12 em Beleza/ Cabelo/ Comportamento/ Convidadas/ Reflexões no dia 13.01.2016

Cabelo crespo e autoestima!

Vocês perceberam que tem muita gente incrível aceitando convites do futi para falar dos mais variados assuntos? Hoje que vai fazer isso por aqui é a Maraisa Fidelis do Beleza Interior. 

Eu realmente acho incrível como um cabelo consegue mexer tanto com a autoestima feminina. Falam que ele é a moldura do rosto, mas eu percebo que vai além disso. Vou contar minha história.

Tenho 26 anos, sou negra e tenho cabelo crespo, como todo mundo aqui em casa. Estudei a vida inteira em colégio particular onde quase sempre (salvo dois anos) fui a única negra da sala. Sendo assim, nenhuma colega de classe tinha o mesmo cabelo que o meu. Fora a televisão que na minha época não mostrava meninas com as quais eu me identificasse.

Com este início vocês já podem imaginar o que aconteceu né? Logo eu falei para a minha mãe “Queria que o meu cabelo balançasse…“. Começava então o mundo das químicas para mim. Permanente, relaxamento, alisamento…. eu passava e me sentia a pessoa mais linda do mundo. Por quê? Porque estava igual! Porque meu cabelo balançava e tinha a estrutura modificada para o mais próximo dos cabelos das meninas que estudavam comigo e que eu via na televisão.

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Foram anos usando química, sem conhecer ninguém que soubesse cuidar do meu cabelo, e sem ver pessoas com o meu tipo de cabelo natural na tv, revistas ou propagandas (a não ser referências aos anos 70. Mas sempre sendo citado como uma época que já passou e fim).

Saí do colégio, fui para a primeira faculdade, fiz um ano, saí dela e comecei a questionar o meu cabelo. Estava alisado e eu resolvi voltar para o permanente; voltei (o permanente serve para cachear os fios. Na verdade altera-se a estrutura e depois moldamos as mechas para os cachos ficarem mais abertos). Em 2013, com 24 anos, meu cabelo sofreu um corte químico, ele quebrou. Passei em menos de um mês duas vezes química e lá se foram os fios. Resolvi cortar aos poucos e deixar crescer.

Setembro de 2013 fiz o famoso Big Chop, ou o grande corte, que nada mais é do que tirar toda a química do cabelo de uma vez. Sim, isso implica em viver com o cabelo curto por um bom tempo e se acostumar com todo mundo olhando para você como se tivesse com algum problema ou doença. Mas Maraisa, você não está exagerando? Sinceramente? Não! Segurar um cabelo curto não é fácil porque as pessoas chegam e perguntam “Mas por que você cortou? Era mais bonito antes!” “Mulher não fica legal de cabelo curto!” “Por que não deixa crescer?”.

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Aí que eu lhes falo: Cabelo mexe demais com a autoestima feminina, ainda mais quando uma sociedade se acostuma a ver cabelo como símbolo de feminilidade. Para completar: cabelo crespo não mostra o seu comprimento na mesma velocidade que um cabelo liso ou cacheado. Por crescer e formar molinhas beeeeem pequenininhas, um cabelo crespo aparenta lentidão no crescimento, mas se eu puxar um fio dá para ver o quão grande ele está. Este é fator encolhimento.

O que me deixou tranquila foi a minha família me apoiar, meu namorado dizer todos os dias que eu estava linda, e minha leitoras me ajudando. SIIIM! Logo que cortei toda a química postei uma foto e disse que teria que aprender a cuidar do meu cabelo natural, coisa que não sabia. Recebi muitos comentários, ajuda e fiz amizades. Foi incrível o quanto meninas que eu ajudava até o dia anterior, me ajudaram a me sentir confiante. Passei a mostrar todo mês a evolução do meu cabelo e o que eu tinha aprendido. Tinha como meta deixar natural até o final de 2014, e hoje já tenho 2 anos e 3 meses de cabelo natural. Digo natural sem química que transforma a estrutura do fio, mas em 2015 fiquei loira. =)

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Sinceramente, eu não sabia que mostrar a minha trajetória capilar ajudaria tantas meninas. Hoje eu vejo que se eu visse outras pessoas na internet com o mesmo tipo de cabelo que o meu, me ensinando a cuidar, a história seria outra! Faço vídeos com receitas caseiras que testo, com produtos que gostei, mostrando como texturizar os fios. Tudo isso para que quem possui o mesmo tipo de fio que o meu saiba cuidar. Não é difícil como imaginei por tantos anos. Não é complicado ou chato. E além do mais: NÃO É FEIO! Me alegra ver hoje em algumas poucas revistas e na televisão, pessoas com o cabelo crespo natural! Poder se identificar com algo é maravilhoso!

