2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Reflexões no dia 11.01.2017

Não, falar de autoestima não é estimular a preguiça

Passeando por pelas fotos da #paposobreautoestima, um dia me peguei no meio de um papo onde alguém insinuava que esse movimento só estava incentivando as pessoas preguiçosas a continuarem gordas.

Logo depois, eu entrei em uma pequena discussão familiar porque meus pais acharam que eu engordei e eu disse que não havia notado porque todas as minhas roupas ainda cabiam em mim apesar de eu estar desde junho sem subir na balança. “Ah, mas agora com isso de autoestima você não vai notar mesmo”.

Não vou dizer que estou 100% satisfeita comigo agora, seria bem hipócrita. Eu ainda estou me adaptando à necessidade de ter que fazer minha comida, o que tem me levado a consumir muita comida pronta (não congelada, feita no dia e comprada no mercado, mas tudo banhado no óleo e sabe-se lá mais o quê) e eu não estou satisfeita com isso, não porque estou engordando e sim porque chega numa hora que meu corpo não aguenta mais esse tipo de alimento. Queria muito ter paciência para fazer comidas saudáveis em todas as refeições, mas eu passo o dia sozinha cuidando de tudo da casa, do Arthur e do trabalho, francamente, cozinhar é a última coisa que me dá vontade de fazer. E arrumar tudo depois é a penúltima. Eu estou aprendendo a adquirir essa paciência e aos poucos to reunindo receitas fáceis e nutritivas no meu repertório (não fica lá essas coisas, mas tudo tem ficado comível pelo menos rsrs).

Outra questão que tem pegado aqui é a rotina de academia. No Brasil meu dia a dia era muito diferente. Por anos eu não tive filho, meu marido trabalhava até tarde da noite, tinha diarista algumas vezes na semana para cuidar das questões da casa ou seja, meu foco era só trabalho e academia mesmo, então, eu sempre ia de 4 a 5 vezes por semana. Aqui eu não consigo repetir esse feito, apesar da academia ser no meu prédio. As vezes passo o dia na correria, Arthur dá mais trabalho do que eu gostaria, Bernardo chega mais tarde e quando eu vejo já to cansada e só quero dormir. E eu odeio acordar super cedo para isso, então de manhã nem é uma opção para mim. Hoje, se eu vou 3 vezes na semana eu tenho que me dar por satisfeita, 4 é uma vitória. E tá tudo bem. 

Queria mudar esses detalhes? Queria, e to fazendo o possível para adequar o que me deixa satisfeita com a minha realidade. Posso ter engordado? Hm…talvez. O que posso dar certeza é que meu corpo definitivamente não é o mesmo de quando eu saí do Brasil, afinal, muita coisa mudou e é óbvio que iria refletir. E falar sobre autoestima, ouvir os relatos de tanta gente bacana e trocar ideias tem sido a minha maior válvula de escape nesse momento de indefinição e fragilidade.

É muito provável que, se eu não tivesse sendo incentivada a respeitar meu tempo e minhas possibilidades, eu ainda estaria na neurose, me cobrando loucamente, querendo atingir metas impossíveis perante à minha realidade. E aí eu me frustraria e seria mais um abacaxi para eu descascar por aqui, como se já não bastasse a minha dificuldade em aceitar a vida de mãe full time/dona de casa, que ainda está aprendendo a equilibrar isso tudo com o trabalho, então ao invés de ficar me lamentando, vou usar essa inspiração toda pra ficar na parte boa.

Por isso, cada vez que eu vejo alguém usar o argumento de que falar sobre autoestima é incentivar a preguiça, a comilança e a acomodação me dá vontade de gritar!! Não, não e não! Quem fala uma coisa dessa não tem ideia da quantidade de emails e mensagens que recebemos de meninas lindas (e para quem não acredita, muitas que são magras!) que não querem aproveitar um dia de praia porque não gostam de se ver de biquini. Não tem noção da quantidade de mulheres que estão descobrindo que a pior inimiga delas mesmo as olham no espelho. E infelizmente, não deve saber a sensação maravilhosa que é se olhar e se aceitar, independente dos detalhes que você queira melhorar.

 
Não, o #paposobreautoestima não é uma egotrip de mulheres gordinhas. Ele é um movimento que se revela ajundando as mais variadas mulheres, com os mais diferentes corpos, a pararem de procurar defeitos em si mesmas, a curtir a vida como estão hoje, ainda que pretendam mudar no futuro e queiram ser diferentes. 
 
Será que é tão difícil entender isso?
Beijos!

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Carolina
    11.01.2017 às 14:54

    Nossa, sério isso?
    As pessoas pensam que autoestima só tem haver com quem está acima do peso??
    Esse tipo de pensamento é ultrapassado.
    Autoestima é como nos encaramos a nós mesmos e como nos posicionamos em frente aos outros.
    Que continuem com isso, com esse movimento, deixem os que são cheios de carga negativa pra lá!
    bjs

  • RESPONDER
    Monique
    11.01.2017 às 14:59

    Vocês são muito maravilhosas, é só isso que tenho a dizer! Parabéns pela coragem em quebrar os paradigmas e pela linha que estão seguindo. Amando muito a nova fase do futi!

    beijos

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