a pena entrar.

Eu não sei o dia de amanhã, mas tenho certeza que seja lá qual for a minha equipe, vou torcer de coração para que ela seja muito realizada. Sozinha ou acompanha, com filhos ou cachorro. E o mais legal de buscar a realização é que não tem um único padrão, cada um pode buscar realização num esporte diferente.

Beijos

 

Gostou? Você pode gostar também desses!

7 Comentários

  • RESPONDER
    mariana
    13.01.2017 às 19:14

    Oi, Jo, que texto legal, eu sou super diferente de vc, mas me identifiquei nesse quesito de felicidade, penso exatamente assim, se for para casar e etc que seja por um ideal de felicidade e nao por imposicao de mae, sociedade, amigos…felicidade nao se resume em alguem do seu lado mas sim na sua plenitude como pessoa.
    gostei!
    bj

  • RESPONDER
    Marina
    15.01.2017 às 9:41

    Jô, muito bacana esse seu texto! Apesar de pensar muito parecido, ainda não tenho esse desprendimento…
    mas estou em busca disso e sei que isso me ajudará a ser mais feliz!

  • RESPONDER
    Amanda Saviano
    15.01.2017 às 17:50

    Jô, adoro seus textos! Esse deveria ser lido por vári@s amig@s meus, afinal, apesar de ser mais jovem que você, já percebo esse desespero em relacionamento e essa associação à vitória… fico triste. Enfim, continue com os textos! Beijos http://www.amandaqui.com

  • RESPONDER
    Vanessa
    15.01.2017 às 21:36

    Adorei o texto… Penso exatamente como você e confesso que dei um “suspiro aliviado” porque, às vezes, é difícil “ir contra a maré”… Olha que coincidência…. Aos 28 anos terminei um relacionamento de 08. Hoje tenho 35. Nunca coloquei casamento e filhos como metas em minha vida e, muito menos, acreditei ou acredito que sejam “o caminho para a felicidade”. Posso afirmar que, no geral, as pessoas se incomodam muito e até duvidam… Como se eu apenas quisesse justificar meu “insucesso”, sabe? … Se um dia eu encontrar alguém com quem valha a pena sonhar junto, entro de cabeça mas, enquanto isso, prefiro não viver qualquer coisa apenas para atender expectativas da “sociedade”, expectativas que não são minhas… (P.S.: Conheço e visito o blog há anos… Mas depois da mudança de foco ficou INFINITAMENTE melhor… Parabéns!)

    • RESPONDER
      Ilka
      16.01.2017 às 16:10

      Eu estava prestes a escrever isso, Vanessa, rs. Aos 35 anos terminei um casamento de 14 anos, onde não tive filhos por opção minha. Hoje, aos 39, casar não está necessariamente nos meus planos, estou infinitamente mais feliz e realizada, mas percebo que muitas pessoas acreditam que estou tentando justificar o “insucesso” fingindo ser feliz.
      Vejo mulheres presas a namoros porque acham que “já está na época de casar”, outras presas a casamentos infelizes por medo da solidão ou de não encontrar mais ninguém, amigas que confessam não ter coragem de largar um relacionamento fracassado, e me pergunto porque essa ideia de “vida perfeita”, está tão arraigada em nós em pleno século XXI.

  • RESPONDER
    Heloise
    16.01.2017 às 13:26

    Jô, vivi exatamente isso, fim de um relacionamento longo com a quebra da expectativa da família de um casamento próximo. E não foi só da família, para mim o caminho percorrido até aqui, também serviu para que eu pudesse quebrar essa expectativa e descobrir novas, um desejo de um futuro em que eu mesma me completasse.

  • RESPONDER
    Vanessa
    23.05.2017 às 21:29

    Show.

  • Deixe uma resposta