Recebo emails de famílias que não aceitam o cabelo de alguém, marido que reclama quando vê a esposa sem escova, amigos que criticam a escolha de deixar natural. E sabem o que me alegra? Saber que grande parte destas mulheres não estão ligando mais para a opinião alheia e conhecendo sim o seu cabelo. É fácil largar os padrões, parar de alisar e deixar seu crespo como veio ao mundo? NENHUM POUCO! Mas é gratificante ver que ajudo a aumentar a autoestima de algumas.

Ah! Esqueci de falar! Eu acredito que cada um tem que deixar o cabelo como quiser. Se você tem vontade de ficar natural, fique! Agora se você não gosta, alise! Relaxe! Pinte! Desde que cuide do cabelo! (Por favor cuidando dos fios hahahha). Cada um tem a escolha de ser como quiser e como se sente bem. Eu mesma quis ficar loira e estou me divertindo horrores. É errado? Não! Quem disse que existe certo e errado? Existe você e seu espelho, se você está bem com ele, o resto, é resto.

Beijos

Maraisa Fidelis

blzinterior

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12 Comentários

  • RESPONDER
    Bruna
    13.01.2016 às 10:20

    Linda história, Maraísia…Parabéns!

  • RESPONDER
    Rafaela
    13.01.2016 às 10:34

    Entendo o que tu passou. Também estudei em escola particular, e apesar de ser branquinha, puxei o cabelo da minha mãe, cacheado. Na minha escola, as meninas que tinham o cabelo até ondulado, alisavam. Foi uma batalha que minha mãe passou comigo de anos me impedindo de alisar. Como eu não gostava dele exatamente porque a mídia impunha que o liso que era lindo, charmoso e feminino, não cuidava e nem fazia questão de aprender, logo chegava com ele uma zona de friz e era zoada, aí vinha o bulliyng que também não colaborava. Meus país se separaram, e fomos para o sul, para a casa dos familiares, minha tia era cabeleireira e no dia do ano novo decidi que ia fazer escova nele e descobrir como ficava. Quando terminou fiquei em choque, naot me toquei que ficaria comprido porque os cachos escondem o real tamanho do cabelo, fiquei apavorada, tentava gostar e não conseguia, o cabelo batia no quadril, e olha que sou alta. Fingi que gostei, a única coisa que posso afirmar que gostei foi a facilidade para cuidar dele, já que ainda não tinha prática e dependia da minha mãe. Quando os meus “amigos”, -colegas que me zombavam-, viram as fotos com o cabelo liso encheram o saco, ficaram bravos, e naquele momento percebi que o cacheado batia de 10 a 0 no liso haha. Claro que continuaram me zoando, as ” patricinhas” adoravam olhar na minha cara e rirem por conta do estado do cabelo, isso durou até os meus 17, ou seja, até o fim do estudos nesse tal colégio. Na faculdade foi diferente, as pessoas me elogiam e é tão gratificante, me sinto bem com ele e agradeço até hoje a minha mãe ter segurado a barra e não ter permitido que fizesse nada com ele.
    E obrigada pelo post meninas, esse realmente foi bacana para mim.

