9 em Comportamento/ maternidade no dia 29.08.2016

#babynofuti: vamos tentar não perder nossas identidades?

Há um tempo eu postei uma foto no meu instagram que eu estava com o Arthur no colo e um brinco grande. Na mesma hora, uma amiga veio me alertar para não usar o acessório porque uma conhecida dela rasgou a orelha por causa de um puxão. Logo depois uma seguidora aproveitou que a conversa estava rolando e veio desabafar dizendo que ama brincão mas acabou desistindo de usá-los depois que teve filho.

Eu sei que todo mundo quer meu bem, mas parei para pensar.

Eu tenho plena consciência que depois que você é mãe muita coisa muda, sua cabeça muda, suas escolhas mudam. É normal e até mesmo natural quando as mudanças acontecem e seu “novo eu” está de acordo. Por exemplo, desde que o Arthur nasceu eu passei a sair menos à noite e consequentemente estou usando muito menos salto. Por isso, quando resolvo usar um hoje em dia, eu canso mais rápido, meu pé dói mais facilmente e tudo conspira para um ciclo sem fim que culmina na permanência dos meus sapatos de salto dentro do armário. Só que se um belo dia eu acordar e cismar que quero usar salto, eu vou botar uma sandália ou scarpin e sair linda por aí. Até colar, que eu sempre amei usar e passava meses sem tirá-los do pescoço, hoje eu só boto quando vou sair e tiro quando vejo que o Arthur realmente está compenetrado para arrancá-los. Mas continuo usando. E assim pretendo que seja com todos os tipos de roupa e acessórios que eu tenho e gosto.

maternidade-vaidade

O que preocupa, a meu ver, é  quando você se sente obrigada a deixar coisas que você gostava de lado por causa do seu novo status de mãe. Toda regra tem sua excessão, mas eu acho que a maternidade já diminui tanto aquela nossa liberdade que estávamos tão acostumadas que a última coisa que deveríamos fazer era deixar de usar coisas que a gente sempre curtiu porque agora é mais difícil.

Só Deus sabe o quanto eu fico com vontade de cortar meu cabelo curtíssimo a cada vez que o Arthur puxa, bagunça ou arranca fios e mais fios. Posso até secar a juba lindamente, mas é só pegá-lo no colo para dar adeus ao penteado que estava direitinho. Aí, quando estou quase ligando para o salão e marcando um corte, lembro que eu tive cabelo acima dos ombros e odiei a experiência. Tinha que ficar indo no cabeleireiro todo santo mês para manter o corte, tinha que secá-lo sempre porque naturalmente ele não secava do jeito que eu queria (ou seja, praia e piscina viraram o meu terror), sem contar na demora de mais de um ano para chegar em um comprimento que eu começasse a considerar confortável. Seria muito mais fácil cortar? Seria. Mas provavelmente eu não ficaria feliz ao me olhar no espelho, porque não achei que cabelo curto combinava comigo.

Se você é mãe e ama usar brincão, colares, cabelão, salto, decote, roupa curta ou até mesmo unha pintada (conheço gente que ficou mais de 1 ano sem pintar as unhas porque o filho botava muito o dedo dela na boca e ela ficava com medo do esmalte intoxicar a criança), pense bem se realmente vale a pena abrir mão das suas vontades por completo. Pergunte-se se você está tomando tal atitude porque você decidiu, porque seu bom senso definiu o que era melhor ou porque os outros opinaram. Os outros podem gostar muito de você, mas pode ter certeza que eles nunca saberão qual é a melhor equação entre você e seu bebê. 

Ser mãe muda muita coisa mas não deveria mudar nossa vaidade, não deveria abalar nossa autoestima e não deveria interferir na nossa identidade. Quando eu consigo achar um equilíbrio entre o que eu quero e o que a maternidade exige, eu me sinto verdadeiramente completa. Acredito piamente que as relações ficam muito mais saudáveis quando estamos de bem com nós mesmas, quando olhamos no espelho e gostamos do que está refletido, quando estamos nos amando.

