22
mai
2015

Raio X de um relacionamento aberto!

Lifestyle, Reflexões
Hoje temos mais uma convidada muito especial pra nós duas, a Tay! Ela é uma mulher incrível e não poderíamos estar mais felizes da confiança que ela tem em nós, blogueiras  e leitoras do futi!

Eu estou com o Thi há dez anos e somos casados há quase sete. Temos um relacionamento super saudável, respeitoso e bem comum. Tirando o fato de que eu, desde sempre nunca acreditei que amor e monogamia são duas coisas que estão necessariamente atreladas. E por conta disto, temos um relacionamento aberto. Pois é… Sei que isso foge totalmente daquilo que a gente aprende em casa, que praticamente nos impõe um relacionamento heteroafetivo e monogâmico, por isso foi um processo longo de eu entender isso e ser algo ok pra mim mesma, para então apresentar isso aos meus namorados/parceiros. Tudo isso porque acredito naquela máxima de que “casado não é capado”. Pra mim, entendo que eu posso ter ficado a fim de alguém, até rolar algo, e nem por isso meu amor pelo Thi diminuir e vice-versa. Pelo contrário, cada vez tenho mais certeza de que é ele que eu amo e é ele quem eu quero que esteja sempre ao meu lado.

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Tenho essa ideia de relacionamento desde sempre, sempre falei a respeito com meus namorados anteriores e eles me achavam louca, torciam o nariz e falavam: ”ah, então eu vou sair pegando uma a cada esquina pra você ver se gosta disso”. Eu comecei a ter esse tipo de ideia por volta dos meus 17/18 anos, e uma vez, nessa época mesmo, conversando com o meu pai a respeito ele falou uma frase que nunca me esqueci: “o ser humano não é monogâmico por natureza, isso é imposição da sociedade”. E eu fiquei pensando nisso, refletindo a respeito. Vale um adendo: meus pais são casados há 39 anos e tem um relacionamento ótimo, muito sólido, sem brigas e sempre foram um super exemplo pra mim – mas minha mãe é super certinha quanto a esse tipo de coisa e tenho certeza que não concorda com um relacionamento como o meu. E antes do Thi, eu nunca consegui ter um relacionamento aberto, mas sempre abri meu ponto de vista a todos os meus namorados, mas a maioria não concordava. Só com o Thiago que passei a ter esse tipo de abertura.

A ideia deste tipo de relacionamento foi minha e a reação inicial, como usualmente acontece, foi de estranheza. Mas acho que ele começou a pensar melhor e viu que não tinha nada demais. Uma vez, no Carnaval de 2006, tinha uma menina que ele achava linda e eu disse: “vai lá e chega nela”. E ele me olhou com a maior cara de espanto – hahaha – e eu disse: ”quer que eu vá lá e chame ela aqui?”. Acho que depois desse dia ele passou a ver que minha postura não era só da boca pra fora, que eu acreditava mesmo que essas coisas poderiam acontecer sem abalar em nada o que sentimos um pelo outro.

E hoje temos isso muito claro entre nós. Temos essa liberdade e esse respeito um com o outro. Pra vocês terem ideia, uma vez eu mesma fui comprar passagem pra ele ir pra Florianópolis se encontrar com uma menina que conheceu pela internet. Ele ficou lá coisa de uma semana/10 dias e depois estava aqui comigo. Mas já me habituei com as pessoas olhando esse tipo de coisa com estranheza, consideram traição. Mas eu acho que traição é algo tão maior e mais profundo do que beijo e sexo. Até porque trair é quando fazemos algo que “não está no contrato”. E se pra gente tá tudo certo, tudo ok, é qualquer coisa, menos trair, né!

E aí que volto a bater na mesma tecla: eu acho que não é porque você está com alguém que você deixa de achar outras pessoas bonitas e atraentes, de sentir tesão por outras pessoas. E a verdade é que todo mundo sente isso, mas reprime, porque os outros não vêem com bons olhos. E em muitos casos ficam frustradas, fazendo tudo em pensamento, ou em outra hipótese se jogando em pornografia às escondidas, ou até mesmo, partindo pras vias de fato e traindo de fato o seu companheiro.

