7 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 06.01.2016

Sexo: quando menos não é mais!

Há pouco li um texto que me deixou frustrada. Sabe quando você vai lendo e seu semblante vai ficando triste? A partir dele fiquei com vontade de escrever sobre muitas coisas e uma delas foi a libertação sexual das mulheres e a possibilidade de escolhermos parceiros legais. Se o cara não se preocupa com você, ele não merece te levar pra cama. 

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Ao ler esse texto, ouvir outras histórias ou revisitar estatísticas, me vejo com vontade de falar sobre esse assunto aqui de novo. Hoje em dia ser uma mulher solteira, heterossexual e bem resolvida pode ser mais complexo do que parece. 

Como a maioria já sabe, eu tenho 29 anos, terminei um namoro de 6 anos no qual fui 100% fiel e nos primeiros momentos pós término quis ficar na minha. Depois de um tempo tive vontade começar a conhecer pessoas e nessa hora eu sabia que uma coisa seria diferente de qualquer outra época da minha vida: sexo não seria mais um tabu. Nos últimos anos andei milhas e milhas nesse quesito para chegar nessa hora e fazer tipo.

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Ok, no inicio até foi complicado ficar à vontade, mas o universo conspirou a meu favor de novo e tudo ficou bem. Quando eu vi, eu estava enxergando a “vida sexual da mulher solteira” de uma forma bem mais divertida, saudável e – por que não? – engraçada.

Para falar a verdade, senti uma liberdade ímpar em estar solteira com quase 30 anos. Parecia que agora tudo era possível. No início achei que era a idade, a maturidade, mas no fim vi que era a terapia mesmo. Sem falar na quebra de preconceitos, estigmas e dogmas que todo mundo tenta enfiar na nossa cabeça.  Eu me sentia pronta para viver a minha vida sexual conforme eu tivesse vontade, sem rótulos, de forma simples e em segurança, claro.

O que eu descobri no primeiro instante foi que nem todo cara vai dar vontade! Por vários motivos: questões de sintonia, personalidade (tem que ter talento para deixar a outra pessoa à vontade e tão cedo) alguns outros motivos não tão óbvios. As vezes dá para sentir que o cara vai ser super egoísta na hora do “vamos ver” e numa boa? Ninguém merece! Você pode até não chegar lá mas se o cara nem tentar fazer isso acontecer a frustração é inevitável. 

De uma forma geral acredito que a gente tem que confiar na intuição para escolher com quem vamos ou não vamos fazer sexo. Tive muito poucos parceiros esse ano, não posso dizer que diversifiquei como achavam que eu deveria, mas fiz só o que eu quis. Nada que deu vontade ficou por fazer, claro que não deu vontade sempre.

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De uma forma geral minhas experiências foram boas, foram poucas pessoas, alguns repetecos e muitos momentos legais. No meu caso, a mediocridade só morou onde eu escolhi não ouvir minha intuição. A única vez que fui parar na cama de um alguém que não estava muito preocupado comigo foi estranho. Quando chato é a palavra que define o sexo, tem algo muito errado na equação. 

Com essa experiência “frustrante” de falta de empenho (de ambas as partes eu diria) passei a entender os mais variados relatos de amigas. Antes esse tipo de queixa me parecia tão distante. Desde caras egoístas até a mulheres que fazem por obrigação, tudo isso é chato. Tudo isso não faz sentido algum.

Sexo está 100% relacionado a prazer, nesse momento nem estou falando do orgasmo em si, mas estou falando de sentir prazer no todo. É por isso e pra isso que as pessoas fazem sexo desde que o mundo é mundo.  Sexo envolve uma super troca de energia a dois, é um momento muito especial de compartilhamento energético. 

Então, como tem gente que não está nem aí para essa troca?

A preocupação com o prazer da mulher deve existir também na vida dos solteiros. A cada história que eu ouço de caras que encerram as atividades antes de TENTAR que a mulher sinta algum tipo de prazer, meu estômago embrulha. As vezes é preciso resiliência, no entanto, acho que só existe homem assim porque tem mulher que se contenta com pouco. Me choca perceber como existem várias que preferem continuar saindo com esses caras, que não está nem aí pra elas nessa hora.

No caso das mulheres, orgasmos podem ser vaginais, clitorianos e por isso é preciso uma minuciosa investigação no corpo da mulher. Pode demandar tempo e esforço descobrir tudo, mas não seria isso algo bom? É melhor perguntar do que ela gosta do que simplesmente não fazer nada a respeito.