Nos mais variados casos que vejo, uma boa autoestima tem se mostrado um verdadeiro segredo de felicidade, por isso acredito que na maternidade não deveria ser diferente. Se cuidar e se amar provavelmente vai possibilitar que você se sinta mais plena para criar bem uma criança, que vem para somar e não ser uma fonte de renúncias pesadas.

Alguém aqui sentiu a necessidade de abdicar de coisas que gostava? Alguém conseguiu achar um equilíbrio entre maternidade e vaidade?

Beijos!

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9 Comentários

  • RESPONDER
    Marielly Andrade
    29.08.2016 às 20:01

    Que texto mara!!!!!

  • RESPONDER
    jo
    29.08.2016 às 20:42

    Carla, seus textos estão ótimos… não sou mãe e não me identifico mas gosto de ler o que vc escreve pois é leve, é atual, e foge daquele “papinho” que todo mundo fica repetindo como o príncipe encantado que não existe, e blá blá blá….

    bjs

    • RESPONDER
      Carla
      30.08.2016 às 0:41

      Oi, Jo! Que bom que você curtiu meu texto, mas assim, não entendo porque você precisa desmerecer o trabalho da Joana. Eu tenho um estilo, ela tem outro. Eu falo para um público e ela para outro. Não tem motivo para comparação, nem para desmerecimento. E aliás, o texto que você citou – que não quis passar a mensagem que não existe príncipe encantado – eu achei maravilhoso, um dos melhores! que pena que você não curtiu! :(

    • RESPONDER
      jo
      30.08.2016 às 10:07

      Carla, vc está enganada, eu não falei da Joana. Eu gosto do trabalho dela, gosto de vários textos, só alguns acho um pouco “batido”, mas isso não foi uma indireta para ela, e fico bem surpresa em vc achar isso… se eu tivesse algo contra não leria nem mandaria feedback, elogio o trabalho dela tb quando gosto de um texto.

      Gostaria de deixar isso bem claro, Joana, não falei de vc!!!!!! falei do que eu leio por ai, e estou um pouco saturada.

      • RESPONDER
        Carla
        30.08.2016 às 11:20

        Ahhh ta! Rsrs desculpa, foi coincidência então! Um beijão! :*

    • RESPONDER
      eduarda
      30.08.2016 às 16:52

      eu hein… agora tem que elogiar todo mundo senao ta desmerecendo o trabalho da outra?????
      Deus do ceu….

      • RESPONDER
        Carla
        31.08.2016 às 14:35

        Oi, Eduarda, apesar de elogios serem legais, nunca precisamos disso aqui para alimentar nosso ego. Foi uma coincidência a jo ter falado sobre um assunto que tinha aparecido no blog no dia anterior e infelizmente na internet a gente pode interpretar as coisas de outra forma, como foi o caso aqui, já explicado e já entendido. Eu não sei se você lê o futi há muito tempo porque você só comentou aqui duas vezes, mas a jo é leitora antiga e comenta sempre, inclusive sempre foi muito sincera quando não gosta de algum post e toda vez que isso acontece, concordamos em discordar e está tudo certo. Acho que ela pode te falar melhor que por aqui não tem radicalismos. ;)
        Beijos!!

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    Marina Almeida Teruszkin
    30.08.2016 às 13:27

    Muito bom o texto! Ainda não sou mãe mas concordo muito com esse pensamento =)

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    Bianca
    30.08.2016 às 14:02

    OI Carla, adorei seu texto, sou mãe do Bernardo de 4 anos e da Mariah de 1 ano. E minha luta diária é realmente isso, não deixar pra trás a Bianca que sempre fui, mas percebo que muitas coisas acabaram mudando sem eu querer mesmo sabe…. Sempre fui ligada à moda e tive até um blog bem legal por um tempo ligado ao assunto, mas com a chegada da maternidade não consegui levar o blog à frente e hoje, tbém não conisgo me ligar tanto no assunto como antes, sabe….Hoje o assunto maternidade me toma muito tempo, e tudo que to sempre pesquisando é sobre as crianças…..as vezes sinto falta de um pouco de “futilidade”, que a gente ama e faz super bem….
    Ainda to na luta pra conseguir “dosar” as duas coisas…..mas to melhorando. rs
    beijãoooooooooooo

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