2 em Autoconhecimento/ crônicas no dia 27.07.2016

O brilho do meu diamante bruto

A gente é educada a acreditar que um diamante bruto pode dar vida à pedra mais linda quando lapidada, essa é uma crença que traz muita verdade. No entanto as vezes a gente se vê tão forçada a lapidar “essa pedra” de um jeito óbvio, que acabamos transformando aquele item tão singular em algo comum, igual a todas as outras pedras que você encontra no mercado. Uma lapidação “padronizada” pode visar mostrar algo para todo mundo compreender e concordar com tamanha beleza, só que não existe unanimidade no belo. A graça das coisas mais lindas é a possibilidade única de cada um ver um tipo de beleza naquilo, quanto mais diferente, mais bonito.

Pedras preciosas não podem ser lapidadas com um passo a passo de receita de bolo, é preciso fazer esse trabalho de forma exclusiva e personalizada, visando evidenciar os traços únicos que a tornam rara. É preciso evitar a transformar em apenas mais uma pedra perfeita aos olhos de todos.

O que quero dizer com isso? Acredito que precisamos nos enxergar como diamantes, precisamos trabalhar nossas questões internas e externas, cuidar de nós mesmas e buscar sempre melhorar, mas precisamos tomar muito cuidado com as armadilhas dos padrões de beleza e de comportamento da sociedade. As vezes a gente tenta tanto pertencer que lapidamos nossos traços naturais, aqueles que nos tornam únicos, tiramos os nossos traços peculiares de indivíduo e passamos a viver como um item produzido em série, igual a todo mundo, com o mesmo look, o mesmo corpo, o mesmo cabelo e nenhum toque de exclusividade.

Se a gente bobear, aquele diamante bruto tão natural pode acabar igual a uma pedra sintética feita na China num processo fordista. Sem nenhum brilho natural próprio, igual a outras duzentas.

A cada dia que passa eu vejo mais importância em nos vestirmos de nós mesmos, podemos passar a maquiagem que for, escolher o look que quisermos, mas devemos sempre integrar e respeitar os elementos que nos tornam singulares. Não importa se você tem pouco peito, muita bunda, um nariz maior, uma peça de roupa mais cheguei, uma altura maior que a média ou qualquer outra coisa que mostre quem você é. Tais elementos mostram sem palavras a sua verdade, te transformam em um indivíduo único. O que te dá um brilho seu, só seu.

Você pode mandar arrumar, você pode ficar igual a todo mundo, mas por que você iria querer isso?

O que você transmite no olhar é tão mais importante do que pertencer a padrões, a forma como você dança ou se comunica é tão mais relevante do que o tamanho do seu manequim. A autoconfiança pode ser o melhor acessório para você por no look. Saber o seu valor e evidenciar o que você tem de melhor te possibilitam uma autoestima turbinada, para uma dessas, nem o céu é o limite. O essencial pode ser invisível aos olhos, mas algumas pessoas são capazes de decodificar ao olhar.

Quanto mais a gente se conhece, mais a gente consegue externar nosso brilho interno, portanto menos a gente precisa de uma lapidação igual a de todo mundo. A gente pode se aceitar como é e melhorar para si mesma, mas focando nas nossas diferenças e não as escondendo.

Quando estamos bem passamos a não ter a necessidade de ser aceito e compreendido como igual  pelo outro. O valor percebido pelos demais aumenta e nem conseguimos entender direito o porquê. Esse brilho pode não ser compreendido racionalmente, mas parece que todo mundo passa a sentir, a enxergá-lo ainda que com o coração.

Ao trabalharmos a nossa autoestima conseguimos colocar pra fora o que tem de melhor dentro da gente. Assim nos tornamos mais refletores de luz e quase que automaticamente acabamos impressionamos quem está a nossa volta, mesmo que sem a intenção.

diamante

Se eu nasci única, por que deveria tentar ser igual a todo mundo? Isso não tem lógica.

Quero me vestir de mim mesma, caprichar em boas doses autoestima e ser exatamente quem eu sou. Quero dançar do meu jeito, ser estabanada como sou, ser alta sem ver nisso um problema, falar alto, fazer o que gosto e rir. Quero ser exatamente quem sou e vibrar aquilo que tem na minha essência. Sempre que consigo dar conta de me sentir bem comigo assim, me sinto incrível. Sempre que me sinto incrível acabo ouvindo de alguém o quão incrível eu sou.

No fim eu não preciso disso para acreditar nesse fato, mas quando a gente escuta de outra pessoa que estamos passando aquilo que estamos sentindo todo esse processo individual ganha comprovações, é comprovar de forma empírica aquilo que você sente.

Por isso quero lapidar meu diamante pra ser exatamente quem eu sou, sem parecer com ninguém. Quero brilhar do meu jeito, só do meu jeito.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Gabriela
    27.07.2016 às 18:08

    Amei o texto! Também acho que temos que valorizar o que nos faz diferentes, e não o que nos deixa igual a todo mundo. http://www.alemdolookdodia.com

  • RESPONDER
    Nanci
    09.08.2016 às 15:32

    Texto maravilhoso, Jô.
    Você está escrevendo melhor a cada dia.
    Bjo

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