Quando me pego conversando com minhas poucas amigas solteiras vejo que infelizmente nem só de pessoas legais está feita a vida sexual das mulheres à minha volta. Enquanto uns estão obstinados a dar prazer, das mais variadas formas, outros estão preocupados em empurrar a cabeça dela pra acelerar o processo do oral. Ainda bem que não passei por isso.

Eu acredito que tudo valha entre 4 paredes mas a verdade é que nas primeiras vezes você tem que ir sentindo o que a pessoa curte e prestar atenção nos feedbacks. Aliás, essa é uma coisa muito importante, prestar atenção na reação e no que a pessoa gosta pode fazer toda a diferença na cama. Isso pode ser bom até mesmo para te dar armas pra ganhar confiança, porque do mesmo jeito que existem homens que não estão nem ai, existem mulheres que não relaxam nunca, que estão sempre inseguras.

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Em geral o problema não é a pegada, mas sim o desinteresse. 

Nós não podemos nos contentar com pouco, o esforço tem que ser mútuo. Se o cara não se preocupa contigo, por que continuar com ele? Isso é apenas um indício de que algo não vai bem nessa relação, a cama é apenas um reflexo do todo. Pode apostar nisso… O cara que é egoísta no sexo provavelmente será egoísta em outros quesitos. 

Com tanto cara legal querendo agradar por vontade própria, pra que as mulheres se convencem a ficar com caras que não têm esse cuidado? Isso é uma pergunta séria que ronda minha cabeça. Por que pior do que o cara não estar nem aí, é ter mulher que acha isso tranquilo.

Bom é o cara que faz a mulher ter vontade de voltar. E não por carência, ou por  procura de um marido, mas simplesmente porque é bom. É quando a entrega é mútua  que a mágica acontece. 

Uma vez uma amiga muito discreta me disse uma coisa: Sexo é uma eterna aprendizagem. Então por que perder seu tempo aprendendo com alguém que não consegue obter êxito em uma conta simples de somar? Eu quero mais é gabaritar prova de equações difíceis, ainda que pra isso seja preciso muito treino. No meio tempo podemos precisar usar o x com a incógnita de química ou elevar tudo a um maior grau de intimidade, mas acredito que sempre valha tentar.

Pode parecer óbvio para a maioria de vocês, tomara que pareça mesmo, mas muita gente esquece que sexo bom envolve reciprocidade, além de química, claro!

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Como sexo é uma coisa muito orgânica, existirão dias e dias, episódios e episódios e por fim, as coisas não serão iguais sempre. Dias ruins existem na vida de quem tem um relacionamento ou mesmo de quem vive sexo casual, mas como em tudo na vida, o que vale é a intenção.

Eu só espero que o mundo se obrigue a se acostumar com mais. Que sexo oral seja uma ferramenta de agradar o outro e não de obter algo em troca. Que a gente pare de tentar pagar as coisas na mesma moeda e comece a se jogar, se divertir e buscar o prazer de todas as formas, sem rótulos, sem preconceitos ou medos.

Acredito muito na sintonia e no instinto daquilo que combina, que é recíproco e prazeroso. Todo mundo se acostuma com coisa boa, é assim que tem que ser. Espero que em tempo de tantos textos de empoderamento feminino, o mundo se torne mais prazeroso para todos os gêneros em 2016. 

Beijos

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7 Comentários

  • RESPONDER
    Letícia
    06.01.2016 às 10:32

    Oi Jô!
    Ótima análise!
    Sobre sua questão do “por que as mulheres aceitam ficar com caras egoístas?”, eu acho que posso contribuir um pouco para responder.
    Nós, desde que o mundo é mundo, fomos criadas para “satisfazer” os homens no sexo. E enquanto os nossos irmãos (primos, amigos, etc) cresceram ouvindo dos pais “Você tem que ser o garanhão!”; “Pega mesmo, filhão, é isso aí!” ou “Cuidado, meninas! Meu filho tá na área”, nós crescemos sendo reprimidas: “Quem dá no primeiro encontro é piranha”; “Tem só 11 anos e já beijou na boca? Xiii!”; “Homem é assim mesmo, às vezes trata mal mas é sinal que gosta de você”… O que para um homem é normal e incentivado, para nós é absurdo e reprimido.

