10 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas no dia 12.12.2016

O peso dos outros

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Atire a primeira pedra quem nunca comentou sobre o peso de outra pessoa ou recebeu aquele tipo de comentário deselegante: “Como você engordou!”, “Nossa, você está linda assim, magra!”, “Nossa, está tão magra que parece um esqueleto”, “Credo, parece uma baleia”, “Ela tem um rosto lindo, pena que é gordinha”. Ou então quem já colocou apelido nos outros ou recebeu apelidos tipo: “baleia”, “vaca”, “baiacu”, “magrela”, “olívia palito”, “filé de borboleta”, “esqueleto” e tantos outros. E aí, se identificou? Com quem falou ou com quem recebeu o comentário? Podemos nem falar diretamente a alguém conhecido, mas pense se você já fez esse tipo de comentário a respeito do peso ou do corpo de alguém famoso. Pois é….

Eu sempre me pergunto qual a necessidade que as pessoas têm de comentar sobre o peso ou o corpo das outras? Parece que se sentem na obrigação, mas no final das contas, o que elas têm a ver com isso? Primeiramente, não, você não está “dando um toque” à pessoa, você está mexendo diretamente com a autoestima dela e isso pode trazer inúmeras consequências.

E qual o problema dessa prática tão comum e que muitas vezes é vista de forma inofensiva? Primeiramente, vivemos num mundo tão maluco, onde a forma física é tão importante, vista inclusive como valor de caráter e sinônimo de sucesso que ao fazer esse tipo de comentário estamos empoderando isso. Em segundo lugar, ao receber o comentário de que emagrecemos vimos como uma conotação de elogio, uma vitória, pois ser magro seria um elogio quase que semelhante a ser uma pessoa bem sucedida em todos os aspectos da vida. Pergunte isso a alguém que é magro e sofre tentando ganhar quilos ou massa muscular para você ver que não é nada disso. Ao mesmo tempo quando comentam que ganhamos peso isso pode trazer um estrago emocional imenso, parece que levamos um tapa na cara na autoestima e invariavelmente vem acompanhado de um tsunami de pensamentos e sentimentos como autodepreciação, derrota e muita culpa.

Em terceiro lugar, não sabemos se a pessoa trava uma batalha interna quanto a esse assunto. Ela pode ser portadora de algum transtorno alimentar como anorexia ou bulimia nervosa, onde a busca pela magreza é parte fundamental da vida dessas pessoas (e você pode nem saber que ela luta contra isso), e aí imagina só você comentar a uma bulímica que ela engordou? Ela pode, em questão de segundos, a partir do seu comentário, regredir todas as conquistas que teve até agora em seu tratamento. Pode ser devastador! E uma anoréxica? O seu comentário “nossa, como você está linda e magra!” vai reforçar todos os comportamentos errados que ela pode estar fazendo para tentar atingir aquele corpo que ela definiu como perfeito. Ela vai pensar: poxa, tudo isso que estou fazendo está valendo a pena, as pessoas estão até comentando, então vou continuar nesse caminho! E vai achar que nunca precisa se tratar pois os resultados estão aparentes e as pessoas comentando. Imagina o estrago que você está proporcionando nessas duas situações?

Se ao encontrar uma pessoa conhecida e elas estivesse usando uma roupa que não faz o seu estilo ou até mesmo de gosto duvidoso, você comentaria? Ou no seu trabalho, se após uma apresentação de um colega que você achou ser catastrófica, você diria isso a ele? A educação manda que em nenhuma dessas situações a gente faça esse tipo de comentário, então por que com o peso seria diferente? Por que as pessoas se sentem no direito ou na obrigação de comentar sobre o corpo das outras?

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Quando vi essa piadinha de internet sendo postada por algumas pessoas que eu conheço confesso que fiquei assustada. Sim, é uma piada, mas que tal voltarmos ao básico, como foi discutido em outro post , o que realmente importa? Ouvir que emagreceu vale mais do que ouvir “eu te amo”? A pessoa demonstrar o sentimento dela por você ou comentar sobre sua forma física?

É fácil mudar esse padrão viciado julgador e cruel? Não é, mas uma forma de começar é fazer o exercício de tentar nos colocarmos no lugar do outro. Você gostaria de ouvir as palavras que está dizendo? Provavelmente não! O que você sentiria ao ouvir suas próprias palavras? E o que será que a pessoa sentiu na hora que você disse?

Que tal valorizarmos as pessoas como elas realmente são, a forma como se relacionam com você, os sentimentos positivos que elas despertam em você, os momentos bons que vocês viveram juntos? Pensando assim, realmente a forma física ou o peso delas importa? Aposto que você pensou que não.

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10 Comentários

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    Lisa
    13.12.2016 às 8:52

    Nossa… abri o berreiro aqui quando li o texto, diz exatamente o que vivi desde a adolescência.
    Primeiro em vários textos e ensinamentos sobre peso, empoderamento e tudo que vem sendo discutidos entre mulheres, nenhum deles também diz que pessoas magras sofrem um bocado também, que a sociedade busca uma perfeição, e não existe meio termo, ou é magra de barriga chapada, ou é gorda e falsa magra. Cresci ouvindo isso: Magra de mais, precisa de um quadril ai, é magrinha mas tem uma barriguinha….
    E é muito doloroso tudo isso, devastador, em determinados momentos, estamos nos sentindo bem conosco mesmo, mas vem uma avalanche de críticas, que somente quem tem uma estrutura emocional muito bem resolvida não se entrega.
    Se eu pudesse hoje dizer o quanto venho sofrendo por causa de peso, o quanto sofro e o quanto isso pesa em minha vida, gastaria muitas laudas..
    Obrigado pelo texto meninas! Vale a pena acordar e ler coisas assim!!

