5 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 21.12.2016

Inspire-se para sentir, não para postar!

Quem nunca viu um turista tirando 200 fotos no lugar sem ao menos OLHAR para a vista que atire a primeira pedra. Capturar as primeiras cenas com as “câmeras da retina” parece óbvio quando pensamos em viajar e ver o mundo, mas as coisas nem sempre acontecem assim.

Não quero me colocar na posição de juíza de nada e nem de ninguém, mas fiquei com vontade de fazer uma reflexão após ver alguns comportamentos se repetindo nos mais variados lugares do planeta. Será que a gente está se inspirando pelo novo quando viaja? Ou pelo antigo que vemos da tela do celular e queremos reproduzir? Será que estamos nos conectando com o lugar ou somos reféns de fotos e expectativas previamente determinados para alimentar nosso instagram ou facebook?

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Quando mais nova já me peguei pensando em ir a um destino porque queria fazer uma foto no lugar, ainda bem que chegando lá eu sempre esquecia disso e vivia o momento, sentia o clima e me entregava (ou não) a cultura local.

A verdade é que amo viajar para me inspirar, ver o mundo pra me ver de outra forma. 

Não sei que tipo de vazio nós seres humanos temos que nos leva a eventualmente falar da vida alheia ou a fazer certas coisas só para postar, uma coisa bem de ego mesmo. Todo mundo em algum momento já fez isso, até da forma mais inconsciente do mundo. É normal, acontece, mas não podemos ser escravos disso no piloto automático. 

Nos  últimos anos eu venho evitando buscar preencher vazios inexistentes. Se sonho em conhecer algum lugar tento fazer isso para criar novas referências, descansar e fazer aquilo que eu amo e combina comigo, jamais para atender a expectativas alheias ou marcar um clichê na minha “check list”. Toda vez que fui num destino que não tem tanto a ver com a minha pessoa por recomendação alheia me frustrei de alguma forma.

Se você fosse minha melhor amiga eu te diria: não planeje uma viagem para clicar aquela foto mais curtida com sua gopro. Isso vale para tudo na verdade, esse é só um exemplo. Sinta antes de fotografar.

Se for meditar, inspire-se numa viagem de autoconhecimento não para pagar falsamente de espiritualizado. Se for para Miami fotografe o que te fez arrepiar, o que mexeu com você, olhe primeiro e clique depois. Provavelmente até sua foto vai ficar mais cheia de vida.

Como em tudo, busque aquilo que combina com você. Destinos que mexem com seu imaginário, com o que você sempre sonhou e que tem atrações que você ame e não apenas cenários para fotos clichês.

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Inspire-se para se conhecer até quando o lugar não tiver conexão de internet, não puder levar câmera ou demande um segredo absoluto. O novo pode te encantar se você olhar com outros olhos.

Você embarcaria numa viagem se não pudesse contar pra ninguém? Se sua resposta for não, comece a se questionar por quem você tem feito as coisas! Okay, a minha resposta até poderia pensar em ser, mas por causa do blog e da necessidade de gerar conteúdo todos os dias, não por causa da Joana (pessoa física).

Sempre me pego preocupada em não alimentar demais uma persona “viajada” e “espiritualizada” porque uma coisa é você ser isso e compartilhar pelo tema ser algo do seu mundo, outra coisa é eu falar disso e não praticar nada no meu dia-a-dia. Não estudar, não ler e não buscar nada além das fotos nas redes sociais. O mesmo vale pro Yoga, Crossfit e qualquer outra coisa. A gente tem que viver e depois compartilhar, não o contrário.

Colecionar geolocalizações pode ser muito especial, mas porque a gente se permite conectar e aprender com elas. Se permite ter uma refeição emocionante, tomar um vinho delicioso, adorar um museu, curtir um jardim ou fazer um piquenique inesquecível num cenário único.

Depois de muitas viagens pelo mundo e pelo Brasil me preocupo muito com influenciadores de todos os nichos fazendo fotos perfeitas, que precisam ser altamente corrigidas. Quando você para e presta atenção, a pessoa nem viu o lugar, foi apenas refém da foto que vai alimentar um padrão de perfeição irreal. 

Nessa hora ganho uma admiração enorme por quem divulga um destino, um hotel ou um lugar com sentimento. Com fotos que passam alegria, verdade e conexão com o lugar. Essas pessoas me influenciam de fato.

As fotos que ilustram esse post é sobre o caso da menina que copiava a conta da blogueira de viagens Lauren Bullen. A menina que copiava viajava para os mesmos lugares, usava as mesmas roupas para fazer as mesmas fotos.

As fotos que ilustram esse post é sobre o caso da menina que copiava a conta da blogueira de viagens Lauren Bullen. A menina que copiava viajava para os mesmos lugares e usava as mesmas roupas para fazer as mesmas fotos da blogueira original.

Eu não quero inspirar sem sentimento, nem quero ser inspirada por posts vazios. Eu não quero postar sem sentimento e nem quero viver para conhecer lugares que todo mundo espera de mim. Eu quero ir onde meu coração SENTE, com quem faz ele bater de alegria e soma pra mim.