    Difícil não crescer achando que devemos aceitar relacionamentos egoístas, que devemos nos contentar com migalhas. É um esforço muito grande o que nós fizemos para nos libertar dessas correntes, que prendem a maioria de nós até hoje.
    O seu texto é libertador, não só para você. Ele demonstra que estamos em uma nova fase no que diz respeito à libertação (sexual, psicológica, social) e igualdade da mulher: podemos fazer, ser, pensar e viver da maneira que bem entendemos e ninguém tem nada com isso.
    Porém, as nossas mães ainda nos criaram com esses “valores” (palavra merda pra definir opressões de gênero, né?) e nós crescemos achando que é isso e ponto final…

    Ainda temos um grande caminho a trilhar, até todas as mulheres se libertarem dessas amarras, mas tenho certeza de que seu texto está contribuindo muito para isso.

    beijos.

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    Gabi
    06.01.2016 às 10:35

    Adorei o post, Jô! Realmente, sexo é prazer e nós, mulheres, precisamos parar de achar normal não sentir prazer, sentir dor, ou acabar uma transa totalmente insatisfeita. É uma libertação muito importante!
    Beijos

    http://gabivasconcellos.com.br/

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    camila
    06.01.2016 às 11:53

    U A U…AMEI O TEXTO!!!

  • RESPONDER
    Erica
    06.01.2016 às 13:53

    Jo!
    Como sempre, você abre seu coração e ajuda muita gente! E hj resolvi passar por aqui e dar meu ponto de vista…
    Sexo é perfeito e foi feito para ser feito a dois com toda a plenitude que isso engloba. Duas pessoas que se interessam mutuamente e que buscam a realizaçao do outro em tudo. E não existe nada melhor de ter alguém que cuide de você em tudo! e na cama tb!
    Acho que sexo “perfeito” é fruto de experiências contínuas, repetecos e repetecos, uma relação construída fora da cama, que se confirma perfeita, nela (na cama). Por isso muita gente busca sexo perfeito e respeitoso em relações soltas, mas acredito que a melhor forma de viver a plenitude do sexo é ter um parceiro que te respeite tanto, que mereça dividir sua intimidade com você, e seja tao seu, que queira ser só seu.
    Nao adianta falarmos que valores são ultrapassados, acho que o que tem valor mesmo, nunca desvaloriza… se a mulher sabe quem é, não é vergonha querer ter marido, alguém que cuide de você, e que você cuide dele… alguém que esteja disposto a dar tudo por você e você a respeitar ele!
    Acho que relações saudáveis se constroem fora da cama, e culminam em uma intimidade perfeita na cama, assim como Deus planejou. =)

    PS: sem intenção de polemizar.. só deixando o meu ponto de vista – obs: casada há 15 anos e 100% fiel aos mesmos 15!
    Bjoooo!!!

