11 em Comportamento/ desafio de peso/ Reflexões/ Saúde no dia 03.02.2016

Balança, saúde e compulsão alimentar: colocando ordem na casa!

2016 começou e com a sua chegada resolvi enfrentar de frente todas as minhas pendências, que vocês podem não acreditar, mas eram muitas. Como contei no post do balanço geral de 2015, em nome das mudanças emocionais que vivi no ano passado, claramente negligenciei minha saúde. Fiquei doente várias vezes – em sua maioria decorrente da minha alergia – não cuidei direito do meu SOP e também adquiri peso, ou melhor, perdi, ganhei e no fim mantive, o que nesse caso é tão problemático quanto engordar.

Era para ter sido muito frustrante terminar o ano com os mesmos 12 quilos a mais com que comecei, ainda mais que cheguei a perder metade disso no meio do caminho, mas com as muitas viagens, falta de rotina, de assiduidade na academia, dieta e juízo, tudo voltou pra mim. Pensei que contaria pra vocês que isso me deixou arrasada, me tirou o sono ou atrapalhou meus romances, mas a verdade é que nada disso aconteceu.

[ Nota da blogueira: obrigada, autoestima, pela graça alcançada!]

Além de ter levado a vida normalmente, em 2015 eu conquistei algo que passei os últimos anos tentando: controlar minha compulsão alimentar. Fiz muita terapia pra isso, troquei de terapeuta, enfrentei muitos fantasmas e mesmo que não tenha resolvido todos, me senti vitoriosa. Ainda que meus médicos estejam preocupados com meu sobrepeso atual, fiquei feliz. A verdade é que com a síndrome dos ovários policísticos não posso me dar a esse luxo e emagrecer em si é a parte mais importante do tratamento. Claro que não preciso ser seca ou sarada, mas preciso ser mais leve.

O ganho de controlar a compulsão é algo muito especial, só quem já teve algum distúrbio alimentar sabe como é maravilhoso não ter crise e/ou não distorcer a imagem no espelho. Olhar pra você e se ver exatamente como você é, sem se olhar direito ou ficar achando que está mais cheinha do que realmente está.

Infelizmente mais de 60% das mulheres jovens têm algum grau de distúrbio alimentar, é super comum ver uma menina bonita e com peso normal chorando por uma barriga que só ela enxerga. Não é meu caso atual, mas tenho consciência do tanto que isso é comum, um problema real que culmina em muitas questões e leva muitas meninas para a terapia.

Como eu descobri isso na prática? Olhando fotos de épocas que eu estava com o corpo dentro de todos os padrões que essa sociedade tenta nos impor e eu me achava gorda, achava que não namorava o cara que gostava por causa de uma micro dobra nas costas ou algo do tipo. Com alguns quilos a mais e algumas neuroses a menos tudo de melhor me acontecia, a autoestima vencia a balança. 

A verdade é que, em geral, quem distorce o corpo ao olhar no espelho não consegue ver o que está acontecendo no momento. Normalmente é preciso uma amiga, familiar ou mesmo o boy para ajudar a enxergar que existe um problema ali. E esse problema fere a autoestima muito mais do que alguns quilos a mais.

Joana

Já de dieta, feliz, com bochechas. Claro que buscando um bom angulo pra selfie, né? ;)

Deixando o contexto social de lado, vou voltar a falar de mim… Olhando para tudo isso só consigo sentir um sabor de vitória, ainda que inicialmente pareça que houve uma derrota nesse aspecto. Acho que jamais teria conseguido isso sem os aprendizados da Escola Trilha dos Lobos, muita análise e vontade de encarar minhas questões, sem medo.

Nunca me senti tão poderosa e nem mesmo conquistei tantas coisas em termos de autoestima quanto nesse ano tão conturbado. Nunca os 78 kg foram tão generosos comigo com em boa parte de 2015. Posso ter começado 2016 na casa dos 80 kg, mas só eu sei o tamanho da felicidade de passar um ano todo sem distorcer o reflexo do espelho, de me ver como eu sou, com consciência de tudo que comi e que por sinal, comi por prazer, nada veio com tom de auto sabotagem. #quecontinueassim

Nesse contexto entrei nesse novo ano com novos desafios: perder peso, sim, mas sem ficar doida, sem neurose e com muito foco para não engordar tudo de novo. Prefiro perder pouco a brincar de sanfona. Se vim vencendo a compulsão alimentar, como poderia não tentar vencer esse efeito super chato de quem vive engordando e emagrecendo?