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    Tatiana
    13.01.2016 às 14:02

    Oi Maraisa! Estudei no mesmo colégio particular que você por 10 anos (reconheci pelo uniforme característico) e realmente, lá todo mundo queria ser muito dentro do “padrão”. Na minha sala também só tinha um negro…
    Adorei ler sobre a sua trajetória, você é linda e seu cabelo é maravilhoso, sempre sinto vontade de elogiar os cabelos afros que vejo, até mesmo na rua, acho tão lindo <3 Qualquer um pode ter cabelo liso, mas é impossível copiar o seu cabelo sem ter nascido com essa genética! Arrasou

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    Gabi
    13.01.2016 às 14:07

    Que linda a Maraisa! Acompanho ela há anos e fiquei muito feliz de vê-la por aqui! Eu passei pela transição capilar de agosto de 2015 a fevereiro de 2015 e cortei o cabelo “pixie” ou “joãozinho”. Hoje sou apaixonadissima pelos meus cachos e me arrependo muito de ter alisado.
    Fiz um post no meu blog sobre o período pós big chop e convido quem está passando pela transição e se interessar a dar uma olhadinha: http://gabivasconcellos.com.br/o-maravilhoso-mundo-pos-big-chop/

    beijão meninas! E obrigada por tantos posts incríveis <3

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      Joana
      13.01.2016 às 14:14

      Nossa, seu cabelo ficou lindo após o corte também! :)

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      Gabi
      14.01.2016 às 9:52

      obrigada, Jô! :D

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    May
    15.01.2016 às 18:03

    MARAVILHOSA <3

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    Maria Helena
    20.01.2016 às 22:26

    Incrível como a maioria das meninas com cabelo crespo tem a mesma história pra contar. A minha diferença é que sou branquelinha, bem alta e magra e já sofria bullying na infância só por ser a Olivia Palito da sala. De cabelo crespo então! Foi uma vida toda sendo chamada de Loirinha Bombril e coisas do tipo. Passei 18 anos da minha vida fazendo relaxamento, até que há 2 anos resolvi parar. Não tive coragem de fazer o big chop, e fui tosando aos poucos. Hoje meu cabelo está completamente natural (tirando as luzes), ainda bem curto e eu me orgulho disso.
    A diferença, de aceitação, é que as pessoas entendem e acham bonito (eu acho lindíssimo), uma negra que assuma suas raízes, sua genética. Mas uma branquelinha de cabelo volumoso foge do padrão, e é estranho aos olhos. Cansei de explicar pra taaanta gente porque meu cabelo estava diferente, porque eu cortei tanto e que sim, esse é meu cabelo natural, sim ele vai permanecer assim, e não, não quero fazer relaxamento ou progressiva pra abaixar o volume.
    É difícil pra caramba!
    Minha sorte é que hoje meu marido adora, acha lindo (só quer ele comprido de novo…e eu tbém, então tá tudo certo) e aos poucos eu vou me aceitando assim também.
    Um beijo grande!

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    Carla
    25.09.2016 às 16:14

    Algumas meninas que tem cabelos crespos e que preferem alisar, não sabem o quanto é lindo e esteticamente elegante ter um cabelo crespo. Sem falar que ao usarem química para alisar, tem grande probabilidade de causar danos à raiz do cabelo. Parabéns pelo lindo cabelo!

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    Liane
    05.12.2016 às 17:16

    É dose porque não consigo aceitar meu próprio cabelo. Não é por causa da mídia ou de qualquer pessoa falando…Sou eu mesma que só me sinto bonita e segura com o cabelo esticado na raiz. Puxa! Queria tanto me amar ao natural…ter paciência de esperar ficar todo cacheado.

    Eu fico me enganando dizendo que quando estiver na cintura, deixarei natural, mas na realidade é pouco provável que isso aconteça. Às vezes dói lá dentro. Não é preconceito, não é que eu ache bonito escovado, é uma coisa mais forte que eu. :( :/

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    Mariana
    10.01.2017 às 7:10

    Inspirador seu texto,Maraisa.
    Eu estou há um ano em transição e às vezes ainda me sinto insegura e com a auto estima baixa por conta do meu cabelo.Tem dias que ele está lindo e dias que tá muito cagado rs.E nesses dias ruins,procuro ler histórias similares a minha para me inspirar e seguir em frente até meu cabelo ficar do jeito que eu quero.
    Continue nos inspirando!E que todas nós,cacheadas,crespas ou onduladas possamos nos olhar no espelho e nos sentir sempre rainhas!

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    Seilá
    03.07.2017 às 3:05

    Cortar a Química foi a pior coisa que fiz, meu cabelo nao cresce, tá caindo horrooooores e tá super ressecado tô querendo é raspar essa merda.

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