2 em Comportamento/ entretenimento no dia 06.01.2017

Filmes da Sil: Animais Noturnos

É faz muito tempo que eu não escrevo aqui… Mas assim como a Carla e a Joana mudaram o Futi por dentro e por fora, eu precisava de um tempo para crescer, amadurecer e resolver alguns problemas que aconteceram na minha vida durante a segunda metade do ano passado. Não, não é fácil deixar a nossa “casa” e encarar a vida –  porque o Futi é como uma casa para mim  – nem que seja apenas para viajarmos, procurando crescer. Mas as vezes, é importante, entendermos quem somos para melhor acompanharmos o mundo à nossa volta – e quando voltarmos poderemos somar ainda mais. <3

Mas chega de falar de mim, o que importa é que eu estava com saudades. E para matá-las, nada como um filme com uma história intrigante, com uma bela fotografia, boas atuações e dirigido por ninguém menos do que Tom Ford para comemorarmos um novo ano e um novo blog com o pé direito. ;)

O segundo filme dirigido pelo estilista é um delírio estético e artístico para qualquer um que aprecie não só uma boa história e belas roupas, mas que também queira se impressionar com a capacidade da arte da fotografia cinematográfica. Usando de cores fortes, imagens sobrepostas e excesso de contrastes, Ford e seu diretor de fotografia Seamus McGarvey (que fez a fotografia do 50 tons de cinza) conseguem transformar em arte cenas que normalmente seriam feias para os nossos olhos.

Mas não se enganem, nada nesse filme é desconfortável o suficiente para não ser proposital ou complexo demais para precisarmos de um grande manual de psicologia ao lado. Talvez eu possa estar sendo simplista, mas na minha humilde opinião, Ford utiliza todos os recursos visuais necessários para contar uma história com início, meio e fim, mas sem precisar que seu telespectador fique “batendo com a cabeça na parede” para entender o significado da mesma – como por exemplo no denso David Lynch em Mullholland Drive de 1999.

Amy Adams, em uma elegância ímpar, é a dona de uma galeria de arte. Sua vida parece perfeita ao descrevermos a personagem, mas ao melhor estilo dos bons thrillers – A Garota no Trem, Garota Exemplar, Objetos Cortantes e Lugares Escuros  – nós sabemos que a vida de Susan irá mudar quando chega em sua casa um embrulho do seu ex marido. Edward – interpretado por Jake Gyllenhaal, que está brilhante – e Susan não se falam por cerca de 20 anos, entretanto é para ela que ele envia um dos manuscritos de seu último livro: Animais Noturnos.

Dedicado a Susan, ela não resiste em abrir e ler a história durante uma das viagens de negócios de seu atual marido. O que ela não esperava é que a história fosse tão envolvente a ponto de ser capaz de transportá-la para dentro da mesma. E é assim que de repente ela nos leva para dentro de sua imaginação também.

Existe uma grande diferença entre os exemplos que eu citei e o filme, mas o importante aqui é saber reconhecer que existem histórias e personagens que são dominados pela simples narrativa das mesmas. E Animais Noturnos é um desses casos em que nós mesmos devemos apenas deixar que o filme passe sem nos preocuparmos muito em descobrir o que talvez exista ou não. É aproveitar a narrativa áudio visual (e nesse caso, que visual) que o diretor quer nos mostrar.

Honestamente, no meio de tantos filmes que acabam lotando as salas de cinema, é uma pena que filmes tão belos como Animais Noturnos passem cada vez mais “escondidos” e para um público cada vez menor. Não é um filme que talvez que receba o Oscar de Melhor Filme mas tem uma excelente direção, excelentes atores, figurino impecável e uma história coerente, coesa e longe de ser um “lugar comum hollywoodiano” – e não vamos esquecer que ele está concorrendo a 3 Globos de Ouro. E sim, existe uma certa crítica ao mundo do belo, da obsessão pela beleza, mas isso – apesar de secundário – deve ser levado em consideração quando vemos o nome de Tom Ford associado ao roteiro do filme também.

E sem querer estragar o filme, mas é em Amy e sua beleza de estátua grega que Ford usará estes recursos estéticos – e em alguns casos narrativos, para demonstrar a psicologia ligada à beleza. Não só isso, conforme Susan mergulha cada vez mais fundo no “buraco do Coelho” criado por ela enquanto lê o manuscrito, como uma Alice, menos ela sabe o que encontrará quando emergir do outro lado do “Espelho” de seu “País das Maravilhas”. E portanto, quanto mais Susan continuar a mulher excessivamente vaidosa que abriu aquelas páginas apenas por serem para ela, menos Susan irá mudar. Entretanto, se a história de Edward conseguir quebrar o psicológico de Susan, é nela que o diretor irá focar gradativamente mudanças visuais. Afinal, como nós bem sabemos, é preciso querer para conseguir quebrar os padrões que nos foram impostos. ;)

Beijos e um Feliz 2017!

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Juliana de Paula
    06.01.2017 às 21:58

    Interessante Sil!
    Realmente, também noto que muitos filmes dignos de grandes plateias recebem poucas sessões.

  • RESPONDER
    Luíza
    10.01.2017 às 12:47

    Que bom que você voltou! Amo suas dicas e críticas!

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