Sempre que alguém me questiona, quer me apontar o dedo, dizendo que esse tipo de relacionamento é absurdo, eu logo rebato perguntando quantas pessoas casadas ou comprometidas que traíram ou foram traídas ela conhece? E bingo, meu ponto está explicado. Porque vontade a imensa maioria tem: uma parte reprime a outra acaba traindo. No nosso caso, acho que a vantagem é sermos menos encanados com coisas que outros casais encanam, consequentemente levarmos uma vida mais leve.

Porém, isso não é uma coisa que a gente vá abrindo a qualquer um, exatamente porque é um assunto delicado, além de ser profundamente íntimo e só dizer respeito a nós dois. A gente até já deu algumas entrevistas falando a respeito, mas em contrapartida, poucos amigos sabem e sempre se espantam quando descobrem, acham que a gente tá de brincadeira… Já os familiares, a gente nunca tocou nesse assunto. Meu pai, eu acredito que lidaria numa boa, minha mãe já acho que não. E a família do Thi torceria o nariz, são meio conservadores e machistas, ainda mais a ideia tendo partido de mim…

Sobre perguntas que sempre nos fazem:

- A mais comum de todas é: vocês contam tudo que fazem um para o outro? A Jô mesma me fez esta pergunta quando soube. :)

Então, a nossa regra é jogar limpo. Quando saio com alguém, ele fica sabendo que vou sair e vice-versa. Fora isso, não entramos em detalhes. Não é aquela coisa de: “ai, deixa eu te contar, fiquei com fulano, rolou isso, aquilo, aquilo outro e foi bom/médio/ruim”. Sabemos meio que por alto tudo que rola na vida um do outro, mas não me interesso em saber nada mais profundo – até pra me preservar – hehehe.

– Sempre perguntam coisas como “vale ficar com algum amigo dele?”, e a resposta é meio saindo pela tangente, mas é real. Porque isso de vale ou não vale é tão relativo, né! Nossa regra é jogar limpo, sempre, um com o outro. E aí que isso se aplica a tudo. Mas o que acontece mesmo é que a gente não fica com amigos um do outro, nem por nada nosso não, mas muito mais pelos amigos, que ficam meio cheio de dedos com a história. Por exemplo, teve uma vez que eu tava muito a fim de um amigo em comum e eu abri o jogo com o Thi, porque, caso viesse a rolar, ia ficar uma coisa meio estranha. Acabou que o amigo não entendeu a ideia, achou tudo muito bizarro e nem rolou nada – hehehe.

Outra coisa que perguntam é se a gente não fica triste e enciumado em algumas situações. E a resposta é que fica sim, somos humanos, estamos lidado com sentimentos, que são coisas complexas e não fazem parte de nenhuma ciência exata, logo, não tem fórmula mágica. Assim como tudo na vida, tem dia que a gente tá bem, tem dia que não tá, e bola pra frente.

Eu acho que o maior desafio é estar disposto a encarar o que vier. Teve uma vez eu não estava bem – tenho um quadro familiar super grave de depressão, e já tive algumas crises, numa delas, inclusive fui medicada durante mais de um ano até ter alta. Bem no princípio deste meu caso de depressão mais grave, rolou de o Thi estar se relacionando com outra pessoa naquele momento. Não sei se isso teve alguma influência, mas foi bem num ponto em que a doença se agravou e eu me vi sem saber como lidar bem com esse terceiro elemento entre nós. Ele compreendeu, deu um basta em tudo. Mas mesmo assim foi algo difícil. E é o tipo de coisa que estamos sujeitos a enfrentar. Casou de ser num momento ruim – afinal de contas, pra tudo na vida, nem sempre estamos bem e dispostos a encarar algo diferente. No trabalho mesmo, tem dia que a gente não tá pronto pra fazer algo fora da nossa zona de conforto e desaba. Eu acho que o desafio é esse. É ter que estar sempre pronto pra encarar o que vier de diferente. E nem sempre é fácil, isso é fato.

