8 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 11.06.2015

Em um relacionamento sério comigo? Não, com meu celular.

Quando eu fui para a Chapada Diamantina, passei por alguns momentos tão legais que só depois fui me dar conta que esqueci de olhar o celular durante 3 ou 4 jantares seguidos. Fiz um Periscope, olhei o email uma vez, mas nada comparado aos meus padrões normais. Sabem do pior? Na hora nem percebi nada de diferente, só com o passar dos dias é que me dei conta do quanto isso foi fora da curva.

A gente nem nota, mas é difícil viver o aqui e agora. Principalmente para pessoas que, como eu, trabalham com internet. As redes sociais e aplicativos como whatsapp são ferramentas imprescindíveis para a vida profissional quase que 24 horas por dia, 7 dias por semana. Estamos sempre conectadas e de certa forma, estamos sempre trabalhando. Quando não estamos ficamos ali, apenas jogando conversa fora com os amigos, mas sempre online.

celularTudo isso era tão orgânico na minha vida que eu nem notava. Quantas madrugadas passei falando de trabalho com minhas amigas no chat? Muitas, várias fantásticas, algumas outras apenas por hábito, puro vício.

Fico me perguntando como sobrevivi sem celular quando fui para Madri sozinha em 2008. Me lembro de guardar um cartão de telefone público para ligar para minha mãe e contar as coisas mais emocionantes que eu estava vendo e vivendo. Isso parece uma coisa do século passado em 2015.

Hoje tudo mudou e quando eu passo por momentos maravilhosos, sei que é só apertar alguns botões para dividir sensações e sentimentos com meus amigos ou com os seguidores do instagram. Confesso que nessas horas eu vejo uma super vantagem na modernidade, mas como sabemos, nem tudo são flores.

O desejo de compartilhar algo bom (ou até mesmo ruim) se mistura com o hábito e a vontade de saber que estamos sendo lidos a todo momento acaba virando um vício. No fim, a gente acaba achando que o celular precisa ser uma extensão do nosso corpo, tanto que muita gente não consegue nem dormir longe dele, e isso não pode ser normal.

phonto 3Se a geração dos 30 e poucos anos está assim, como será a geração de crianças viciadas em Ipad que está por vir? Quando chegarem na minha idade estarão todas fazendo algum processo de reabilitação para aprender a levar a vida offline? Essas questões me assustam.

Para mim é muito complexo escrever sobre isso, sobretudo porque não vou deixar de postar coisas legais no meu instagram, snapchat, twitter, facebook ou qualquer outra rede social viciante que inventarem. Mas por mais paradoxal que possa soar, gostaria de deixar meus emails, whatsapp e outros meios de comunicação mais distantes de mim, pelo menos fora do horário comercial, em casa ou mesmo quando estou na companhia dos amigos.

Quem me conhece sabe que eu tenho muitas amigas e amigos, sempre fui de fazer inveja nesse quesito, mas pela primeira vez na vida venho me sentindo sozinha. Meu namoro acabou há pouco tempo, as coisas estão diferentes e eu estou me adaptando. Por mais que a maioria dos meus amigos esteja super presente virtualmente, eu me dei conta do quanto estou dependente do online. Notei o quanto perdi o hábito de me conectar com quem está comigo, dar boas risadas e esquecer, mesmo que por algumas horas, um aparelho chamado celular (pelo menos nos fins de semana).

Há alguns anos comecei a me ver como uma pessoa que se importa com a consciência, com o aprendizado desta vida, com a espiritualidade e busca paz, além de felicidade nas pequenas coisas. É engraçado o quanto viver colada no celular não combina com nada disso da minha essência de “buscadora”.

Outro dia estava andando no shopping numa véspera de feriado e notei o quanto o celular camuflava aquele meu momento de solidão. Claro que também existem muitos momentos de solidão acompanhado, mas ali eu pude notar que eu estava fazendo da conexão “uma muleta”.  Fato é que o celular é uma arma potente para deixarmos as relações de amizade, amor ou família amornarem. Com eles escapamos por alguns minutos (ou mais) e deixamos de viver o tão cobiçado presente, a vida é tão fugaz que precisamos aprender a fazer mais para aproveitar o hoje. Para ser feliz agora.

celular-3

Acho maravilhoso termos internet o tempo todo, podermos postar, dividir, nos conectar ou mesmo fazer hora esperando o embarque do avião, mas não podemos transformar tudo isso em dependência, essa possibilidade é que me assusta. Não pelo vício em si, mas pelo fato de deixarmos o aqui e o agora passar.

Tenho medo de me confortar com o fato de que falo com 90% das pessoas que amo através do celular e não me dar ao trabalho de vê-las. Não quero que o abraço apertado, o carinho ou mesmo a risada da piada que só pode ser contada de forma presencial se percam na falta de tempo.

Se tem uma coisa que eu decidi é que não quero passar pela vida de forma acomodada, nem comigo e nem com aqueles de quem eu gosto. Quero usar a internet para fazer manutenção de relações, mas não quero que ela seja o canal principal de convivência. Quero marcar um bar, um jantar ou cinema com todo mundo que importa pra mim, quero andar pelo shopping sozinha sem sentir que preciso estar acompanhada da conexão do celular, quero sair com as pessoas e conversar com elas, não com as outras que estão no celular no mesmo momento.

Quero usar todo o lado bom do mobile, quero mesmo, mas também quero aproveitar a vida de tal forma que as vezes eu venha a me esquecer do que acontece naquele aparelhinho do qual sou tão dependente. O 4G e o wif-fi são fundamentais, mas não podem substituir a vida real.

