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1 em Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Juliana Ali no dia 19.06.2018

Suas palavras têm peso

Acordo e faço café. Depois, pego o celular e vou dar uma olhada nas redes sociais, conferir as notícias do dia estilo século XXI. Conforme as fotos das pessoas físicas e jurídicas (famosas, sub famosas, conhecidinhas ou gente como a gente) vão passando pela tela, vou fazendo minhas notas mentais sobre cada imagem, quase sem pensar, automática e imediatamente.

“Tá linda hoje”.

“Credo, que caro”.

“Embuste”.

“Bom dia, maravilhosa”.

“Errou feio, errou rude”.

“Ridícula”.

“Que legenda bosta”.

“Clichê”.

“Macho escroto”.

“Marca de playboy”.

“Que brusinha massa, quero”.

“Pele tá boa, hein bonita”.

“(emoji do olho virando)”.

“Perfeita”.

E assim vai. Você faz isso também? Se você respondeu sim, fique sossegada porque é normal, faz parte do ser humano. Na verdade, vamos julgando, meio sem perceber, tudo e todos que vemos, a partir das NOSSAS VIVÊNCIAS. Enquanto esses julgamentos ficam “morando” na nossa cuca e a gente entende que cada um é cada um e que isso que a gente pensa é algo muito particular e não tem nada a ver com o outro, tudo bem*.

Acontece que, dado o conforto e a facilidade que as redes sociais nos trazem, muita, mas MUITA GENTE MESMO, vai escrevendo essas opiniões todas nas fotos que passam em suas timelines. E os donos de cada foto vão lendo essas bobagens que surgiram em um segundo na nossa cabeça. Segundos depois a gente esqueceu e seguiu a vida sem pensar mais nisso, mas será que o recipiente de nossas mensagens também esqueceu e seguiu a vida? Será que a mulher que foi chamada de ridícula bateu o olho e nem ligou? Acho improvável.

ilustra: Cécile Dormeau

ilustra: Cécile Dormeau

Mais importante ainda: ela pode ter realmente sido ridícula ali, nesse momento, mas será que ela é UMA PESSOA RIDÍCULA, em sua totalidade? Também muito improvável. Porque ninguém é só aquela parte que vimos ali, em um minuto. Todo mundo é um total muito maior. Todo mundo tem coisa boa e coisa ruim porque ninguém, mas ninguém MESMO, é só bom ou só mau.

O mesmo vale para a foto daquela mulher linda que bati o olho e pensei “perfeita”. Esse elogio eu posso postar, porque elogio (que não seja “maaaaagra”) nunca é demais e não faz mal a ninguém. Pelo contrário, faz bem a quem elogia e a quem recebe o elogio. Porém, a pessoa não é perfeita de verdade. Importantíssimo isso. Pode até parecer perfeita, ali, naquele momento estático, mas ela também é uma totalidade enorme cheia de alegrias e sofrimentos e lindezas e imperfeições e até coisas ridículas assim como eu e você.

Existe também aquelas pessoas que a gente admira nas redes e é comum que se coloque expectativas sobre elas. E geral vai vomitando as próprias frustrações: “Ah, mas como assim você não concorda comigo sobre assunto X, achei que você era uma pessoa legal” ou “Mas você é tão bem resolvida e agora diz que ainda não consegue se sentir bem de biquini?”. Quanta pressão… Pessoas admiráveis também tem dificuldades! Ainda não conheci ninguém que sabe tudo ou que está em paz consigo mesmo em todas as áreas, não.

Me preocupo muito com esse “escrever qualquer coisa sem pensar” na internet. A gente esquece que ali, lendo aquilo, tem outro ser humano absolutamente normal, que ri e que chora. Que sente, que se incomoda e que sofre. Não sabemos nada sobre aquela pessoa, mesmo que pareça que a conhecemos intimamente por conta de textos e fotos e stories. Mas a verdade é que são completos estranhos. E existem na vida real.

O que a gente escreve nas redes ESTÁ SENDO LIDO por um SER HUMANO. É preciso se responsabilizar por isso.

*Quero deixar claro que sou uma grande treteira internética. Sou crítica. Mas não de pessoas. Sou crítica de atitudes que não podem passar e encorajo que outros também sejam. Acho que machismo, racismo, homofobia, gordofobia ou qualquer outro tipo de comportamento discriminatório deve ser apontado nas redes. Aponto a cada vez que vejo, e aponto duramente. Mas argumentando, não xingando. E isso é MUITO DIFERENTE de criticar os outros só porque “ai, fulano é ridículo” ou “fulano é falso” ou “fulana é feia”.

