26
ago
2016

Mais um mullet está de volta, agora no jeans!

Moda

Enquanto eu estava procurando imagens para o post das barras desfiadas, comecei a me deparar com um outro detalhe no jeans que me deixou intrigada. Aí sabe quando você nota uma coisa e começa a vê-la por aí? Não vi em lojas, mas outro dia passeando pelo bairro (Williamsburg é todo cheio das modernidades, né) notei duas meninas com calças parecidas com as que eu tinha visto na internet.

Fiquei um tempo me questionando se era coincidência ou se realmente era alguma tendência e acabei descobrindo que, sim, fez algum sucesso no final do ano passado e eu nem vi. Mas to vendo agora e fiquei com vontade de mostrar para vocês essa bizarrice que tem até nome, mullet jeans.

Sei que toda vez que a palavra mullet entra na jogada rola uma polêmica, seja no cabelo, seja na saia ou em vestidos. Tirando a primeira opção, eu sempre gostei dos mullets da moda e inclusive já teve look aqui no blog com saia e com vestido de festa. Por isso nem consigo acreditar que fui achar horroroso justamente numa calça jeans!

Me perdoe quem gosta, mas eu achei uó e não vi sapato ou look que desse um jeito nessa barra cortada só na frente:

mullet-jeans

Acreditem, ao vivo e se movimentando eu consegui achar pior ainda. Fica parecendo que aconteceu alguma coisa com a barra da calça e o único jeito de resolver foi tirando a parte da frente. Não curti mesmo!

Adoro detalhes e acho que muitos são ótimos para trazer personalidade. Teoricamente o mullet jeans deveria de entrar nessa categoria mas achei que se encaixou justamente no detalhe que deixa o look meio feio. Não consegui comprar essa ideia em nenhum sentido, muito menos no literal. Se bem que, não é a coisa mais difícil de se fazer com uma calça antiga, né? Uma tesoura afiada e pronto, nem precisa de mão firme ou talento para customização!

Alguém por aqui curtiu?

Beijos!

banner-SNAP-ca

25
ago
2016

Metido a príncipe encantado? Tô fora!

crônicas

Outro dia a Carol estava contando do novo carinha com quem ela estava saindo. Ele parecia perfeito para ela e fui a primeira a encorajar o romance mesmo sabendo que ela ainda escondia as cicatrizes do fim de uma história recente e dolorosa. Por alguns dias, enquanto ela decidia se se jogava ou se afastava, eu repetia o meu mantra: O pior cenário é um novo aprendizado. 

Sabe aquela lista de pré requisitos bem requintada? Então, ele era desses que a gente marcava “check” em tudo que você poderia procurar num cara, me enganou direitinho. Só que os tais pré requisitos não eram informações que ela foi percebendo, eram dados que ele fazia questão de colocar pra ela. Como se ela estivesse buscando aquilo a vida toda e ele estivesse ali para entregar.

Disney-Principe-Encantado

Sou muito teimosa, simples e objetiva, acredito que o perfeito não existe e suspeito deliberadamente de quem gosta de se pintar como tal. Pessoas se estressam, brigam com a família, fazem besteiras, comem demais um dia, amam demais no outro, se entregam, erram, acertam e se refazem. Pra mim, quem não faz nada disso levanta suspeitas. Quando a pessoa se preocupa muito em vender uma imagem ideal, sempre imagino que seja um caso muito forte de uma persona construída para te falar aquilo que ela acha que você quer ouvir. Tentei fazer ela enxergar isso antes de se machucar novamente, mas como a Carol estava em uma fase quase encantada, me ignorou. “Deixa de ser boba, você está querendo me super proteger demais”, ela me dizia.

Para meu alívio, um mês e meio depois uma mensagem de whatsapp acendeu sua luz amarela. Naquela hora entendi que ela começou a me dar ouvidos. Parecia que ela sentia um espaço enorme entre o que ele dizia e o que ela sentia vindo dele. Foi ali que ela começou a enxergar que aquela máscara não era sustentada, no fim das contas ele era tão imperfeito quanto ela, ou quanto todo mundo. E seria ótimo se eles unissem suas imperfeições, mas ele preferia ser o tal príncipe encantado de forma pouco transparente.

Nada fluiu naturalmente. A verdade é que ela só queria uma relação onde as coisas simplesmente acontecessem, sem tantos medos ou vontades medíocres.

Quando as fichas começaram a cair, ela já não conseguia ser exatamente a mesma e aos poucos aquela tentativa de conexão foi morrendo pra ela. De quê adianta tentar se conectar com um robô programado apenas para falar as coisas certas, e não para sentir?

O erro da Carol foi tentar demais. Seguindo seu racional nos últimos meses ela tentou muito, me ouviu de menos. Não era pra ser tão exaustivo, mas foi. No fim das contas, a história se repetiu por mais que o cenário fosse completamente diferente. Minha palavra só valeu no final, quando ela somava aos seus argumentos a seguinte frase: você sempre me dizia que tinha algo errado.