  • RESPONDER
    Sil
    06.01.2016 às 16:12

    Excelente texto! Agora eu acho que a idade influi um pouco sim nessa libertação, especialmente em uma sociedade machista conservadora como a nossa. Eu fui criada por pais que foram até super liberais, eu não me lembro de perguntar de onde vieram os bebês, eu li sobre camisinhas femininas e minha mãe comprou para me mostrar (meu pai aproveitou e levou a outra para mostrar no consultório), quando eu fui na ECO 92 já com idade de 2 dígitos mas menos de 14 anos, meu pai fez questão que eu parasse na barraca sobre sexo seguro e eu aprendi o que tinha para aprender sobre como colocar uma camisinha. Nunca achei que vim da cegonha. E o mais bizarro, aos 15 anos descobri que Adão e Eva não foram expulsos do Paraíso por terem comido uma maçã literalmente… Enfim, acho que nesse ponto meus pais cobriram bem a parte que muitos pais preferem nem falar com os filhos. Mas eu também ouvi que sexo tinha consequências e que eu deveria estar preparada para lidar com elas quando decidisse iniciar minha vida sexual. E essas consequências nem envolviam ficar mal falada, eram a questão de uma gravidez indesejada ou de doenças.
    Agora vamos pensar se eu fosse um menino: eu precisaria lidar com a gravidez? Não né? Eu poderia ser mais um babaca que abandona a menina. E quanto as doenças? Sim, homens também ficam doentes mas eles não costumam ter HPV sintomático, por exemplo, são na maioria das vezes apenas hospedeiros que transmitem a doença para outras pessoas. Sem falar que hoje com os nossos antibióticos tem que ser muito idiota para morrer de doença sexualmente transmissível, enquanto as meninas ainda são assustadas com a história de que vão ficar estéreis…
    É por isso que eu acho que nós temos que ser mais velhas e mais bem resolvidas – como fazer terapia por exemplo – para fazer sexo sem culpa. Seja de forma monogâmica, seja solteira ou sexo com vários parceiros. O importante é ser feliz e fazer pq está afim!
    Você falou uma frase que parece que tirou da minha cabeça “Sexo é troca de energia”! Caraca Jo, eu digo isso tantas vezes! Existe a relação mecânica, aquela para “agradar” o parceiro, mas onde pelo que eu entendo parece algo que nem sempre é prazeiroso. Não vou mentir, sexo já foi algo complicado para mim por causa da endometriose (assunto para outro dia) mas nunca algo “obrigatório”. E vou além, não é pq duas pessoas são casadas e tem uma química incrível que todo dia elas vão ter necessariamente vontade, especialmente no caso das mulheres que precisam de um pouco mais de estímulo. Mas gente, quem tb nunca teve um marido que chegou de uma maratona de sei lá quantas horas de trabalho, exausto e o que o cara quer é apenas ficar do seu lado? Ter sua companhia?
    Solteiras e casadas, SEXO não é um botão que a gente liga! Acho que todo mundo adoraria que fosse, mas envolve tantas coisas… E outra INTIMIDADE vai bem além de só e simplesmente SEXO.
    Beijão e de novo parabéns pelo texto! <3

    PS: Acho que por isso que eu implico tanto com o Livro 50 tons de cinza, ele trata a libido e o sexo de forma muito irrealista.

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    Wal
    06.01.2016 às 16:41

    Jô, que delícia de texto!

    Deu para sentir plenamente o quanto você está confortável com a situação e lidando com isso de uma forma prazerosa, que bom!

    Eu sempre fui do time que defende que se deve falar de sexo abertamente com o parceiro. Descobrir novas formas, tentar realmente chegar a um estágio que agrade a ambos. Mas é um tema que, infelizmente, ainda é um tabu… Mas vamos chegar lá (em vários sentidos! hahahahaha). Casei com o homem com que mais me sinto feliz (em vários sentidos também) e que se preocupa, verdadeiramente, com o meu prazer. É tão bom! Desejo o mesmo a você!

    Um beijo!

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    Marina Dutra
    07.01.2016 às 11:22

    Jô,
    como sempre seus textos são ótimos e honestos! rs.
    Bom.. me considero uma pessoa bem resolvida no sexo e no meu relacionamento.Transar com seu namorado de longa data é bem diferente que com um cara que você está apenas ficando. Claro, tem a questão do sentimento, da liberdade e tal.. mas… não é toda transa que é romântica, com velas e música no fundo! Tem horas que você quer aquele sexo carnal mesmo, ou aquele sexo divertido, despretensioso, ou até mesmo aquela rapidinha. Mas o ponto mais importante é que eu fico super excitada em proporcionar prazer ao meu parceiro.
    Sexo é uma troca mesmo.. de prazer, sentimentos e sensações. Quando apenas um faz e acontece, fica estranho, sem graça. Mas voltamos a questão da sociedade machista e do posicionamento das mulheres – inclusive na cama. A questão da mulher que transa no primeiro encontro, a questão do “eu posso fazer isso com o meu namorado, mas com um ficante não”, e a tradição de mulher pra casar não faz isso, que está – infelizmente – arraigada no pensamento dos indivíduos. A mudança está acontecendo, isso é incontestável, mas estamos há anos luz de distância para mudar nossa “essência”. Nós nos posicionamos em tantas situações, por que não se posicionar na cama? Eu gosto disso, ou aqui não.. ou incitar o seu parceiro a fazer aquilo que você quer, retribuir o carinho… Claro.. homens babacas existem em todo lugar do mundo, se não rolar química, ou o cara for prepotente demais.. tchau! Tenho uma amiga que já chegou a ir no motel e não transar com o rapaz (confesso que não sei se teria essa “coragem”) pois não gostou da postura dele em dado momento. Tenho outra amiga que diz que sexo com parceiros que não são namorados complica tudo! Enfim.. Acho que levar com leveza essa situação é o melhor a se fazer! Parabéns pelo blog!

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