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0 em Autoestima/ Convidadas no dia 22.08.2017

Enxergando a beleza em um dedo torto

Sempre digo que beleza é muito mais do que um corpo dentro dos padrões. Beleza tem a ver com quem somos, nosso jeito, nossa história e nossas lutas, inclusive. Mas acredito que é a capacidade de colocar em prática essa teoria que faz toda diferença.

Escrevi e reescrevi esse texto mil vezes, deixei guardado e demorei alguns dias pra achar o momento certo de expor um pouco da minha história. Entendi que não tem isso de momento certo e que o medo e a vontade de se preservar sempre existirão, então, escolhi fazer diferente. Escolhi que podia começar a contar um pouco da minha história colocando todo meu coração aqui, mesmo me sentindo muito vulnerável.

Eu tenho um dedo torto, na mão direita. E por muitos anos tive vergonha dele.

Quando eu era mais nova passei por algumas situações violentas. Em uma delas, ao me defender, o meu dedo quebrou. Durante a cicatrização, rolou uma calcificação e ele ficou torto e com um calombo. Era doído olhar, não só por ter ficado deformado, mas por toda a história que ele me fazia lembrar que vivi.

Achei que sempre seria assim. Mas com todo esse processo de me conhecer, que passei nos últimos anos, comecei a entender que eu era mais do que um corpo e que beleza era mais do que perfeição. Entendi que beleza tem todo um contexto, e isso me fez aprender a olhar pro meu dedo de uma outra forma.

Hoje em dia, não vejo um dedo torto, vejo a menina que sobreviveu à uma história difícil. Aquela história, aquela cicatriz, me fizeram ser a mulher que sou hoje, um mulherão da p****, que tenho muito orgulho ‘by the way’. Como não achar bonito, então??

É torto, tem um calombo, mas acho lindo, porque me lembra todos os dias que sou tão forte quanto aquele dedo. Não mostra mais fraqueza ou imperfeição, mostra força. Não é um defeito, é um pedaço de mim, da minha história. Não é feio, é incrível. E imperfeito. Real. Humano.

Ainda não consigo expor muito da minha história, esse foi o primeiro pedacinho que fiquei confortável para isso. Acredito que contar sobre como eu mudei a forma de lidar com essa imperfeição pode, de alguma forma, inspirar mais pessoas a tentarem se olhar por um outro ângulo também.

Somos mais do que um corpinho dentro de um padrão que foi estipulado, somos imperfeitos mas incríveis mesmo assim. Que sejamos capazes de enxergar tudo isso em nós.

2 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 21.08.2017

Um novo olhar sobre fotos antigas?

Outro dia queria ilustrar um post com fotos antigas, buscava relatos fotográficos de viagens que aconteceram há algum tempo e eu me peguei agradecendo a maturidade alcançada ao longo desses meus 30 anos.  Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas como aconteceu comigo resolvi compartilhar aqui no blog.

Jeri 2009 | me escondendo em todas as fotos da viagem

2009 em Paraty

Disney 2012 | Pra você um corpo comum? Na época para mim era um corpo imperfeito e inadequado

Passeando pelos arquivos me dei conta de que coisas antes muito grandes hoje se tornaram pequenas. Fotos “impublicáveis” na época, hoje provavelmente se transformariam em posts cheios de amor, autoconhecimento e, acima de tudo, autocompaixão. Percebi que muito do “material não utilizado” é na verdade um tesouro que me permite enxergar meu novo olhar para comigo. Muitas das fotos estavam ótimas, lindas e cheias de luz, eu só não conseguia ver. O olhar viciado em procurar defeitos que me faziam achar que eu não atendia à perfeição não me deixava enxergar aquela foto crua, sem edição.

Londres 2015 | um dos pesos mais magros, mas uma viagem cheia de photoshop para “ajustes finos”

Pra que? Nem eu sei bem. Coisas do antigo olhar contaminado pelo meio.

Era só uma dobrinha, uma gordurinha, uma postura estranha ou um cabelo bagunçado, e nada disso me definia. Em muitos dos casos nada era tão ruim quanto parecia, muito pelo contrário, muita coisa era mais bonita do que eu tinha capacidade de ver.

Atualmente, buscando viver de acordo com minha experiência no “papo sobre autoestima” me vejo abrindo mão desse olhar viciado. Me vejo num processo libertador para conseguir ver os detalhes do tamanho que eles realmente são. Mas vejo como é curioso como conseguimos enxergar de maneira mais clara quando fora da situação, não é?

