4 em Comportamento/ crônicas no dia 30.06.2016

Caindo em queda livre

Quando dois corpos quaisquer de mesmo peso mas características diferentes são abandonados no ar, caindo da mesma altura, podemos dizer que o tempo de queda para ambos será o mesmo. Independente das questões individuais de cada um, eles chegarão juntos ao chão. É uma questão de física, de ciência.

Quando escolhemos nos envolver com a outra pessoa, nosso subconsciente espera que o sentimento seja correspondido. A verdade é que gostar de alguém e descobrir que esse sentimento é recíproco é das coisas mais emocionantes que poderemos viver. Para mim, aquele momento específico em que você decide se jogar em uma história de amor tem exatamente essa ideia de que você pulou em queda livre sem ver o chão, rumando ao desconhecido e levando consigo expectativas de grandes emoções a serem vividas com o outro corpo que cai – ou que a gente espera que também esteja caindo.

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Os riscos que parecem muitos, são poucos. Se ambos pularem ao mesmo tempo, chegarão juntos. O grande problema acontece quando apenas uma das partes toma a coragem de se envolver e de pular.

É nesse contexto que começaram os problemas dela. Talvez seus traumas também existissem, talvez eles também pudessem ser reincidentes, mas até aquele momento, Ana nunca pôde ser chamada de covarde. Quando viu que estava envolvida naquele relacionamento, ela colocou seus medos no silencioso, respirou fundo e se jogou da ponte.

Ela percebeu o que havia acontecido quando já estava há algum tempo descendo. Ela tinha pulado sozinha. O mais grave nessa história é que ela só havia pulado depois de ter sido muito incentivada por ele. E ela só pulou porque pensou que ele havia pulado antes, mas no último segundo, os medos dele o impediram de se jogar junto com ela.

Enquanto ela caía, resolveu pensar em como amortecer sua queda livre e descobriu que teria que ser forte. Provavelmente chegaria no chão com algumas partes quebradas mas independente disso não poderia deixar de seguir em frente. Mais do que nunca, ela teria que ser forte. Mesmo com o coração angustiado, doendo e com medo da queda, ela não conseguia deixar de pensar que queria ser forte por ele também, queria ter conseguido chama-lo a tempo, talvez puxado suas mãos. Ela já estava no ar quando viu a cara dele lá no alto, parado, com medo.

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Ela, que nunca pôde ser chamada de covarde, ficou pela primeira vez em muito tempo sem coragem e sem forças. Justo quando parecia que os dois estavam dispostos a mergulhar rumo a uma vida juntos, ele preferiu dar passos pra trás e fingir que nada havia acontecido. Ele olhou para baixo do precipício, desistiu e ela não poderia ignorar isso, não dessa vez.

Ana sabia que ele valia a pena. Ela concordava que ambos pareciam combinar, ele é uma pessoa singular e em pouquíssimo tempo eles se tornaram dois clichês dignos de novela das seis. Mas de que adiantava serem tão fora dos padrões? De que adiantou serem tão diferentes? O final foi tão comum, tão igual.

Hoje, Ana preferiu se resguardar, ficar em repouso e dar tempo ao tempo para se recuperar. Hoje ela não pula, mas sabe que provavelmente em um futuro próximo ela fará de novo. Tem gente que acha que insistir nos pulos é burrice, mas ela não encara dessa forma. Pode machucar, pode doer, pode demorar para se recuperar, mas dificilmente não valerá a pena quando você finalmente achar aquela pessoa que pulará contigo rumo à eternidade.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Naiara
    01.07.2016 às 10:43

    Mas que tapa matinal!!!! Me senti mais que descrita… passei da fase de só sentir a dor, e desacreditar… e entrei na fase de acreditar que posso me quebrar de novo, mas quanto mais “nãos” recebemos, mas perto o sim está!!! Vai ter um dia que ele (seja quem ele for) vai pular junto…

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    Anna Cristina
    01.07.2016 às 12:49

    Jô querida, essa é a história da minha vida nos últimos 18 anos. Eu pulei e ele não, apesar de ter me dito muitas vezes que pularia… Mas eu sobrevivi à queda, como sobrevivi a outras, e sei que um dia eu pulo novamente =)

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    Aida Camila
    01.07.2016 às 13:27

    Todo mundo anda com medo de pular ultimamente..já eu apesar das muitas fraturas por tanto pular sozinha, continuo firme e forte pulando e acreditando no amor! Um dia chegará aquele que além de pular comigo, vai me puxar pro precipício! amei o texto! Beijos!!

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    Denise
    02.07.2016 às 3:53

    A lei física que você citou só acontece dessa forma no vácuo, quando os objetos não sofrem resistência do ar.

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