– Essa é outra das perguntas mais clichês que o pessoal questiona: o que é traição pra você então? Como já disse antes, eu acho que traição é tudo aquilo que não está no “contrato”. Por exemplo, um casal que tem um relacionamento tradicional, o cara conhece uma menina e se interessa por ela, mas como ele é compromissado não rola nada, mas eles trocam telefone, Facebook etc. e passam a se falar por whatsapp, inbox, se insinuar, fazer gracinha em webcam etc. Nunca rola nada físico, mas os dois estão se envolvendo um com o outro. Pra mim isso é muito mais traição do que se rolasse beijo e sexo por tesão. Porque eles estão escondendo, fingindo, sacaneando a outra ponta deste suposto triângulo. Às vezes rola aquele tesão de impulso, que você nem quer saber o nome do outro, foi só tesão mesmo, e isso nunca abalaria o que você sente pelo seu companheiro. Mas aí as pessoas reprimem e ficam fantasiando isso que não rolou, e no fim acabam alimentando uma paixão platônica. E isso sim, pra mim, é mais grave, e é traição.

Uma pergunta que sempre me fazem, mas que eu não tenho uma resposta satisfatória: sobre ficar mais tempo com uma pessoa, ir ficando, ficando, ficando, até virar quase um namorico, isso vale? De verdade, eu não sei – ahahaha – nunca falamos sobre isso, porque nunca aconteceu. Mas eu acho que sim, acredito que se rolar e não interferir em nada no nosso relacionamento como casal, não tem problema algum.

Enfim, essa é uma parte da nossa história como casal, e por ser uma assunto pouco habitual, acaba sempre despertando o interesse das pessoas, e por isso resolvi me abrir aqui com vocês leitoras do F-uti. Se tiverem alguma dúvida ou quiserem falar mais a respeito, é só comentar, que eu, junto com Jô e Carla, vou ter o maior prazer em bater um papo com vocês sobre o assunto.

Beijos

Tayra-Vasconcelos

Tay, obrigada por ter dividido algo tão íntimo conosco e com nossas leitoras.
O assunto é realmente algo fora do lugar comum.
Você pode achar a Tay no Teia de Renda
21
mai
2015

Look da Cá: poderia repetir todo dia

Looks, Moda

Ao contrário da Jô, eu não sou uma pessoa que planeja os looks de viagem e odeio fazer a mala com alguma antecedência pois sempre acho que vou precisar usar alguma roupa que eu separei para a viagem (isso quase nunca acontece, mas continuo achando isso). Enfim, minha metodologia é simples e quando tá frio, fica mais fácil ainda: pego algumas calças, algumas blusas de manga comprida e escolho os casacos e jaquetas que combinam com a maior parte das peças.

Essa escolha aleatória quase sempre me faz levar coisas que eu não uso, mas também me faz criar looks que eu fico com vontade de usar a viagem inteira. E o look de hoje é exatamente isso, mas vou mostrá-lo antes:

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Jaqueta: NK para C&A | Blusa: C&A | Calça: Dzarm | Slip on: Qix | Bolsa: Tory Burch

Montei esse look pela primeira vez em Berlim (ai, esses prédios grafitados e coloridos, como eu amei!), já repeti com outra blusa aqui em Londres e a minha vontade é de continuar assim até sábado, quando vou embora! rs

Engraçado que sempre achei que usaria esse casaco em ocasiões mais chics, mas ele se revelou um tremendo curinga e tenho usado com TUDO! Aliás, estou amando essa proposta dele ser o “levantador de looks” quando todo o resto é mais básico.

Aliás, não só básico como confortável, palavrinha chave para qualquer viagem onde passar o dia na rua andando, andando e andando é o programa principal.

Curtiram?

Beijos!

Carla

21
mai
2015

A busca pela igualdade dos sexos: uma celebração como nenhuma outra!