10 em Comportamento/ maternidade no dia 18.06.2018

Para as mães de dois (ou mais) filhos

Queria contar uma coisa aqui: vocês são minhas heroínas. Sério.  Toda vez que cruzo com uma mulher que está com um filho de 2/3 anos no patinete e outro no carrinho, eu admiro. Toda vez que vejo uma mãe passeando por aí com carrinho duplo – e sentado nele pode ter gêmeos ou filhos de idades diferentes – eu admiro. Toda vez que vejo uma grávida com outro filho correndo por aí, eu admiro. Na turma da escolinha do Arthur, praticamente todas as mães ou estão grávidas ou têm filhos com menos de um ano. Eu e mais uma mãe (de uma turma de 10 crianças) somos as exceções.

Não estou dizendo que já me decidi por deixar o Arthur sendo filho único para sempre. Mas toda vez que olho tudo que já passamos e conquistamos, fico me questionando se gostaria de passar por tudo isso de novo. A maior parte das vezes a minha resposta é não, ou melhor, ainda não. Será que eu daria conta de perder essa minha liberdade recém conquistada (por mais que sejam apenas algumas horas por dia, é uma liberdade rs)? Ainda não. Será que eu conseguiria dar conta de duas crianças sem ter família por perto, sem ter uma ajuda extra nas tarefas de casa? Até conseguiria, mas não gostaria. Ainda não. Será que eu gostaria de perder o tempo que finalmente estou conseguindo ter com meu marido para que a gente precise dividir para conquistar? Ainda não. Mas esse texto não é sobre mim, é sobre mães com mais filhos.

tirinha-antes-depois-filhos

Tenho amigas que dizem ter optado por engravidar em anos próximos para se livrarem logo da função gravidez/bebês/filhos pequenos e “fecharem a fábrica”. Que preferiram ficar mais ou menos uns 5 anos dedicadas à esse mundo do que ficar em um entra e sai de licença maternidade e incertezas sobre o mercado de trabalho. Outras que engravidaram por acidente. Não sei qual foi seu caso, mas não importa como o novo integrante da família surgiu, você continua sendo minha heroína.

Admiro como você conseguiu passar novamente pela fase do puerpério. Se na primeira vez essa é uma fase de renascimento e redescobrimento, muitas vezes de introspecção e um sentimento de nostalgia, com dois filhos não tem como ter isso novamente. Não sei como você consegue.

Admiro como você consegue se desdobrar em mais uma para suprir as necessidades de duas pessoinhas diferentes. Até imagino que deve ser mais fácil com o segundo filho depois que você já passou pela experiência uma vez. Sei também que muitos cuidados e medos que temos com o primogênito não acontece com o segundo. Mesmo assim, não sei como você consegue.

Admiro como você consegue administrar o ciúme da criança mais velha. Principalmente se ela tem por volta dos 2 ou 3 anos, aquela idade que é o ápice do egoísmo e do egocentrismo, onde tudo é dela. Um irmão ou irmã nessa altura da vida deve ser ótimo para ensinar que a vida não gira em torno do seu umbigo, mas não estou falando da perspectiva da criança aqui. Sei que a mãe de dois (ou mais) aprende na marra e em um curso intensivo a ter um jogo de cintura digno de diplomata em zona de guerra. Mais uma vez, não sei como você consegue.

Admiro sua destreza em conseguir sair com todos os filhos na rua, ou no restaurante ou até mesmo para o parque. Eu, com um, já quase morro em uma saída com o patinete, ou para o supermercado. Hoje em dia ando na rua tão alerta que chego a ficar com o pescoço rígido de tanta tensão, e já aconteceu (mais de uma vez) de eu sair da loja com alguma roupa ou brinquedo jogado no carrinho em um momento de distração e eu ter que voltar morrendo de vergonha de devolver o item “roubado”. Imagina com dois? De novo, não sei como consegue.

Admiro também o casal que passa a ter que usar a estratégia de dividir para conquistar (a conquista, no caso, é uma janela de duas horas de descanso depois que as crianças foram dormir). Se aqui em casa a gente faz um rodízio para que todo mundo consiga descansar mais cedo ou dormir até tarde pelo menos alguns dias da semana, com dois filhos não existe essa possibilidade. Com três ou mais, então, não sei nem como soluciona. Não sei como consegue – e meus parabéns para o casal.