Então, sim, eu tenho um relacionamento sério com o meu telefone, mas não me orgulho muito desse meu “status”.

E qual é o status de vocês nesse relacionamento?

Beijos

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8 Comentários

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    Gil
    11.06.2015 às 10:08

    Oi Jô para nós que temos blogs o vício só aumenta kk eu amo estar atualizando o meu blog e nunca entro em redes sociais e como eu trabalho não consigo usar toda hora do meu dia :( e no final de semana nunca uso nada porque fico com meu noivo <3
    Jô, me visita também:
    http://www.gilvaniaevans.com

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    kammy
    11.06.2015 às 10:34

    super concordo, estou diminuindo mto meu vicio no whats
    afff as vezes passo 1 hora direto acho o cumulo… rsrs

    bjos
    kammy
    Comer, Blogar & Amar | Meu Canal YT

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    Camila Arcanjo
    11.06.2015 às 11:19

    Descobri que estava viciada quando cheguei em casa ontem e o wi fi de casa estava em manutenção e a rede 3g não estava funcionando….. foi um desespero….

    Acho que todos nós precisamos nos desconectar…. nos escondemos atrás das desculpas da falta de tempo, distância para dizer que usamos a tecnologia a nosso favor e nos manter conectadas com esse mundo…. Posso dizer? Mentira…. vá com sua amiga a um bar jogar conversa fora, não manda um whats…. liga pra saber como sua tia está, não manda um email… Tempo todos nós temos, vai de como gerenciamos ele e como transferimos a nossa responsabilidade para a tecnologia

    =)

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    Marcela
    11.06.2015 às 17:38

    Jo, nao sabia que tinha terminado o namoro … Sempre um momento tão delicado, muito força pra você, Deus está preparando muitas coisas boas!

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    Silvia
    11.06.2015 às 17:40

    Aqui em casa o celular é muitas vezes nosso “cérebro auxiliar”, eu sou viciada em IMDB e Wikipedia, risos! Acho ótimo poder ter informação ao meu alcance. E apesar de até o Erick, meu relacionamento mais duradouro ter sido com um celular, ele não era um smartphone, o que mude MUITO a utilização do mesmo! =)

    Confesso que acho prático poder estar a um alcance dos meus amigos, especialmente agora que moro longe da maioria. Mas já dei ataque de “Piti” pq o Erick estava entretido lendo algum site e não me deu atenção. Então acho que o problema não são só as redes sociais ou as mensagens, mas a internet como um todo! Se não soubermos usa-la para o bem, viramos dependentes totais dela!

    Mas AMO meu celular e acho prático poder tirar foto, ouvir música, ler, jogar e até falar com alguém nele! Risos! Não acho que sou viciada e só fico olhando ansiosamente se estou esperando alguma informação. Na maioria das vezes que saio com alguém, costumo colocar o celular no silencioso e não o único aplicativo que me avisa algo é o Whattsapp. De resto, tirei as malditas bolinhas vermelhas para não me estressar. Entro quando eu quero e posso!

    Beijos!

    PS: As crianças que nascem com tablets vão virar adultos mais viciados nos tais livros de colorir que a maioria dos adultos de 30 anos de hoje! ;D

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    Rosangela
    13.06.2015 às 22:52

    Jo,

    Nossa, sinto exatamente isso. Hoje eu fui ao cinema assistir um filme so. Tbm terminei um noivado de 8 anos e pense em como estou me sentindo só?

    Teno muitos amigos no whats e vida virtual, mas na realidade, quando quero sair com alguem essas pessoas não sao tão proximas assim, entende?

    Poxa, isso é tão maluco e nem sei como agir… sinto falta de sair com amigas, de bebericar num bar, essas coisas que faziamos antes de um mundo tão virtual como esse nosso!

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    Heloisa Carvalho
    16.06.2015 às 9:49

    Tá aí uma coisa que não me prende! Eu era bem mais viciada quando adolescente, e olha que só tinha SMS, nada de internet… Hoje, quando saio, reparo que tá todo mundo com a cara colada no telefone – esteja sozinho ou acompanhado. Eu me sinto “a estranha” por andar sozinha (meu marido trabalha fora do país) e não estar com o celular na mão… Adoro internet e redes sociais, mas hoje não é algo que me prenda. Teve um tempo que meu marido estava viciado e eu reclamei com ele, porque saímos pra jantar e em vez de falar comigo, ficava no celular. Depois disso ele percebeu e se corrigiu. Então meu relacionamento com o celular/internet é só um flerte tímido, rsrs.

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    Tatiana
    17.06.2015 às 20:19

    Quando a gente termina um namoro, então… É uma faca de dois gumes! Porque ao mesmo tempo que o celular te ajuda a distrair, a afastar a solidão que é jantar sozinha domingo a noite, a chamar as amigas pra sair, também torna muuuuito mais fácil apertar uns botõezinhos e entrar em contato com a pessoa ou descobrir, em alguma rede social, uma novidade.
    Ano passado fui “obrigada” a desapegar do celular porque fui assaltada e fiquei alguns dias sem um aparelho que me permitisse acessar a internet. Foi uma reabilitação forçada, mas serviu pra mostrar que dá pra viver sem celular. Você só fica um pouco desinformada, mas as notícias importantes de verdade, as pessoas vão te dar, de um jeito ou de outro.

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