Lifestyle, Reflexões

Não é de hoje que a gente vem conversando sobre a importância de homens e mulheres terem os mesmos direitos reconhecidos no trabalho, nas suas famílias, em casa ou em qualquer lugar. Respeitando as questões biológicas,nós acreditamos que todos têm o mesmo direito ao sucesso, ao reconhecimento e também, por que não, aos salários.

Nos últimos tempos, as mulheres vêm ganhando mais força e falando mais e mais sobre essa igualdade. Nessa hora os mais diferentes assuntos começam a aparecer e com eles as críticas também.

Se você acha que essa coisa do homem ganhar mais do que a mulher para desempenhar o mesmo cargo é algo que só acontece no seu trabalho, na sua cidade ou mesmo no Brasil, você se engana. Mulheres super poderosas da mídia americana também sentem isso e por isso resolveram levantar uma crítica muito interessante.

Patricia Arquette fez um discurso muito especial na cerimônia do Oscar:

Se você é ansiosa vale ouvir do 57s em seguinte.

Eu confesso que fiquei arrepiada com essa cena. Patricia é uma profissional reconhecida, tem sucesso, carreira promissora e com certeza ganha bem por isso. Só que mesmo as mulheres de muito sucesso encontram em algum momento da vida questões onde ser mulher pode significar algo diferente de ser homem.

Foi nesse clima que algumas estrelas de Hollywood fizeram um vídeo que me fez pensar em algo que nunca tinha antes me ocorrido: até na dramaturgia homens e mulheres são vistos de forma diferente. Essa ficha não tinha caído para mim…

Não consegui o vídeo com legenda em português, mas dá para ativar a legenda em inglês!

Esse foi um dos melhores vídeos que eu assisti esse ano. As atrizes Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus, Patricia Arquette e Amy Schumer pegaram seu humor, sua sabedoria e talento e deram vida a essa crítica cheia de humor nesse vídeo que se chama “The Last Fuckable Years”

É uma crítica super interessante sobre o momento em que as mulheres maduras deixam de ser vistas como mulheres sensuais, como se elas atingissem uma certa idade que magicamente fez com que elas não fossem mais adequadas para escalar uma mulher que é desejada na trama.

Então, no vídeo, é celebrado o último dia em que Julia Louis-Dreyfus é vista como uma mulher “comível”. A partir dali ela deixaria de ser par romântico de alguém e passaria a ser a mãe de uma pessoa que provavelmente não teria idade para ser filha ou filho dela.

Isso aconteceu no Brasil de forma muito questionada na novela Em Família, mas na verdade acontece o tempo todo. No vídeo, eles dão um exemplo genial: Sally Field fez par romântico com Tom Hanks em Palco de Ilusões em 88, já em 94 ela se transformou na mãe do mesmo ator em “Forest Gump”. Esse é o exemplo clássico, mas com muita ironia elas dão vários exemplos desse “fenômeno” que paira sob as estrelas de Hollywood.

E o pior? Fica claro que os homens nunca têm esse dia. Eles não deixam de ser par romântico para virar pais de alguém, fadados exclusivamente a esse destino.

Acho que o mais importante dessa crítica não é nos tornarmos radicais, chiitas ou nada disso. O relevante, no meu ponto de vista, é percebermos quantas coisas estão impostas nessa cultura sexista e a gente nem vê.

Se eu nunca tinha notado esse fato no cinema americano posso não ter notado diferenças de tratamento na minha vida, na minha rotina ou mesmo na minha casa.

Não precisamos nos tornar militantes políticas, mas acho que é fundamental aprendermos a combater o sexismo velado dia após dia, conversa após conversa. Seja entre amigas, familiares e companheiros. Se todo mundo lutar um pouquinho para uma sociedade mais igualitária, acredito que vamos chegar lá, mas para isso é preciso conseguir ver nas entrelinhas.

Uma celebração como nenhuma outra não é mesmo?

Uma celebração como nenhuma outra não é mesmo?

Quando vejo vídeos assim e/ou discursos como o #heforshe de Emma Watson me lembro de que não podemos parar de falar sobre esse assunto.

Beijos

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