papo sobre Autoestima

produtos que Amamos

inspire-se nessas Viagens

2 em Autoestima/ feminismo/ maternidade no dia 20.07.2018

A modelo que amamentou no meio do desfile e a importância de naturalizar a amamentação

Imaginem a cena: você é amiga de uma modelo acabou de desfilar para a linha de biquini da Sports Illustrated e recebe a mensagem “amiga, você não vai acreditar no que aconteceu, mas acabei de entrar com minha filha mamando no meu colo no meio do desfile!”

amiga

Tradução: Para todos com comentários negativos: Mara é minha melhor amiga na vida real. Ela passou 12 horas no casting, em cima do salto e com seu bebê de 9kg durante cada dia de eliminação. A equipe toda amou a bebê e até sugeriu que ela fizesse uma de suas entradas com ela no colo. Quando chegou a hora dela desfilar, assim que o show começou, a bebê estava mamando. O produtor sugeriu que ela desfilasse com o bebê no colo e mandasse ver. Não foi planejado; ela inclusive me ligou logo depois para contar o que aconteceu. Não tem nada de errado nessa história. O bebê estava com fome. Final da história. / É necessário ter uma mulher sem uma perna no desfile? Não, mas eles colocaram uma e foi lindo. O motivo da Sports Illustrated ter feito um casting aberto foi justamente para celebrar todo tipo de mulher, incluindo mães. E eles deixaram claro sua posição: mães têm que poder alimentar seu filhos QUANDO, ONDE e COMO elas quiserem, sem aturar comentários de um monte de guerreiros do teclado sem nada melhor para fazer que preferem criticar alguém que eles nem conhecem. Mara é uma mãe incrível, mulher e amiga. Ela não merece nada mais do que suporte.

No momento seguinte, a tal amiga, cujo nome é Mara Martin, aparece em manchetes ao redor do mundo como a modelo que andou uma passarela com um dos lados do biquini pra baixo, amamentando enquanto desfilava.

Foi uma imagem forte, impactante, marcante. E tudo isso no sentido mais positivo do mundo, pelos mais diversos motivos.

Eu não me considero uma militante do aleitamento materno, inclusive eu não consegui amamentar por uma série de questões físicas e psicológicas (que inclusive eu demorei muito para entender isso, e hoje desconfio que tais questões foram mais psicológicas do que físicas) e lembro que no auge das minhas tentativas e frustrações, eu me sentia bem mal a cada mensagem que me passava a mensagem que a amamentação, além de fácil, linda, criadora de vínculos e amor, era absolutamente necessária.

Lembro quando fui comprar a primeira mamadeira do Arthur. Me deparei com umas linhas pequenas que, naquele momento, pareciam ter um alto falante que praticamente gritava pra loja inteira ouvir que se eu optasse pela mamadeira, eu iria expor meu filho a doenças e não estaria dando todo o amor que eu poderia dar. Demorou para eu deixar de me culpar e achar uma tranquilidade nessa página da minha história como mãe.

Quando eu fiz as pazes com esse capítulo da minha vida e comecei a entender o tamanho dos milhares de sapos que mães têm que engolir para conseguir alimentar seus filhos em público, finalmente caiu a ficha da importância de cada campanha e cada post feito falando sobre amamentação. Eu tinha minhas questões e encarava cada incentivo como atestado da minha incompetência, mas essa não é uma discussão sobre mim, então eu não deveria ter levado para o pessoal. Mesmo assim, achava que algo ainda estava faltando.

Até que vi essa história da Mara Martin, e fiquei maravilhada com cada decisão tomada para que essa cena tenha acontecido. Em tempos onde as regulamentações da OMS sobre amamentação estão sendo questionadas, essa imagem é um verdadeiro ato político.

Achei corajoso e maravilhoso as pessoas que estavam comandando o desfile terem incentivado Mara a entrar amamentando. Não importa se foi de caso pensado ou não, mas em uma sociedade onde mulheres perdem vagas de emprego (quando não perdem seu trabalho) porque têm (ou estão na idade de ter) filhos, ver um lugar onde a mulher pode ser mãe e profissional ao mesmo tempo é maravilhoso. E amamentar faz parte da maternidade, por isso, nada mais natural.