Então assim me vejo buscando não ser refém de uma imagem montada para a internet. Porque só uma pessoa bem de verdade inspira realmente. Com mais ou menos comentários, mais ou menos likes ou seguidores. Eu estou cada dia mais focada no conteúdo e na alegria que uma foto ou legenda passam. Só quem vive, brinca e se diverte tem o poder de te influenciar, te inspirar se você passar a ter um olhar mais crítico.  O mesmo vale para o que a gente vive. Podemos escolher nos inspirar pelo que sentimos e não pelo que postamos. 

O mesmo acontece com todo mundo. Inspire os outros com seus compartilhamentos, não seja a pessoa que só tira a foto para “fazer um protocolo”. Seja a pessoa que cria sua própria foto, que vive antes, respira antes, enxerga antes e depois busca o clique perfeito pra contar da SUA experiência como indivíduo!

Um destino é muito mais do que uma foto. Viva-o! O mesmo vale para qualquer compartilhamento.

Essa reflexão fez sentido pra vocês? Ou foi só maluquice da blogueira aqui?

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5 Comentários

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    Lyanna
    22.12.2016 às 11:02

    Achei muito interessante e lembrei da minha viagem para Paris e Londres. Em Paris conhecemos alguns casais de brasileiros no trem indo para Versailles e eles que tinham feito o mesmo roteiro que o nosso. Durante as conversas eles perguntavam: vcs tiraram foto em lugar X e naquele local y, naquele determinado ângulo? E a gente: não. E nós perguntávamos: vcs foram a Portobello Road; Candem Town; tomaram o chá da tarde? E eles: não. Chegando em Versailles nós nos separamos pq eles tinham uma missão de tirar fotos em determinados locais e de determinados ângulos, antes de nos despedir eu perguntei: vcs vão conhecer Giverny? E uma das moças falou: nunca ouvi falar! Eu fiquei pensando: será que perdi alguma coisa por não ter feito determinadas fotos e meu marido (minha tampa perfeita) foi muito feliz no comentário: nada… nós vivemos. Por menos viagens clichês e mais viagens vivenciadas de verdade.

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    Tati
    22.12.2016 às 12:05

    Achei “maluquice”. Sei lá, o que eu vejo são os “influenciadores digitais” postando fotos todas trabalhadas com filtros, produções e etc em busca de likes, ou de “inspirar” os seguidores. A tecnologia trouxe mudanças sociais, é claro que fotografar um destino não faz com que a viagem seja menos proveitosa. Felizmente muito mais pessoas têm acesso a smartphones, go pros e afins, e devem mais é serem usados parabéns registrar aquela viagem tão sonhada e planejada. Sou a favor da realização de sonhos, é cada um sabe qual o seu. Não serei eu a dizer o que se deve ou não fazer…
    Um beijo!

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    Wal
    22.12.2016 às 12:59

    Ai, Jô, acho que você está super certa. Eu amo viajar, amo tirar foto, mas a foto é meio que consequência do que eu percebo do lugar (e do fato do meu marido ter um olho excelente e adorar colocar seu talento em prática!). Lembro que passamos nossa lua de mel no Maranhão, (lençóis maranhenses, são luís e alcântara) e amamos o lugar! Pulamos nas dunas, nos jogamos na areia, curtimos cada pedacinho. Foi incrível! E as fotos ficaram incríveis. Um casal de amigos do meu marido resolveu copiar o destino para a lua de mel deles. Se tivessem me perguntado algo teria dito que fossem pra outro lugar porque definitivamente não era a cara deles, mas foram pelas fotos. Resultado: detestaram. A sua viagem é sua experiência e não um aglomerado de ângulos bons. O que não me transmite emoção também não me cativa.

    Beijos!

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    Rafa
    23.12.2016 às 10:13

    Jo, mais uma reflexão certeira. Eu amo fotografar e em viagens às vezes tiro mil fotos pra recordar. Mesmo assim, nunca deixei de viver o momento pela foto. E as melhores lembranças não estão nas fotos, mas na memória! Pensando pelos blogs, concordo muito com o que vc falou sobre inspirar e inspirado por um sentimento, e não por fotos perfeitas mas vazias de conteúdo.

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    Sil
    01.01.2017 às 22:11

    Eu volta e meia chego de uma viagem e penso: “Putz, tirei poucas fotos!” Vejo as minhas amigas postando várias fotos de vários lugares e eu enfurnada dentro de museus, risos! Mas o que eu posso fazer se a minha praia é essa? Se eu fui a Paris e achei que fui 2X ao museu de Guerra mas deveria ir mais uma pq não consegui ver tudo? E que andar por entre as lojas chiques não me atraí? Que troco restaurantes caros por musicais, teatros, ballets ou óperas e me culpo pq sempre acho que poderia ter ido em mais opções…

    Agora é o que você disse: qual a graça de viajar se não for para satisfazer o que a gente sente necessidade, mas sim agradar às massas, só por agradar?! E sim, eu totalmente viajaria para lugares sem contar para ninguém se pudesse, e já escondi de pessoas viagens importantes para não dar ciúmes, ou mimimi, afinal nesse mundo de egos (blogs e afins) o que mais tem é gente querendo derrubar os outros, e quando a gente viaja para trabalhar… A inveja é certa, especialmente no meu caso. E olha que eu só experimentei isso UMA vez! Mas enfim, foi bom demais e eu aprendi demais, se pudesse faria muitas e muitas vezes – viajar a trabalho – mas aproveitaria mais, com menos medo dessa vez!

    Beijos!

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