O que me parece mais curioso de tudo isso é que sempre pensei que esse novo olhar faria diferença como me vejo daqui pra frente, nunca pensei que ele me faria olhar com outros olhos fotos antigas, momentos passados. Me deu uma vontade enorme de salvar tudo e fazer uma surra de posts com fotos que saíram da pasta de odiadas para as adoradas, simplesmente porque ajustei as lentes com as quais me olho.

Santorini 2013 | o que tem de errado com a foto? Também não sei.  Todas as fotos eram super tensas e recortadas.

18 dias de viagem e uma foto que não era enquadrada num recorte estratégico, ainda bem porque eu amei.

Nessa viagem do tempo as fotos que eu corrigia ou simplesmente não postava me fizeram ver como eu vivia achando que eu não era boa o suficiente. Vivia aprisionada nessa busca – inatingível – por essa tal de perfeição. Era cansativo e muito difícil alimentar amor próprio com tanto sentimento de inadequação no que diz respeito à minha imagem, meu reflexo.

México 2015 | Riviera Maia e uma foto nunca postada no caribe

É maravilhosamente empoderador me ver livre de tanta mania de buscar defeito. É libertador olhar pra essas fotos antigas e ver que esse hábito não faz mais parte da minha caminhada consciente e se eu fraquejar, logo irei me lembrar de ajustar o olhar.

O que era bonito em 2010 ou 2012 não é exatamente o que a sociedade acredita ser belo hoje. O padrão de beleza se redefine e a gente quer acreditar que cada vez mais ele será menos excludente, cheio de formas, texturas, cores e tipos de beleza.

São Francisco 2014 e eu estava muito maravilhosa sem saber!

A versão postada dessa foto teve um leve photoshop no braço, mas precisava? Na epoca parecia que sim, hoje? jamais.

Meu único arrependimento com relação a essas fotos é saber que eu não tinha consciência do potencial de beleza e luz que aquela menina retratada ali tinha. Espero que a Joana do futuro enxergue toda a luz que busco sentir e emanar na minha versão de hoje, brilho esse que transcende os padrões, as regras e essa tal perfeição.

PS: sim, eu também não consigo ver nada demais nessas fotos atualmente.
Ainda bem.
Hoje não mexeria em nada de nenhuma delas, postaria todas.
1 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Convidadas/ Reflexões no dia 21.08.2017

Sobre viver histórias

A cena aconteceu em Nova York, onde passei uns dias entre trabalho e férias. No Upper East Side, que foi minha casa por uma semana, na estação do metrô da 72st, um metrô bem novo e moderno com uns murais feitos de mosaico.

Uma certa manhã, enquanto descia a escada rolante, vi uma senhora tirando fotos dos mosaicos com sua câmera compacta. Eu, que já gosto de registrar tudo que vejo, fiz um foto com meu celular, mas vendo a cena não consegui ir embora e continuei observando.

A senhora sorriu pra mim e começamos a conversar (coisa que pra mim não é difícil rsrs). Me contou que se chamava Peggy Thompson, tinha 86 anos, que era de outra cidade mas estava fazendo turismo em NY, sua cidade favorita. Me apaixonei na hora pela Sra. Peggy e continuamos conversando. Foi aí que ela me contou mais um pouco sobre si. Me disse: “tenho câncer de mama e estou de férias da quimioterapia esta semana. Amo viajar e aproveitei pra vir aqui porque não sei se essa é a última viagem da minha vida.” Nessa hora a garganta entalou e os olhos marejaram.

Contei que era fotógrafa e pedi licença para fotografá-la. Ela também fez o meu “book” e ficamos ali, fotografando uma a outra. Depois que a sessão mútua terminou, falamos mais um pouco da vida e nos despedimos.

Fui embora emocionada. Por ela, por este encontro e porque realmente esse é o sentido da minha vida de viajante. Viver, conhecer gente, contar historias.

A senhora Peggy não é somente alguém que eu conversei por 15 minutos, ela virou uma pessoa que eu vou lembrar para sempre, nesses dias em que eu perambulava pelas ruas de Manhattan sentindo que o mundo me pertencia. Ela também é desses seres mágicos que te fazem ver a vida com poesia até o último segundo e que você agradece a oportunidade de cruzar com esse tipo de pessoa. Tomara que possamos viver uma vida plena curtindo tudo que ela nos oferece porque um dia acaba.