Por isso o título “ordem na casa” é tão importante. Dizem que a vida no Brasil começa depois do carnaval… Minha meta é estar com todos os meus exames feitos, resultados em mãos e começar o ano de verdade com o pé direito, mudando o que precisa ser mudado e focando no meu corpo e saúde, tão negligenciados nesse ano que passou.

Para fazer essa arrumação, marquei uma consulta com a minha ginecologista logo nos primeiros dias do ano. A Dra. Helena Guerra está comigo há 10 anos, e além de tudo, ela faz modulação hormonal bioidêntica e por isso investiga tudo, leia-se TU-DO (beijo Dra. Helena)! Depois de inúmeros exames – juro, passei duas semanas fazendo vários exames – o primeiro passo da minha maratona está encerrado.

Com os resultados prontos, o Arthur Alegre – meu personal, que graças a Deus não desiste de mim – vai junto comigo definir o foco do meu treino. Também pretendo me convencer a entrar numa academia, para garantir que eu faça exercícios sem ele. Hoje quase não malho sem personal e sei que isso precisa mudar.

As vezes as pequenas alterações fazem muita diferença: tenho tentado escolher pratos mais leves nos restaurantes (afinal, saio mais do que deveria) e em viagens de trabalho a missão será tentar fazer exercício e/ou manter a dieta total e sempre compensar os dias em que eu não malhar (isso será 100 vezes mais difícil do que qualquer dieta ou outro ponto em questão). Confesso que estou pensando em voltar pra nutricionista, só acho que vou tentar perder um pouco sozinha antes. Tenho meu último plano alimentar da Patricia Davidson em mãos, nunca aplicado, e sou boa de organizar minha pesagem em casa. Anoto tudo.

Sei que meu maior desafio no meio de tudo é não deixar qualquer perda de peso se transformar em obsessão. Tenho pavor de gente “cega”, que vive e se auto-alimenta de obsessão pelo seu próprio corpo. Isso facilmente pode levar para os transtornos alimentares e prefiro ficar como estou, levando bronca dos médicos por causa dos exames, a viver de novo uma angústia de compulsão alimentar ou qualquer outro distúrbio.

Pelo menos em todos esses anos de luta contra a balança já tive provas suficientes de que basta minha autoestima continuar boa que tudo vai fluir perfeitamente bem. É ela que me ajuda a conquistar tudo que antes eu poderia achar, muito equivocadamente, que dependia da minha magreza.

snapchat com bochecha, com curva e tudo mais que tiver, sem medo de ser feliz.

snapchat com bochecha, com curva e tudo mais que tiver, sem medo de ser feliz.

Hoje quero me manter com saúde, com uma boa rotina, para poder aproveitar os momentos de experiências gastronômicas que a vida me reserva, não sei se confio em quem não tem prazer comendo. rs

Então, assim, junto com a quarta-feira de cinzas chegará uma nova fase de cuidados pessoais, que espero honestamente que seja bastante rica em aprendizado, conquistas e “aproveitamento” de cada etapa, curtindo o melhor e o pior do meu corpo em cada mudancinha que acontecer.

Ah! E quem quiser acompanhar um pouco das minhas loucuras ou monotonias no snapchat, segue lá: BLOGFUTILIDADES

Beijos

Jô 

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11 Comentários

  • RESPONDER
    Jackeline
    03.02.2016 às 16:38

    Jô sua linda,seu post me definiu inteira e me motivou demais.Também tenho SOP e entre perdas e ganhos,engordei quase 30 kg.Pesava 60 kg e malhava de domingo a domingo e hoje vejo que tinha um corpo lindo,mas não me via assim, sempre me via de forma distorcida no espelho e todos os meu problemas (na minha cabeça) giravam em torno da minha aparência.Hoje 5 anos mais velha e com muitos kg a mais,continuo na luta, e esse post foi o que faltava para eu procurar ajuda psicológica.Não sei por onde começar , se por um psicologo ou terapeuta ,me dê uma dica sobre isso por favor :)
    Beijos e olha,você está mais bonita do que nunca,sua paz interior reflete demais em você s2

  • RESPONDER
    Camila
    03.02.2016 às 16:52

    Jô,

    você é musa. Amo quando entro no futi e vejo que tem textão seu.

    Também sofri/sofro (batalha eterna né) de distúrbios alimentares desde muito nova. Acho que a primeira vez em que tomei consciência disso foi exatamente em função disso que você contou: vendo fotos antigas minhas com 14 anos, em uma época em que eu era muito magra (muito magra mesmo) e em que eu me achava obesa.