Aliás, naturalizar esse ato e tirar a sexualização do seio da mulher é urgente e necessário. E acabei percebendo que para mim, esse era o ponto que faltava. Não adianta fazer mil campanhas falando sobre a importância do leite materno e como só a amamentação cria vínculos insubstituíveis com seus filhos se quando a mulher resolve amamentar em público ou posta uma foto amamentando, chovem comentários chamando de desnecessário, de exposição ou surgem sugestões de aparatos para esconder o peito. Será que ninguém percebe que é mais uma forma de cercear a liberdade da mãe? Talvez, se eu tivesse crescido com mais imagens tipo essa, minha história com a amamentação (e até mesmo com meus peitos) teria sido diferente.

0 em Autoestima/ Comportamento no dia 19.07.2018

Independência financeira têm a ver com autoestima?

Vamos falar sobre sua vida financeira? Eu sei, dinheiro é sempre um assunto delicado. Mas é importante falarmos sobre isso e, por incrível que pareça, está muito mais ligado à nossa autoestima do que imaginamos. Você não precisa se basear no saldo da sua conta bancária para se sentir mais ou menos confiante, mas testar a sua habilidade de poder fazer dinheiro pode, sim, te ajudar em diversos aspectos.

Pra começar, todas nós somos plenamente capazes de produzir algo que possa ser remunerado. Essa é a vantagem de sermos todas diferentes, com aptidões diferentes, até mesmo dentro de uma mesma área. Partindo deste princípio, temos o que é necessário para nossa independência financeira em nossas mãos.

Não importa qual seja sua renda ou classe social, ter o seu próprio dinheiro te dá um poder fundamental: o de fazer o que você quiser com ele. Mesmo que seja pouco, que pague coisas menores como uma ida à manicure, essa foi uma decisão que você tomou sem precisar pedir ou consultar ninguém a respeito daquilo. Era seu dinheiro e você usou como quis. Isso faz da gente um pouco dona do nosso nariz, sim! E essa vontade vai crescendo dentro da gente e nos estimulando a fazer mais para poder adquirir ainda mais independência.

É possível ser dona do seu nariz morando com os pais, com o namorado, marido e, é claro, sozinha. Mas é fundamental que você seja dona do seu nariz para só estar em situações que você queira estar ou, em caso de algo dar errado, poder sair de situações onde não quer estar sem precisar depender de ninguém pra isso. E ouso dizer que esse é um dos principais motivos para a independência financeira ser tão importante e necessária.

É através dela que podemos sair de uma relação abusiva, deixar a casa dos nossos pais, mudar de cidade, até mesmo de país. Mas tão importante quanto ganhar o dinheiro para pagar nossos tão falados boletos, o fato de sermos recompensadas financeiramente por algo que fazemos bem é o que de fato nos estimula e nos faz sentir valorizadas.

Pode parecer estranho falar sobre isso em pleno 2018, já que a crise está aí e todo mundo está tendo que se reinventar, trabalhar mais e fazer o necessário para garantir o sustento (próprio e da família também), mas o fato de ainda vivermos em uma cultura machista, torna mais importante ainda esse tipo de debate. Muitos dos casos que vemos no grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook e que envolvem relacionamentos – seja com o marido, namorado, pais, mães – se resolveriam de maneiras diferentes se a mulher que foi procurar ajuda tivesse uma certa independência financeira.

Sabemos que o momento é um tanto quanto delicado no Brasil. Sei que emprego não é simples, mas quero insistir com vocês: todo mundo tem um talento que pode ser remunerado por isso. Temos várias empreendedoras por aí cozinhando, decorando festas, prestando consultoria para empresas, tanto quanto engenheiras, médicas e advogadas. É fundamental se sentir útil e valorizada e neste aspecto, o trabalho, seja ele qual for, tem sim um poder muito grande sobre a nossa autoestima. É a sua capacidade, e não uma carteira assinada, que determinam o seu valor. E somos responsáveis com o que fazemos com nossos talentos. Ou seja, tá na nossa mão!

4 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Juliana Ali no dia 18.07.2018

Envelhecer?

Tenho 41 anos. Quando minha mãe tinha mais ou menos essa idade, era diretora da revista Cosmopolitan e, da mesma maneira que hoje faz minha amiga maravilhosa Cris Naumovs (atual ocupante do cargo), todo mês escrevia a carta ao leitor – aquele textinho logo no começo da revista, meio que uma apresentação da edição. Ela fez isso por vinte anos.

Em uma dessas colunas, escrita quando tinha uns quarenta e poucos anos, minha mãe fala sobre estar ficando mais velha. O texto começa exatamente assim: “Branco. O cabelo está branco.”