Dizem que a gente não tem que alimentar traumas, mas eu sou agora uma intuição mais pragmática. Não rolou, deixa ir. Não bloqueia a energia do que está por vir. Não prende à você aquilo que você não quer mais. Um dia vai chegar alguém que vai sintonizar na sua frequência, não vai ser perfeito, mas provavelmente vai ser leve, vai ter conexão e fluirá naturalmente.

Mais vale o cara que dá para trás por medo de se envolver do que o que manipula você por muito tempo até enxergar que ele mesmo não conseguia se entregar de verdade.

Hoje, como intuição, só sinto alivio. Não por estar certa, porque essa parte é triste, mas por vê-la feliz, com o coração leve. Tenho muita esperança que no momento correto o encaixe perfeito vai aparecer. Se tinha que fazer tanta força não podia mesmo ser o certo, o que for de verdade vai fazer sentir, não pensar.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

banner-snap

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

24
ago
2016

O dia que o padrão de beleza eclipsou as Paralímpiadas

Deu o Que Falar, Lifestyle

Recentemente escrevi aqui para o blog sobre o julgamento instantâneo que todos nós fazemos a respeito das pessoas apenas pela sua aparência. E agora, estarrecida e sem saber o que pensar da campanha de extremo mau gosto da Revista Vogue para apoiar os atletas paralímpicos, me veio esse insight.

Foto postada primeiramente no instagram da revista Vogue com a legenda: #SomosTodosParalímpicos: para atrair visibilidade aos Jogos Paralímpicos e ressaltar a relevância dos paratletas brasileiros no panorama do esporte nacional, @cleopires_oficial e Paulo Vilhena (@vilhenap) aceitaram o convite para serem embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro e estrelam a campanha Somos Todos Paralímpicos.

Foto postada primeiramente no instagram da revista Vogue com a legenda: #SomosTodosParalímpicos: para atrair visibilidade aos Jogos Paralímpicos e ressaltar a relevância dos paratletas brasileiros no panorama do esporte nacional, @cleopires_oficial e Paulo Vilhena (@vilhenap) aceitaram o convite para serem embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro e estrelam a campanha Somos Todos Paralímpicos.

Vou reforçar o coro do ÓBVIO, isso é, que os atletas paralímpicos deveriam ter sido as verdadeiras estrelas da campanha e não pessoas famosas sem nenhum tipo de deficiência.

Mas esse é mais um caso que preferem vender a imagem de alguém e não aquilo que a pessoa conquistou. Por que colocar a Cleo Pires e o Paulo Vilhena? Sim, eles são embaixadores das Paralimpíadas, o Comitê Olímpico apoiou a escolha dos dois atores para dar visibilidade aos jogos Paralímpicos e ambos estão ali para darem destaque à causa. Mas as fotos divulgadas são de pessoas famosas conhecidas que servem como modelo a inúmeras campanhas publicitárias que nos convencem de que temos que ser parecidos com eles – o básico padrão de beleza dos tempos atuais, não importa se o Photoshop tirou um braço ou colocou uma prótese. 

A outra imagem, em que Cleo Pires está em cima do atleta Renato Leite, é até mais bem resolvida, mas mais uma vez vemos o padrão de beleza sendo o mote quando não deveria. Cleo, linda e uma verdadeira sex symbol, achou que uma boa forma de chamar atenção para as Paralimpíadas era aparecer toda sexy em cima do atleta com a justificativa de que “quando você sensualiza uma história você também a empodera” e também porque “superação é sexy”. Será que não dava para fazer um ensaio fashion com paratletas sem precisar usar o artifício da famosa sensual?

cleo-pires-paralimpiadas

 

Atleta não é pra ser bonito e ter um corpo perfeito (apesar de sabermos que o físico adquirido nada mais é do que uma consequência dos seus treinos e da sua rotina), ele é um profissional que ama seu esporte e dá seu sangue e suor por anos a fio em busca do seu reconhecimento máximo, que é a medalha. Uma pessoa que quer ser reconhecida por suas conquistas, prêmios, tempos atingidos nas provas, títulos. No caso das Paralimpíadas, além de tudo isso, ainda temos as incríveis histórias de superação dessas pessoas.

Por que será que os dois foram escolhidos para serem os rostos dessa campanha? Simplesmente por serem os embaixadores? Por serem famosos? Ou foi o padrão de beleza imposto que definiu que eles são mais comerciais, por mais que não representem a história dos atletas? Vale pensar.

Chega de valorização de imagem, chega de Photoshop (que além de emagrecer ou embranquecer pessoas, agora também tira membros para tentar ilustrar um discurso mal pensado) e vamos prestigiar e nos emocionar com essas pessoas? Esses atletas passam por dificuldades não só em questões de acessibilidade mas também em relação a patrocínios, representatividade e agora, até mesmo visibilidade justamente por quem deveria estar botando-os como protagonistas.

banner-camilla-estima

Página 1 de 1.11812345...102030...Última »