5 em Autoestima no dia 19.10.2016

Uma carta para Mara Wilson

Querida Mara Wilson,

Antes de mais nada, queria dizer que quando eu tinha 7 anos eu queria ser você. Queria ter os mesmos olhos azuis, o mesmo cabelo liso e a franja perfeitinha. Também queria ter os poderes da Matilda e conhecer o Papai Noel que fez milagre de Natal para a Susan na Rua 34. Só não queria ter um pai que virasse uma babá quase perfeita porque isso significaria um possível divórcio, e isso é algo que nenhuma criança quer, né?

Resumindo, eu te idolatrava, te achava linda e…fofa. Qual não foi a minha surpresa, vinte e tantos anos depois, me deparar com uma parte do seu livro (que aliás, quero ler já para botar no #bookdodia aqui) onde você contava a dificuldade que foi ter sido a criança fofa de Hollywood e como você ficou perdida depois que virou pré adolescente e já não se encaixava nos padrões de beleza ou fofura da indústria do cinema.

Foto do blog Paper Trail Diary

Foto do blog Paper Trail Diary

Fiquei triste, sabe. Fiquei chateada com a frieza que te apresentaram seu primeiro sutiã, com as crueldades que você teve que ler sobre você na internet, com a tristeza de você ter perdido sua mãe tão nova e em uma época tão decisiva. Mas o que mais me marcou foi quando você começou a ver que outras meninas que você conheceu na pré adolescência estavam despontando em papéis de mulheres, enquanto você permanecia naquele limbo, crente que um dia a sua mudança iria acontecer naturalmente. E uma dessas meninas por um acaso ser a Scarlett Johansson não ajuda muito, né?

Acho que me marcou porque quando eu era mais nova, lá pelos 15, eu jurava que seria igual às meninas da classe acima da minha, ou então às populares da minha série. Que eu teria um cabelo lindo, corpão e namoraria o garoto mais lindo do bairro. Isso porque eu amava meu cabelo e namorei um menino muito legal (e que eu achava lindo) nessa época. Mas não estava satisfeita e continuava me comparando.

Isso continuou no ensino médio, faculdade, inclusive depois que entrei no mundo dos blogs. Aliás, diria que o mundo dos blogs ferrou minha cabeça um pouquinho e eu pude experimentar 1/1000000 do que você passou em uma fase muito mais difícil da vida. Ao meu lado, 1282928120 blogueiras mais bonitas, com babyliss perfeito, bem maquiadas, com corpos maravilhosos, postando as fotos mais lindas, com clientes super legais e sendo convidadas para os eventos mais incríveis do mundo. E a pressão para tentar me adequar à elas não partia só de mim.

Até que me deparei com uma frase que me ajudou muito:

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Pode parecer besteira, mas depois que passei a repetir ela como um mantra, eu diminuí a comparação, e não só no quesito beleza. Quando eu vi que até você, meu ídolo da infância, passou por um momento em que tentou se comparar com outras atrizes, vi que isso é algo que acontece com todo mundo, todos os dias. Só sei que depois que eu resolvi usar essa frase para me tranquilizar, parei de querer ser o que eu nunca seria e aprendi a admirar as qualidades das outras pessoas sem me pressionar a ter algo parecido. Se der para ter, ótimo. Se não der, não farei loucuras para conseguir nem me considerarei pior por isso.

Na verdade só queria escrever para te agradecer por ter se aberto, por ter escrito todas as dificuldades que você passou para chegar até aqui, por ter extravasado suas vulnerabilidades e permitido que a gente soubesse um pouco das dificuldades dos bastidores de uma das atrizes mirins mais famosas da minha infância. Se a Carla de 7 era sua fã, a Carla de 30 te admira mais ainda. :)

Beijos

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5 Comentários

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    Paola Scott
    19.10.2016 às 11:44

    Adorei! Vcs devem ter lido essa crônica, mas se não leram ou alguém que entrar aqui não leu, tem tudo a ver. http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-menina-que-eu-nunca-fui/

    • RESPONDER
      Carla
      19.10.2016 às 12:56

      Tem!! Na verdade eu li a crônica quando eu tava fazendo um texto super parecido baseado nessa frase que eu estava afim de postar há um tempão. Ai achei que ela falou de um jeito muito melhor do que eu falaria e abandonei, até que li o trecho do livro da Mara Wilson e vi que conseguiria abordar esse assunto sem ficar parecido com o da Ruth! :) Mas eu amei o que ela escreveu!

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    Isabela
    20.10.2016 às 9:03

    Adorei o texto!
    E queria te dizer que vc e o blog são ainda mais legais por não serem mais uma cópia de tanto(a)os que vemos por aí!
    Juntando esse texto com o da Michele Obama ali de cima, percebo que é algo que vocês do futi trazem pra mim: aceitação e amor próprio, demonstrando que mesmo mais alta/baixa, gorda/magra, a gente pode fazer o que quiser! E claro, muita inspiração de moda e lifestyle!!
    bjs

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      Carla
      20.10.2016 às 11:26

      Oi, Isabela! Nossa, que delícia ler isso! Muito muito obrigada, que motivação! <3

    • RESPONDER
      Joana
      20.10.2016 às 12:04

      Então, a ideia é essa…
      Muito amor próprio, aceitação, autoestima e afins pra todas nós!

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