Vou escrever sobre o mesmo assunto agora, e homenagear minha mãe começando do mesmo jeito: Contando que, recentemente, Carmen, minha filha, encontrou alguns fios de cabelo branco na minha cabeça, pela primeira vez.  Branco. O cabelo está branco.

ju-41

Noto os reflexos de ter passado dos quarenta. Adolescentes passam por mim com aquele jeito distante e desinteressado de quem não se identifica mais, recebo muito menos olhares masculinos em qualquer ambiente, “a senhora vai beber alguma coisa?”.  Outro dia fui fazer um exame de sangue e a moça do laboratório perguntou: “ainda menstrua?”. Pela primeira vez na vida não ouvi o familiar “qual a data da última menstruação?”.

Não me incomodo com nada disso, são apenas sinais naturais do momento em que estou e tudo bem. Me sinto confortável aqui, nesse lugar. Porém tem uma coisa que me incomoda sim, agora. Frases como “fulana tá acabada, cara de velha”. Ou “envelheceu mal aquela lá, hein?”.  Ou ainda “você não vai entender porque quando você era jovem não tinha isso”.

Envelhecer? Credo, não pode. É feio. Tem que ficar velha e ter cara de jovem. Se vira, faz plástica, que parecer a idade que tem é crime. Tem que mentir a idade também. Como se fosse uma vergonha, e não um orgulho, cada ano novo que a gente enfrenta, e ganha. Dizer que tem cinco, dez anos a menos. Não entendo a vantagem. No máximo, vão dizer “fulana tá acabada, cara de velha.” Porque, afinal, se eu disser agora que tenho 35 anos não vou magicamente ficar com cara de 35, né amore. Continuarei com cara de quarenta mesmo.

“Ah, no meu tempo…”. Não é assim que eles falam? Que tempo é esse? Meu tempo é hoje, é agora, é 2018, é onde estou. Aqui é MEU TEMPO. Mais do que nunca, inclusive.

Não sei se você viu o stand up da Hannah Gadsby que estreou há pouco no Netflix. Chama “Nanette”. Talvez tenha ouvido falar (recomendo). Hannah tem minha idade. Em dado momento, ela está falando sobre Picasso. Ele mesmo, o pintor. Hannah lembra que Picasso, aos 45 anos, notoriamente se envolveu com Marie-Thérèse, de 17. Foram amantes, ele era casado. Picasso disse certa vez que o relacionamento era perfeito pois ambos “estavam em seu melhor momento”. A isso, Hannah responde algo do tipo: “Que mulher está em seu melhor momento aos 17 anos? Melhor momento pra que? EU estou em meu melhor momento AGORA. Pode vir, você teria coragem de mexer comigo HOJE???”. 

Aos 17 anos, certamente Marie-Thérèse estava no melhor momento para cair no papo de um homem mais velho louco para usá-la como bem entendesse. E aos quarenta? Você tem coragem de enfrentar essa mulher? Ela ACABA com você. Porque ela sabe muito. Ela está NO SEU MELHOR MOMENTO.

Lembre disso, se você for ainda bem jovem. Com o tempo, você ficará melhor. Abrace isso, pois é real. Não minta sua idade, não tenha medo de quantos anos terá  no ano que vem. Tenha orgulho da mulher em constante evolução que você é. Cada ano vai te tornar mais autoconfiante, mais esperta, mais tranquila, mais FORTE, mais ligada no que realmente importa. Spoiler: não é a aparência física.

E não me chama de “velha”. Não repare se envelheci “bem ou mal”.  O que significa isso, no fim das contas? Inspire-se nas mulheres que estão mais á frente que você nesse processo de crescimento ao invés de dispensá-las. É crescimento, não envelhecimento.

Minha mãe hoje tem 75 anos. E o cabelo está branco, todinho. Ela não pinta, sabe? E segue linda, saudável, vivendo no seu tempo, que é hoje. Viu “Nanette” também. Só que mamãe viu no Netflix pelo laptop. Eu não sei acessar o Netflix no computador, nunca tentei, vejo na TV mesmo. Quem sabe um dia peço pra ela me ensinar como faz.

mamae-75

Aliás, também me lembro exatamente da última frase do texto que mamãe escreveu há três décadas, aquele, do cabelo branco:

“Envelhecer? Não tenho tempo pra isso.”