Imagino que muitas que lerão esse texto devem estar pensando: “mas a verdade é que eu não consigo. Eu estou acabada, cansada, desgastada, por vezes arrependida”. Todas nós, independente da quantidade de filhos, temos nosso momento “me tira daqui” e nosso momento “poderia ter mais uns 5“. Talvez você precise se doar mais do que gostaria, talvez tenha que fazer mais concessões do que imaginava, talvez você sinta falta da simplicidade da vida com apenas uma criança. Mas nada disso tira o fato que você consegue. E por isso eu só posso dizer, parabéns. <3

1 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 15.06.2018

Book do dia: O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón

Que vergonha de mim. Não por estar demorando horrores para terminar meus livros, isso eu já superei e entendi que minha vida atual não me permite passar noites em claro porque não consigo parar de ler ou passar tardes inteiras saboreando uma boa leitura. Que vergonha porque só hoje me dei conta que tem quase 5 anos que eu li o primeiro livro de Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, consagrei esse autor como um dos meus preferidos da atualidade e…..

simplesmente não comprei mais nenhum livro dele.

Acho que já contei aqui que, por causa dessa tag de BDD, eu não gosto de ler trilogias seguidas porque vou me sentir na obrigação de resenhar todos os livros seguidos e pode ser que essa tag fique um pouco chata por um tempo. Acho que a única vez que fiz isso aqui foi com a série de livros da Elena Ferrante (e mesmo assim não consegui fazer a resenha do último porque jurei que já tinha muita Elena para pouco tempo rs). Uma espécie de mania minha, eu sei. E por causa disso, fiquei postergando comprar outros livros do Zafón. De repente, quando percebi, quase 5 anos se passaram, eu tinha parado em “A Sombra do Vento” e continuava parada lá.

Pois bem, há uns meses acabei comprando a parte 2 da trilogia Cemitério dos Livros Esquecidos. E apesar de ser uma trilogia, todos os livros da série são independentes. O que de certa forma é bom, pois nenhum deixa pontas soltas que te obrigam a começar a próxima leitura imediatamente.

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Sinopse: Aos 28 anos, desiludido no amor e na vida profissional e gravemente doente, o escritor David vive sozinho num casarão em ruínas. É quando surge em sua vida Andreas Corelli, um estrangeiro que se diz editor de livros. Sua origem exata é um mistério, mas sua fala é suave e sedutora. Ele promete a David muito dinheiro e sua simples aparição parece devolver a saúde ao escritor. Contudo, o que ele pede em troca não é pouco. E o preço real dessa encomenda é o que David precisará descobrir. Em O Jogo do Anjo, o catalão Carlos Ruiz Zafón explora novamente a Barcelona do início do século XX, cenário de seu grande êxito internacional A Sombra do Vento, que vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo. 

Não tenho dúvidas que Zafón é um autor maravilhoso. Ele descreve cenários e situações com tantos detalhes que é quase uma experiência sinestésica. O cenário em “O Jogo do Anjo”, por exemplo, é decadente, escuro, com cheiro de pó e mofo. Você sente medo, angústia e em alguns momentos eu não consegui ler no escuro, por exemplo. O estilo narrativo dele é muito bacana para quem gosta de uma leitura mais poética e envolvente. Quem gosta de livros mais rápidos, talvez ache esse estilo um pouco cansativo.

Porém, ao contrário de “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” não me pegou logo de cara e eu tive que insistir um pouco para pegar no tranco da leitura. Não sei se é por causa de David, o protagonista que demora para mostrar uma faceta mais agradável, não sei se é porque o livro demora para dizer a que veio. Só sei que precisei de um personagem para começar a me interessar mesmo: Isabela. Calma, não vou dar spoilers, mas essa mulher, que nem aparece na sinopse, é o ponto de equilibrio que faz a engrenagem do livro funcionar.

“Não está com uma cara boa – sentenciou.
Indigestão – repliquei.
De quê?
De realidade.”
O jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón

Depois disso, pode esperar fantasia, mistérios e desesperanças com toques de realidade, poesia e até mesmo humor. Só sei que deixo aqui meu comprometimento público de que não vou esperar mais cinco anos para terminar essa trilogia – nem para ler outra obra de Carlos Ruiz Zafón. Me cobrem, por favor. :)

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