    Pra quem tem histórico de distúrbio é mesmo muito difícil ter uma relação saudável com a comida, e a gente tem que se policiar muito pra não ter picos de compulsão seguidos de obsessão desregrada com a dieta, etc.

    Fico muito feliz sempre que te vejo falando de alto estima e auto-amor assim. Post do tipo quentinho no coração!

    Tô inspirada e te desejo toda energia do mundo nessa sua nova fase. Luz você já tem.

    Um beijo.

  • RESPONDER
    Rafa
    03.02.2016 às 18:15

    Jô, que texto maravilhoso! É uma aula de amor próprio e autoestima. Sou super segura em vários aspectos, mas engordei uns quilos nos últimos anos e ando odiando meu corpo, a ponto de não querer ir a praia, viajar com os amigos e tal. Estou me esforçando pra não deixar isso acontecer e este ano vou cuidar e mim, cuidar da amamentação e voltar a praticar exercícios, pq sei o quanto me auto sabotei no ultimo ano e não quero que isso se repita. Bjs!

  • RESPONDER
    Lara
    03.02.2016 às 18:42

    Que texto maravilhoso e inspirador.
    Adorei tanto que imprimi para colar na minha agenda.

    Beijocas

    Lara – Portugal

  • RESPONDER
    Camila
    03.02.2016 às 20:41

    Jô, amei o texto!!! Mto inspirador!!!
    Fiquei mto curiosa sobre a Trilha dos Lobos… Você poderia escrever algo sobre…
    Me interessei mto!!!
    Bjos

  • RESPONDER
    Erika
    03.02.2016 às 21:31

    Parabéns Jô!
    Vivo um momento semelhante e torço para que alcance seus objetivos. :)

  • RESPONDER
    Tais
    04.02.2016 às 8:37


    Parabéns pelo texto tão sincero, cheio de amor próprio e auto-estima, mesmo sendo um assunto tão importante, tbm sofro de transtorno alimentar e sei que cada dia é uma luta, mais dificil que acabar com a compulsão alimentar é vencer a baixa auto-estima.
    Continue nos inspirando sempre!
    Bjs e um 2016 maravilhoso pra vc.

  • RESPONDER
    Monique
    04.02.2016 às 10:53

    Jô, não dá pra perceber nada que você engordou.
    E preciso dizer uma coisa, já tem um tempo que venho lhe achando mais bonita! Talvez seja a prova de que auto estima em dia deixa a gente mais confiante e, consequentemente, mais bonita aos olhos dos outros.

    Adoro esse tipo de post e amo a sua sinceridade e honestidade. Você me ensina muito! Obrigada por compartilhar!

    Continue assim emanando essa vibração incrível e buscando evoluir sempre!

    Mil beijos

  • RESPONDER
    Lívia Nunes
    04.02.2016 às 11:23

    Ai Jô, que texto legal!! Eu to tentando não me sentir mal por ter engordado.. já fui uns 10 kg mais magra, mas esse ano fui engordando sem perceber… é tão triste passar por isso, vc se sente tão brava consigo mesma por ter deixado isso acontecer :( Tbm olho minhas fotos antigas e penso “nossa, como eu tava magra, bonita”. mas na época, me recordo que não achava isso, nada mudou por causa do meu peso menor. É incrível descobrir isso, mas infelizmente ainda não estou conseguindo me sentir feliz com o corpo.

    Minha pergunta pra você é: eu sei que vc se “curou” com ajuda de terapia, e eu acredito muito no poder dela, mas nunca tratei sobre meu lance de autoestima/peso na terapia. Como você falou sobre isso? Vc acha que todo terapeuta sabe lidar com essa questão? Será que eu preciso procurar um terapeuta focado nesse tipo de problema?

    Tomara que vc responda! Beijos <3

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    Rafaela
    04.02.2016 às 11:25

    Olá Jô!!

    Nunca tinha pensado por esse lado…. Esse questão de olhar fotos de épocas em que estávamos mais magras e lembrar que já estava insatisfeita… isso nunca me passou pela cabeça de já ser um distúrbio…. Gostaria que vc falasse mais da compulsão alimentar, sintomas, formas de lidar… às vezes acho que tenho, outras acho que não…

    Bjos

  • RESPONDER
    Bruna
    04.02.2016 às 16:45

    Tenho SOP, tenho compulsão e me identifiquei totalmente. Sempre que tento parar com a pílula, sinto que murcho um pouco (em razão do inchaço que ela causa) e depois engordo muito, com crises de compulsão inenarráveis. Ainda procuro solução… Mas ver um exemplo de uma pessoa que conseguiu superar é muito bom!
    Quanto puder, escreve mais sobre isso!

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