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      Ju
      13.12.2016 às 13:02

      Concordo Lisa. Não é fácil para ninguém conviver com a pressão do padrão estabelecido como ideal.
      Parabéns pelo texto, Camilla. Eu não conhecia o blog, vim através de uma linkagem de outro blog, mas já gostei. Vou passar um tempinho vendo os demais posts para conhecê-los melhor.
      =)

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      Camilla Estima
      13.12.2016 às 13:11

      Obrigada pelo seu comentário, Lisa! Sim, a patrulha do corpo é pra gente magra, gente que está com peso ok, quem está acima. Começo a pensar que a patrulha é pelo hábito de patrulhar mesmo!!! E cada vez mais me deparo com mulheres de saco cheio disso, e daí a ideia do post.
      Sim, é doloroso pra quem ouve qualquer comentário sobre o seu corpo – o peso, o formato. Não conseguimos controlar o que os outros pensam mas sim na forma como ouvimos os comentários e os tornamos insignificantes. A dica é: entrar por um ouvido e sair pelo outro :) Qualquer coisa, estamos por aqui! Grande beijo.

    • RESPONDER
      Camilla Estima
      13.12.2016 às 13:16

      Oi, Ju
      Obrigada pelo seu comentário. Dá uma olhada sim no blog, tratamos de assuntos diversos. E tenho algumas colunas escritas sobre o tema, coloca o meu nome na busca :) grande beijo

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    Cristina
    13.12.2016 às 10:31

    Achei este texto pelos links da semana do chata de galocha e vim ler. Achei incrível a ponderação. Acho que as pessoas não fazem esse tipo de comentários nem por mal, então é super importante trazer a público as consequências de um comentário aparentemente inofensivo. Parabéns pela autoria do texto.

    • RESPONDER
      Camilla Estima
      13.12.2016 às 13:15

      Oi, Cristina…..obrigada pelo seu comentário. Concordo com você, muitas vezes as pessoas podem nem fazer por mal mas também nem imaginam o estrago que pode acontecer com a auto-estima da pessoa que ouve. Por isso que esse assunto tem que ser discutido e esclarecido, para deixar de ser uma prática comum. Grande beijo.

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    Carol Mancini
    13.12.2016 às 10:57

    Outro dia fiz um post onde todo mundo falou “que magra” ou “magrela”. Eu sempre fui gorda. E eu não fiquei feliz. Porque gorda ou magra é só um estado do meu corpo e não quem eu sou. É chato demais isso, eu agradeço, mas o que me deixa mais feliz é quando alguém fala “como você está bem!”, porque “bem” é sim um estado de espírito, é quando o corpo e a mente tão bem e isso é tão visível que aparece até na foto rsrsrs… Acho que a gente se cobra demais – a sociedade idem – para seguir e ser um padrão, mas essa discussão é longa e fico feliz de ver que ela está sendo abordada em blogs de moda (vários!).

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      Camilla Estima
      13.12.2016 às 13:19

      Concordo plenamente com você, Carol!!!! Muito mais importante o estar bem do que estar magra!!! E existem tantas formas de elogiarmos os outros, por que a forma física que importa? Quando elogiam nosso sorriso, nossa espontaniedade, nosso carisma, enfim, tantas coisas…..obrigada pelo seu comentário! Grande beijo.

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    Niobe S
    15.12.2016 às 19:42

    Mais um post vitimista. Quando teremos posts sobre mulheres vitoriosas e que se impuseram? Vitimismo só serve como muleta para desculpa. Discordo do texto, fazer o quê. E por favor, chega de querer mandar no que as pessoas falam ou deixam de falar. Daqui a pouco nos tornaremos surdo-mudos com tantas regras e coisas banidas. Censura nunca! Esse vídeo chamado Tudo é Ofensivo, me representa. Confira, é sempre bom conhecer ideias opostas :) https://www.youtube.com/watch?v=h80tWYbFHUU&app=desktop

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      Joana
      16.12.2016 às 1:41

      Acho que vale a pena procurar a diferença de noção ou educação e censura.
      Ninguém está propondo que pessoas sejam proibidas de falar, mas que elas falem SUAS verdades sobre SEUS próprios corpos e não sobre os dos outros.

      Acho que não há vitimismo algum nesse post.
      O comportamento online e o offline não podem ser tão distintos.
      Se você não fala o que pensa pro desconhecido do elevador vai falar pra alguém que segue na web? Vai dizer o que pensa sobre seu corpo?

      Acho que o post propõe um pensamento de educação e limite, mas é mais fácil pensar que o mundo tá chato do que mundar e tentar fazer dele um lugar mais saudável, menos opressivo e cheio de padrões…

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